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Em 2021, a Marvel Studios levará aos cinemas o seu primeiro filme com um herói asiático: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis.

Apesar de menos conhecido, Shang-Chi é um dos maiores heróis de artes marciais da Marvel – sendo o outro o Punho de Ferro – e tem tudo para conquistar o público fã de de kung-fu.

Mas afinal, quem exatamente é Shang-Chi? Qual a sua história? Quem são os seus inimigos? Qual será o seu papel dentro do Universo Cinematográfico Marvel? Hora de descobrir.

Origem

Durante a década de 1970, o mundo viveu a “mania kung fu”, e a Marvel Comics, sempre antenada nos gostos de seus leitores, criou um especialista em kung fu em seus quadrinhos, na figura de Shang-Chi, usando como modelo o ator e artista marcial Bruce Lee, um fenômeno naquele período. Em 1973, Shang-Chi estreou na Special Marvel Edition #15, precedendo o Punho de Ferro por um ano como o primeiro grande herói de artes marciais da Marvel. Criado por Jim Starlin e Steve Englehart, ele logo se tornou a estrela de sua própria série de quadrinhos, The Hands of Shang-Chi, Master of Kung Fu.

Shang-Chi, filho do imortal mentor criminoso chinês Fu Manchu, nasceu e foi criado na província de Honan, na China. Seu nome significa “o surgimento e o avanço de um espírito”. Seu pai secretamente tentou usar Shang-Chi como uma ferramenta para fortalecer seu império criminoso. Enquanto moldava seu filho em um mestre de kung fu, Fu Manchu enganou Shang-Chi, que acreditava que seu pai era um bom homem com ideais nobres. Nos primeiros anos, Shang-Chi viveu uma vida protegida, onde experimentou pouco do mundo exterior e muito menos da cultura ocidental. Ele foi ensinado a confiar em apenas uma pessoa: seu pai.

Tudo mudou um dia quando, sob as ordens de Fu Manchu, Shang-Chi assassinou um idoso indefeso. Esse foi o momento que quebrou o domínio de Fu Manchu sobre Shang-Chi e o fez perceber que tipo de pessoa seu pai realmente era. Shang-Chi formou uma aliança relutante com o MI-6 e se dedicou a derrotar Fu Manchu. As aventuras de Shang-Chi com o MI-6 foram o que o tornaram um herói, mesmo que ele odiasse profundamente o tempo que passava com eles. Shang-Chi desprezava o mundo da espionagem e freqüentemente se referia a ele como “jogos de morte e trapaça”. Eventualmente, Shang-Chi se envolveu em uma agência de detetives particulares, onde finalmente conseguiu ajudar as pessoas de uma maneira que ele se sentisse confortável.

O motivo de sua criação foi a série de TV ‘Kung-Fu’

No início dos anos 70, como você já deve ter ouvido, todo mundo estava lutando kung fu. Isso foi em grande parte graças a Bruce Lee, que havia sido exposto ao público americano pela série de televisão O Besouro Verde e com papéis estrelados em filmes como Jogo da Morte e o lançado postumamente Operação Dragão, que abriu as portas para futuras estrelas como Sammo Hung e Jackie Chan para encontrar o estrelato nos Estados Unidos.

Diz-se que a série de TV Kung Fu, estrelada pelo ator David Carradine, foi originalmente desenvolvida para Bruce Lee (o filme biográfico de 1993: Dragon: The Bruce Lee Story até retratou o programa como tendo sido ideia do próprio Lee). Era essa série que a Marvel Comics inicialmente esperava usar para capitalizar a mania das artes marciais.

No entanto, a Casa das Ideias não conseguiu os direitos, então Stan Lee recorreu aos escritores Steve Englehart e Jim Starlin (criador de Thanos) para criar uma propriedade original nos quadrinhos, que tivesse o kung-fu como base. Assim nascia Shang-Chi.

No final dos anos 80, muito antes da Marvel dominar as bilheterias Stan Lee chegou a tentar desenvolver um filme de Shang-Chi, estrelado por Brandon Lee, filho de Bruce, que acabou morrendo em um acidente no set de O Corvo em 1993.

Começou como um teste, assim como o Homem-Aranha

Stan Lee sabia que tinha algo especial em suas mãos, mas nem todos estavam convencidos. Em uma série de eventos que devem ter causado um grave caso de déjà vu no cérebro coletivo da Marvel, foi tomada a decisão de introduzir o personagem em um gibi quase sem público, com o título de Special Marvel Edition, que até então havia publicado 14 edições compostas por reimpressões de histórias mais antigas da Marvel.

Muito parecido com o personagem mais icônico de Lee, o Homem-Aranha (que fez sua aparição inicial em Amazing Fantasy #15, edição final desse gibi), Shang-Chi estreou nas páginas da Special Marvel Edition (também, por coincidência, na edição 15), publicado em dezembro de 1973. O público respondeu rapidamente.

Tão rapidamente, que foram necessários apenas dois números para que o personagem ganhasse seu próprio título, Hands of Shang-Chi: Master of Kung Fu, que durou até 1983. Shang-Chi desfrutou de um nível respeitável de popularidade ao longo dos anos 70, também fazendo aparições em vários dos principais gibis da Marvel e interagindo com alguns de seus personagens mais conhecidos. Apesar desse sucesso, foi, como se costuma dizer, um tempo diferente, e alguns elementos da história de fundo do personagem eram mais do que um pouco questionáveis.

Polêmica com Fu Manchu

O principal dos problemas trazidos em sua origem foi a linhagem de Shang-Chi. Em sua primeira aparição, ele foi apresentado como filho do maligno Fu Manchu, um supervilão que havia aparecido em romances e filmes ao longo do século XX – e que representava um arquétipo abertamente racista da China. O personagem estava entre os mais populares do subgênero “Perigo Amarelo”, que gerou uma série de vilões asiáticos, como Ming, O Impiedoso (inimigo de Flash Gordon).

A Marvel obteve os direitos de Fu Manchu de seu criador, o romancista britânico Sax Rohmer – e, embora sua caracterização tenha tido um toque mais digno do que o apresentado em livros e filmes (nos quais ele sempre foi retratado por um ator branco), muitos leitores asiáticos, no entanto, acharam que o personagem representava uma demonização de sua cultura.

Em sua série em quadrinhos, Shang-Chi foi criado por seu pai para ser o assassino supremo, mas rapidamente rejeitou os maus caminhos de Fu Manchu. Ao longo dos anos, os dois se chocaram repetidamente; nos anos posteriores, a identidade do pai do herói seria reconfigurada como sendo o feiticeiro imortal Zheng Zhu, que por décadas simplesmente usava “Fu Manchu” como apelido. Isso se deveu, em grande parte, aos direitos que reverteram à propriedade de Rohmer, ao invés de um desejo de reabilitar o personagem.

Ele não tem super poderes…

Como muitos dos heróis da Marvel, Shang-Chi tecnicamente não possui superpoderes. Ele foi moldado por seu pai como a arma definitiva, um mestre em todas as formas de artes marciais chinesas. Não só isso significa que ele é um lutador absurdamente habilidoso, mas também significa que ele tem um nível de controle sobre seu corpo que poucos personagens do Universo Marvel podem igualar. Ele é capaz de regular uma série de funções corporais supostamente involuntárias; por exemplo, ele pode reduzir a função de suas terminações nervosas na medida em que é praticamente impermeável à dor e pode até diminuir a velocidade com que sangra quando cortado.

Ele também tem um conhecimento mestre em pontos de pressão, permitindo-lhe derrotar os oponentes com um único ataque, e (como sua inspiração Bruce Lee, sobre quem sua aparência foi modelada) é conhecido por desencadear um chute voador com uma potência inigualável. No entanto, ele possui uma habilidade específica apenas para os artistas marciais mais hábeis, uma que eleva suas habilidades a um nível um pouco além do de outros heróis não-poderosos.

…mas consegue controlar o seu “chi”

Shang-Chi, como alguns mestres de kung fu do mundo real (incluindo o próprio Bruce Lee), é capaz de concentrar seu chi, a energia espiritual ou “força vital” inerente a todos os seres vivos. Na realidade, essa prática é usada principalmente na meditação e como forma de controlar o medo e a raiva. No Universo Marvel, a habilidade pode ser aprimorada em uma arma, e Shang-Chi a usa para aumentar suas habilidades para um efeito devastador. Ele pode aumentar temporariamente sua força e resistência além dos níveis humanos máximos, desviar de balas (ou até defleti-las, com as braçadeiras que ele usa nos pulsos) e controlar a reação de seu corpo a substâncias estranhas, como veneno ou drogas.

Por causa dessas habilidades e seu domínio absoluto de uma variedade de estilos de luta mortais, Shang-Chi é frequentemente considerado o maior combatente desarmado de todo o Universo Marvel; ele foi considerado pelo próprio T’Challa, o Pantera Negra, um lutador ainda mais formidável do que o lendário (e superpoderoso) Punho de Ferro. Seu domínio sobre o chi até recebeu um impulso tecnológico. Às vezes, ele utiliza um par especial de nunchaku projetados por Tony Stark, que podem acumular e dispersar a energia espiritual de Shang-Chi, desencadeando explosões mortais de concussão.

Ele já treinou o Homem-Aranha

Assim como o Capitão América, Shang-Chi foi ocasionalmente chamado para treinar outros heróis em combate corpo a corpo, incluindo um certo escalador de paredes “Amigão da Vizinhança”. Durante o arco de histórias “Revenge of the Spider-Slayer“, o Homem-Aranha percebeu que o vilão Alistair Smythe havia encontrado uma maneira de imbuir seus robôs Esmaga-Aranha com uma versão do seu sentido de aranha precognitivo. Ele criou um dispositivo para interromper a capacidade, mas foi forçado a ativá-lo manualmente – desativando seu próprio sentido aranha no processo. Isso se mostrou extremamente problemático durante o evento subsequente “Ilha das Aranhas“, durante o qual milhares de heróis, vilões e cidadãos comuns desenvolveram poderes de aranha. Por recomendação da Madame Teia, o Aranha foi atrás de Shang-Chi para ter um treinamento destinado a compensar a perda de seu sentido aranha, e o Mestre de Kung Fu aceitou.

Ele criou um estilo de artes marciais completamente novo, destinado a complementar os poderes do Homem-Aranha, que ele chamou de “O Caminho da Aranha” (e que o cabeça-de-teia, é claro, apelidou de “Aranha Fu“). Combinado com o treinamento anterior dado pelo Capitão América, o Homem-Aranha assimilou as lições de Shang-Chi para se tornar um lutador ainda mais perigoso do que era anteriormente – e, após o retorno de seu sentido de aranha meses depois, ele se tornou ainda mais mortal. Desde então, o Homem-Aranha usou suas novas habilidades em artes marciais para derrotar oponentes tão poderosos e habilidosos quanto a Mulher-Aranha e até o próprio Shang-Chi.

O que são os “Dez Anéis” no título do filme?

O título do filme de Shang-Chi rapidamente chamou a atenção dos fãs da Marvel, aludindo a uma misteriosa organização terrorista que espreita nas sombras do MCU desde o seu início. Os Dez Anéis são o grupo responsável pelo sequestro de Tony Stark no primeiro filme do Homem de Ferro, além de serem mencionados em Homem-Formiga, sendo liderados por ninguém menos que o Mandarim – o Mandarim real, não o falso Trevor Slattery (Ben Kingsley) ou Aldrich Killian (Guy Pearce), que em Homem de Ferro 3 reivindicaram falsamente o nome.

Em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, este grupo finalmente sairá das sombras e fará sentir sua presença de verdade – afinal, o nome deles está aí no título. Embora os detalhes do enredo tenham sido mantidos em sigilo, sabemos que os Dez Anéis são dedicados a nada menos que a desestabilização de todo o planeta, semeando o tipo de caos que levará ao colapso dos governos mundiais e criará um vácuo de poder que eles podem preencher.

Ah, e o verdadeiro Mandarim está confirmado no filme.

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis chega aos cinemas em 12 de fevereiro de 2021 e será dirigido por Destin Daniel Cretton. O elenco conta com Simu Liu como Shang-Chi, Tony Leung como Mandarim, e Awkwafina em um papel ainda não divulgado.



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