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Hideo Kojima está lançando um novo jogo, chamado Death Stranding. Além de ser um game totalmente novo, Kojima acredita que está iniciando um novo gênero chamado ‘Strand’, algo que ele define como um jogo que se baseia fortemente em elementos sociais para criar um elo entre os jogadores.

Para isto, Kojima se inspirou um um conceito japonês chamado Omoiyari. O problema é que não existe uma tradução direta desta expressão, palavras como empatia e compaixão foram usadas por sites americanos para tentar explicar a ideia. Outros se limitaram a dizer que seria tomar a responsabilidade pelos outros em algum tipo de estrutura social. Porém, o pilar do gênero Strand é algo além.

Em uma recente entrevista para o Game Informer, Kojima chegou a comentar que sua equipe citou a dificuldade que os ocidentais teriam de entender o conceito do jogo, obrigando o game designer a colocar um sistema de likes para que tudo funcionasse do jeito que ele imaginou. E não é de se surpreender, a ideia não é muito fácil de explicar, principalmente em uma sociedade ocidental, que geralmente está mais ligada ao egocentrismo.

Até no idioma japonês, o conceito de Omoiyari não é fácil de explicar em poucas palavras, entretanto, podemos resumir da seguinte forma: Omoi significa ‘consideração pelo próximo‘, já Yari é algo como ‘mandar alguma coisa para os outros‘. Na verdade, isso é um conceito que nos ensina como agir em relação a si e aos demais que nos rodeiam.

Ainda que este conceito seja antigo no Japão, ele é transmitido até hoje para as novas gerações e ele é encarado como uma ideia de pensamento social inteligente. O Omoiyari ensina que você deve sempre levar o ponto de vista do próximo em consideração, evitando se colocar no centro de tudo (egocentrismo) e nem colocar os outros (altruísmo), ambos os lados possuem igual valor. Estamos todos ligados em um só sistema, tudo é um, há uma interdependência que deve ser respeitada.

Ou seja, sua opinião ou escolha é apenas uma das muitas formas de enxergar a vida, a opinião ou escolha do próximo pode até ser diferente, mas não significa que ela esteja errada, ela é uma das muitas possibilidades para aquela situação. Sabendo lidar com isso, você pode tomar medidas que irão beneficiar a todos.

No Japão, é comum ver que as pessoas levam isso a sério: os cidadãos respeitam as vagas para pessoas com necessidades especiais, ouvem música em trens usando fones de ouvido, zelam pela limpeza e integridade dos prédios e espaços públicos, se preocupam em manter tudo organizado e funcional. A ideia é que aquilo não está apenas beneficiando você, mas a todos. É tudo parte de um sistema que você é uma peça. São pequenos gestos, mas fazem toda a diferença.

Em Death Stranding, Kojima parece ter associado a filosofia aos itens que você deixa para outros jogadores. A ideia não é que você se torne um bom samaritano ou que você esteja pensando apenas em beneficiar um amigo, mas se a proposta é conectar as cidades dos Estados Unidos e recriar uma sociedade, é preciso que cada um faça sua parte. Obviamente, as escolhas mais acertadas ou mais úteis acabarão se tornando parte definitiva daquele caminho do jogo. E assim, com um pequeno detalhe de cada vez, poderemos ter uma nação reconstruída e funcional.

Mas sabe o que seria legal? Levar essa ideia para o mundo real.



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