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Em 2023, chegou aos cinemas Dungeons & Dragons: Honra entre Rebeldes, que contou com sequência de cenas com os personagens de Caverna do Dragão.
Você se lembra de Caverna do Dragão? A série animada baseada no universo do RPG Dungeons & Dragons foi lançada em 1983 e durou três temporadas, chegando ao Brasil em 1986. Ao longo de seus 27 episódios, acompanhamos a jornada de Hank, Eric, Diana, Sheila, Presto e Bobby tentando sair dos reinos esquecidos e retornar para casa. No vídeo de hoje, trazemos 10 curiosidades sobre esse desenho.
Criado graças a lendas dos quadrinhos

A série animada da Caverna do Dragão foi co-produzida pela TSR junto com a Marvel Productions – uma subsidiária da Marvel Comics. A Marvel Productions produziu vários shows ao longo da década de 1980, incluindo Muppet Babies de Jim Henson (1985), Defensores da Terra (1986) e Jem e as Hologramas (1986).
Caverna do Dragão foi criada e colocada na TV graças ao quadrinista Mark Evanier, que já havia tido sucesso nesse meio com Garfield e Seus Amigos. Mas não pense que a influência dos quadrinhos em Caverna do Dragão acaba por aí. Outros escritores incluíam Steve Gerber; co-criador de Howard o Pato, e Paul Dini, um dos principais idealizadores de Batman: A Série Animada.
Violento demais?
Os anos 80 viram um alvoroço na América com grupos de pais que achavam que a programação infantil estava ficando “muito violenta”. Caverna do Dragão era um alvo fácil, é claro, e o 20º episódio “O Cemitério dos Dragões” quase não foi ao ar.
Nesse episódio, os jovens, finalmente fartos dos planos do vilão Vingador de impedi-los de voltar para casa, resolvem se livrar dele com a ajuda do dragão de cinco cabeças Tiamat – astro de muitas grandes aventuras de D&D. O desejo das crianças de matar o Vingador acendeu um alerta em alguns pais, que levantaram suas tochas contra a animação. Por fim, o episódio acabou indo ao ar, afinal os protagonistas não seguiram com o plano.
Eric foi feito para ser desagradável
Qualquer um que assistiu Caverna do Dragão dirá que Eric, o Cavaleiro, não era o personagem favorito de ninguém. Ele era na maioria das vezes medroso, chorão, teimoso ou contente em dizer ao grupo que seus planos eram uma má ideia. No entanto, o que você pode não saber é que Eric foi feito dessa maneira por um motivo.
Os grupos de pais na época queriam que as crianças soubessem que ficar com o grupo e trabalhar juntos era sempre a coisa certa a fazer. Portanto, o plano das crianças que Eric muitas vezes repreendia sempre acabava funcionando e Eric sempre parecia o esquisito pessimista.
O pânico satanista
Os anos 80 viram também a ascensão do “Pânico Satanista” na América; um medo social de que os adoradores do ocultismo estivessem por trás de alguns dos maiores crimes do país. Isso viu a maior parte da culpa colocada nas representações da mídia de supostas músicas, séries e jogos, incluindo Dungeons & Dragons.
Nos anos 80, Dungeons & Dragons passou por um grande escrutínio de grupos religiosos que temiam seu poder sobre as mentes jovens, colocando no jogo a culpa do suicídio em 1979 de um garoto de 16 anos, conhecido por jogar com os amigos. A quarta temporada de Stranger Things inclusive tratou um pouco desse tema.
Por causa disso, durante a última temporada de Caverna do Dragão, em 1985, o desenho animado teve que publicar um aviso informando que Dungeons & Dragons havia sido associado a mortes violentas na vida real antes da exibição
de cada episódio.
Roubar não é legal, crianças
No original, durante cada episódio, o Mestre dos Magos se referia a cada um dos personagens por sua classe ao invés de seu nome humano, exceto Sheila. O fato de Sheila ser uma ladina foi apenas mais uma controvérsia na longa lista de reclamações dos grupos de pais, pois eles achavam que um personagem ser definido como um “ladrão” não deveria ser visto como “legal” ou algo a ser admirado. Por causa disso, ela só foi chamada de ladina nos créditos de abertura do programa. Lembrem-se, ser um ladrão não é legal, crianças.
O episódio que nunca foi ao ar
Quando Caverna do Dragão foi finalmente cancelado em 1985, muitos culparam os grupos de pais e o ‘Pânico Satânico’, embora na verdade fosse devido ao número cada vez menor de espectadores. Sem audiência, sem lucro. Por causa disso, a terceira temporada foi mais curta e não trouxe um encerramento.
E ficou assim até que a Marvel Productions contratou Michael Reaves para escrever o episódio final, intitulado: ‘Réquiem’. Apesar de nunca ter sido exibido, o roteiro de ‘Réquiem’acabou sendo gravado como uma peça de rádio para o lançamento do DVD do desenho animado. Em 2010, uma versão não oficial do roteiro adaptada para os quadrinhos foi feita pelo cartunista brasileiro Reinaldo Rocha. E em 2020, uma versão animada foi criada por fãs dos Estados Unidos e lançada no YouTube. No ano seguinte, devido ao sucesso do vídeo no Brasil, um desses fãs se juntou a fãs brasileiros e lançaram uma versão dublada em português, com textos traduzidos e músicas melhoradas.
A Verdadeira Identidade do Vingador
Com o lançamento do roteiro do episódio final “Réquiem” vieram as respostas para alguns dos mistérios predominantes do desenho animado, incluindo a verdadeira identidade do vilão Vingador. Vingador era o feiticeiro maligno de grande poder que procurou roubar as crianças de suas armas mágicas para seus próprios esquemas, para o aborrecimento contínuo do grupo. No entanto, em “Réquiem”, aprendemos que o Vingador estava sob a influência de uma força corruptora conhecida como “O Inominável” e que ele era na verdade filho humano do Mestre dos Magos o tempo todo.
Forgotten Realms: The Grand Tour
The Grand Tour foi uma revista em quadrinhos de edição limitada lançada em 1996, apresentando vários conceitos-chave da história do jogo de Dungeons & Dragons, juntamente com algumas histórias em andamento dos romances. Em The Grand Tour, vimos versões adultas das crianças da série animada enquanto tentavam fazer com que o lendário mago Elminster assumisse Presto como seu aprendiz. Isso mostrou que as crianças nunca conseguiram voltar para casa, ou que todos escolheram permanecer lá até a idade adulta. Afinal, essa é a escolha que o Mestre dos Magos oferece a eles no final do roteiro de Réquiem.
Eles morreram?
Os jogos da série Baldur’s Gate, lançados pela primeira vez em 1998, são ambientados nos reinos esquecidos de Dungeons & Dragons. E portanto, trazem várias referências ao universo, incluindo o desenho animado. No Copper Coronet – uma grande taverna e pousada em Baldur’s Gate II – há um easter-egg de duas pinturas na parede que mostram Bobby e Hank, o Ranger, com a mesma aparência do desenho animado. Quando clicadas, ambas as pinturas nos dizem que Bobby e Hank acabaram sendo mortos pelo dragão Tiamat que aparecia regularmente na série. Talvez mostrando que sua decisão de permanecer dentro dos reinos esquecidos não tenha sido uma boa ideia, afinal.
É hora de um retorno?
Apesar de Dungeons & Dragons ter sido cancelado em 1985 por falta de espectadores, a popularidade da série e de seus personagens continuou crescendo ao longo dos anos, como mostrado em seu recente relançamento em várias mídias de Dungeons & Dragons. Em 2019, a Iron Studios lançou uma série de edição limitada de 7 figuras pintadas à mão do desenho animado, 34 anos depois dele ter saído do do ar. A Renault lançou um comercial longo com os personagens em live-action.
Rick e Morty teve um crossopver com Dungeon’s & Dragons, cuja terceira edição apresentava o enigmático Mestre dos Magos na capa. O filme Dungeons & Dragons – Honra Entre Rebeldes traz uma cena com os personagens da série animada. Ou seja, esses personagens estão mais vivos do que nunca no imaginário popular; será que não seria hora deles retornarem para uma nova animação?