Recentemente eu falei aqui sobre Homem-Aranha: Ação Sem Limites, que eu considero a animação mais obscura e esquecida do cabeça-de-teia. Mas existe uma outra, igualmente estranha, e que só não caiu em esquecimento e sensação de delírio coletivo justamente pelo conceito estranho. É impossível esquecer Homem-Aranha: A Nova Série Animada, de 2003.
Exibida na MTV e contando com uma animação em 3D, mas renderizada em 2D, que envelheceu extremamente mal, essa série meio que servia como uma sequência para o filme do Homem-Aranha de Sam Raimi, embora simplesmente não se encaixasse e parecesse muito mais se inspirar nos quadrinhos da linha Ultimate da Marvel. E hoje você vai entender porque isso acontecia, nesse vídeo de 10 fatos sobre Homem-Aranha: A Nova Série Animada.
10 – Criação

Quando a Sony estava trabalhando no filme do Homem-Aranha (2002) de Sam Raimi, a Adelaide Productions fechou contrato com o estúdio para desenvolver também uma nova série animada para a TV. O diretor da série e co-produtor executivo Audu Paden, começou a trabalhar com um dos executivos criativos da Sony.
Nesse ponto, eles trouxeram Brian Michael Bendis, que fez um roteiro piloto para a série que foi considerado ousado, diferente e baseado na HQ que ele escrevia naquele momento na Marvel, “Ultimate Spider-Man“. Com o roteiro de Bendis e algumas artes conceituais já prontas, a série foi comprada por um canal. A MTV achou tudo ótimo e fechou um acordo para levar o programa para sua emissora.
Como a série foi desenvolvida para a MTV, as histórias finalmente estavam livres de censura. Pela primeira vez em uma série do Homem-Aranha foi permitido que personagens morressem ma tela e deixaram passar até alguns (moderados) palavrões.
9 – O estilo de animação

Depois que a Adelaide Productions decidiu fazer essa série animada em computação gráfica, eles precisavam descobrir qual estúdio poderia trabalhar com eles. Como o Homem-Aranha é um personagem popular, vários estúdios se interessaram em trabalhar no projeto e foram realizadas audições abertas. Eles queriam saber se o estúdio tinha as habilidades estéticas e técnicas para conseguir o que eles queriam em sua direção de arte.
A animação acabou sendo gerenciada pela Mainframe Entertainment e é feita usando tecnologia e técnicas de animação 3D por computador, mas renderizada para parecer semelhante à animação tradicional. De acordo com um documentário de bastidores no lançamento do DVD, o plano era originalmente animar os personagens em CG tradicional, mas foi decidido que os personagens pareceriam mais interessantes se renderizados em 2D, no estilo tradicional de animação.
8 – Universo cinematográfico?

A série foi originalmente concebida como uma adaptação da revista em quadrinhos Ultimate Spider-Man, que tinha sido lançado por Brian Michael Bendis e Mark Bagley há pouco tempo e vinha fazendo sucesso com uma modernização da oriegem do Homem-Aranha.
No entanto, os planos para a série mudaram quando o filme Homem-Aranha (2002) de Sam Raimi provou ser um sucesso de bilheteria e a Marvel decidiu então ambientar a série durante os anos de faculdade de Peter Parker, para preparar os fãs para Homem-Aranha 2. Isso gerou algumas situações bizarras, porque embora os personagens façam alusão a diversos eventos do primeiro filme, eles claramente não são os mesmos personagens. Não apenas os seus visuais são completamente diferentes, como as relações dos personagens diferem muito das do cinema.
7 – Rei do Crime

Devido a essa diferenças, a teoria mais aceita é que a animação se passa em um universo completamente novo, mas onde os eventos anteriores aconteceram exatamente como no primeiro filme de Sam Raimi. Porém, existem alguns fãs que vão ainda mais longe nas teorias.
Um exemplo: O Rei do Crime aparece nessa série, e ele é negro e dublado por Michael Clarke Duncan, o mesmo ator que havia interpretado o personagem no filme do Demolidor naquele mesmo ano. Provavelmente a Marvel apenas achou interessante a interpretação do ator e achou legal reprisá-la na série, mas isso foi o suficiente para que alguns fãs (até hoje) acreditem que essa série na verdade se passa no mesmo universo do filme do Demolidor de Ben Affleck.
6 – Os olhos do Aranha

O desenho do traje do Homem-Aranha é baseado na versão cinematográfica de Tobey Maguire, com alguma inspiração adicional de alguns quadrinhos, especialmente do Homem-Aranha Ultimate desenhado por Mark Bagley. Mas o aspecto mais marcante dessa animação, são os olhos.
Alguns desenhistas esquecem, outros acabam exagerando demais, mas o fato é que os olhos da máscara do Homem-Aranha servem para mostrar os seus sentimentos, já que ele está o tempo todo com o rosto escondido – e não se engane, esse é um conceito idealizado desde a criação do visual do personagem, pelo artista Steve Ditko.
Essa série animada foi a primeira que levou esse elemento do personagem para as telas, e por mais que muita gente na época tenha estranhado o quanto os olhos do Aranha se moviam o tempo todo, esse foi um dos aspectos de maior fidelidade aos quadrinhos. Esse pioneirismo foi importante, pois hoje vemos que os olhos do Aranha são usados para passar seus sentimentos em todas as animações subsequentes, especialmente em Homem-Aranha no Aranhaverso. Não apenas isso, o traje do Homem-Aranha de Tom Holland, que é uma criação de Tony Stark, também possui uma tecnologia especial nas lentes, que possibilita ao espectador essa sensação de emoções sendo transmitidas pela máscara.
5 – Um novo interesse amoroso

Peter Parker pode ser só um nerd, mas ele arrasa corações nos quadrinhos. Mary Jane e Gwen são seus amores mais lembrados, mas ele também já se relacionou com várias outras mulheres ao longo de seu histórico nos quadrinhos, como Betty Brant, Felicia Hardy, Michelle Gonzalez, Cindy Moon e Carlie Cooper, dentre outras.
Nessa nova série animada, já que precisavam criar um contrate no interesse românci entre Peter Parker e Mary Janes, os produtores criaram uma nova personagem especificamente para o programa, Indira Daimonji, ou Indy: que na verdade era meio que uma amálgama de Gwen Stacy e Betty Brant. A personagem mostrava uma afeição intensa, extravagante e descarada por Peter Parker, perseguindo o rapaz publicamente, para desespero de Mary Jane.
4 – Nada de idosos aqui!

Embora a série estivesse livre das censuras bizarras que assolaram as séries anteriores do Homem-Aranha, isso não quer dizer que tenha se livrado de exigências malucas de executivos. E nesse caso, a MTV fez uma interferência executiva no mínimo… curiosa.
De acordo com os produtores, a emissora desaprovava completamente idosos, e não queria de jeito nenhum que a galera da terceira idade aparecesse na série. É por isso que mal vimos J. Jonah Jameson, que mesmo assim era bem mais jovem nessa versão, e não vimos em nenhum momento a Tia May (exceto por uma foto em um episódio). Outro personagem mais velho que ficou de fora foi Robbie Robertson. A explicação, de acordo com os executivos, é que os jovens não iriam querer assistir a série se vissem um monte de idosos. Então tá.
3 – Mortes

Essa série meio que trazia uma desconstrução dos desenhos animados de super-heróis. Enquanto a maioria das séries animada evitava termos como morte e sangue, e não deixava ninguém morrer, aqui é mostrado claramente que os vilões são assassinos que não tem qualquer pudor em tirar a vida de inocentes para conseguir o que querem.
Os vilões também têm razões para o que fazem, e a maioria são ladrões comuns que por acaso possuem equipamentos que os permitem fazer frente ao Homem-Aranha, ou são pessoas genuinamente instáveis mentalmente com superpoderes que causam muitos danos na busca por seus objetivos.
As piadas do Homem-Aranha são mais moderadas, seus métodos para impedir o crime muitas vezes levam a danos colaterais e ele está disposto a quebrar seu código de “não matar” se a situação exigir. E vários vilões acabam realmente morrendo, como Lagarto e Electro. Esse é um Homem-Aranha que não faz questão de ter uma galeria de vilões extensa.
2 – A saída de Bendis

De acordo com o roteirista Brian Michael Bendis, a rede também desaprovou algumas histórias que ele considerava muito interessantes. Por exemplo, Bendis escreveu uma história em que Peter Parker via o Rino atacando a cidade pela TV, mas simplesmente não conseguia chegar a tempo para enfrentar o vilão, pois sempre que estava tentando ir pra lá, algum problema pessoal o impedia.
A história servia para mostrar que nem sempre Parker consegue largar sua vida e compromissos para encarar o vilão do dia. A MTV no entanto detestou a ideia, pois diziam que o Homem-Aranha é um super-herói infalível e que precisa sempre vencer. Felizmente, Bendis disse mais ou menos ‘Dane-se, eu tenho outras coisas a fazer’ e a ideia se foi usada nos quadrinhos, em Ultimate Spider-Man #28.
1 – Um final melancólico

A série termina com a personagem Indy em coma, do qual ela pode nunca se recuperar, causado involuntariamente pelo Homem-Aranha, os relacionamentos de Peter com Mary Jane e Harry estão mais prejudicados do que nunca, o Homem-Aranha é visto como um criminoso por virtualmente toda a cidade de Nova York, que realmente exige que ele vá embora, e Peter deixa de ser o Homem-Aranha colocando sua fantasia em uma mala cheia de tijolos e jogando-a no rio.
Uma segunda temporada foi planejada, e obviamente iria resolver alguns desses eventos, mas como é comum acontecer nas séries do Homem-Aranha, o cancelamento foi inevitável e esses planos para uma segunda temporada nunca se concretizaram, com a A MTV decidindo que a audiência da série era insuficiente para justificar uma nova temporada. Mas acho que podemos chegar à conclusão que de todas as séries interrompidas do Aranha, essa com certeza é a que tem o final mais melancólico e desesperançoso.






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