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Cowboy Bebop é um dos animes mais relevantes e influentes de todos os tempos, considerado por muitos, eu incluso, uma verdadeira obra prima das animações japonesas. Não a toa, a obra de Shinichiro Watanabe está ganhando uma adaptação live-action norte-americana, que estreia na Netflix em novembro.

Mas antes disso, até mesmo para preparar terreno, a Netflix disponibilizou em seu catálogo os 26 episódios do anime original de Cowboy Bebop. Pensando nisso, trazemos hoje um vídeo de 10 curiosidades a respeito do anime, naquele estilo que vocês já estão acostumados aqui no canal.

10 – Começou como um projeto da Bandai

Sempre tem a ver com brinquedos…

Cowboy Bebop foi originalmente patrocinado pela divisão de brinquedos da Bandai. Apesar do desejo de vender mercadorias relacionadas à série, eles deram ao diretor Shinichiro Watanabe poucas informações sobre o que esperavam.

De acordo com Watanabe, a Bandai disse apenas, “enquanto houver naves espaciais no anime, você pode fazer o que quiser”. Essa liberdade criativa levou a grande parte do brilhantismo de Cowboy Bebop, mas o produto final não se prestou exatamente ao merchandising de brinquedos.

Ao ver um corte bruto da série, a Bandai simplesmente desistiu do negócio, pois diziam que “isso NUNCA vai vender naves espaciais.” No entanto, o anime logo foi passado para outro departamento, a Bandai Visual, que deu a Watanabe total controle criativo.

9 – Trilha Sonora

Yoko Kanno, a compositora da trilha sonora do anime

Com um nome como Cowboy Bebop, é óbvio que o anime é recheado de influências musicais. Os episódios são chamados de “sessões” (uma referência de jazz) e cada uma dessas sessões tem um título com tema musical.

Para criar a trilha sonora característica do anime, a compositora Yoko Kanno se valeu de tudo que aprendeu sobre jazz e funk durante uma viagem aos Estados Unidos. Ela montou uma banda de jazz chamada The Seatbelts especificamente para o anime, e eles criaram uma trilha sonora que deu o tom da série.

Toda a parte musical do anime foi finalizada muito antes de o design de personagens ou sequer da história estarem completos, então acabou sendo um fator crucial que influenciou o estilo visual da série.

8 – Pequenos filmes

O diretor Shinichiro Watanabe inicialmente chegou a pensar em Cowboy Bebop como um longa-metragem, mas optou pela linha episódica. Ainda assim, ele tratou cada episódio do anime como um curta-metragem individual. Cada episódio de Cowboy Bebop tem uma narrativa particular e até músicas diferentes para se adequar a esse episódio em questão.

Portanto, existem duas maneiras de curtir a série. Você pode simplesmente maratonar Cowboy Bebop inteiro ou apenas assistir aos episódios que mais gosta. Por causa da narrativa de curta-metragem, cada episódio é autônomo. Claro, existem ainda alguns episódios-chave que desenvolvem a trama dos personagens, mas de uma forma geral tudo é bem descompromissado.

7 – Chegou a ser cancelado

Durante sua exibição original na TV japonesa, Cowboy Bebop chegou a ser cancelado no meio da série. O anime não foge da violência e da sexualidade, e os censores o consideraram muito pesado para o público em geral.

A transmissão inicial incluiu apenas 13 dos 26 episódios de Cowboy Bebop. Para encerrar a série, os criadores adicionaram um episódio extra intitulado “Mish-Mash Blues”, que nunca foi lançado oficialmente fora do Japão.

Este episódio é composto por cenas desconexas da segunda metade não exibida da série, organizadas em torno das ponderações filosóficas de vários personagens.

O episodio termina com a mensagem de esperança: “Este não é o fim. Você verá o verdadeiro Cowboy Bebop algum dia.” Felizmente, os criadores nem precisaram esperar muito para cumprir essa promessa; embora a série não voltado a transmitir TV, uma rede chamada WOWOW comprou a série para exibi-la na TV fechada.

6 – As inspirações de Spike

O ator Yusaku Matsuda, uma das inspirações de Spike, no filme Tantei Monogatari

Um dos pontos fortes de Cowboy Bebop é seu memorável design de personagens. A inspiração por trás do visual do protagonista da série, Spike Spiegel é particularmente notável. O diretor de Cowboy Bebop, Shinichiro Watanabe, baseou Spike no astro de filmes de ação Yusaku Matsuda, especialmente em seu papel no filme Tantei Monogatari, um drama policial japonês que foi ao ar pela primeira vez em 1979.

Matsuda é conhecido por interpretar heróis de ação bem humorados e carismáticos, então a atitude descolada de Spike faz com que ele pareça um primo perdido do astro do cinema japonês. No campo dos animes, o diretor também cita o clássico Lupin III como a principal influência na personalidade e no visual de Spike.

5 – Armas reais

A arma de Spike é uma Jericho 941 R

É comum que animes apresentes designs genéricos ou fictícios para seu armamento – especialmente animes que ocorre em um cenário futurista. No entanto, os criadores de Cowboy Bebop decidiram usar armas reais como modelos para as armas que os personagens estão usando.

As armas de fogo são tão detalhadas que os fãs com experiência em armamento foram capazes de determinar exatamente quais modelos foram usados. A pistola de assinatura do Jet Black é uma Walther P99, enquanto Spike Spiegel usa uma IWI Jericho 941 R personalizada com câmara de 9x19mm, e Faye Valentine usa uma .45 ACP Glock 30.

4 – A metalinguagem da abertura

Não importa quantas vezes você tenha assistido a abertura de Cowboy Bebop, há uma boa chance de não ter lido todo o texto que rola no fundo. Esses fragmentos de frases são dignos de nota, pois fornecem um vislumbre da visão do estúdio para a série antes de seu lançamento oficial.

Embora essa declaração também sirva como uma definição para o bebop jazz, um gênero musical fictício, ela também é uma explicação precisa (e até um pouco arrogante, alguns diriam) do que Watanabe queria fazer com a série. A frase diz:

“Eles vão criar novos sonhos e filmes destruindo os estilos tradicionais. Eles estão fartos do jazz convencional… esse trabalho, que vai se tornar um novo gênero, vai se chamar COWBOY BEBOP, e não vai ter medo de arriscar.”

3 – Referências a Star Trek e Flash Gordon

Cowboy Bebop contém várias referências a outra famosa obra espacial: Star Trek. Uma referência envolve a câmara criogênica na qual Faye acorda. Ela tem o número de série NCC-1701-B, que é o mesmo serial usado para a USS Enterprise na série de TV original de Star Trek.

Cowboy Bebop também presta uma homenagem à space-opera Flash Gordon, de 1989. Este filme de ficção científica pode não ter sido um grande sucesso, mas se tornou um enorme clássico cult. Portanto, Cowboy Bebop, em seu episódio 22 intitulado “Cowboy Funk”, apresentou uma arte durante o intervalo comercial, onde seu logo foi redesenhado de forma semelhante ao do filme de Flash Gordon.

2 – Ed é um personagem não-binário

A hacker favorita de todos, Edward Wong Hau Pepelu Tivrusky IV, ou Ed para facilitar, nem sempre foi uma menina. Inicialmente, Ed foi concebido como um menino. Toshihiro Kawamoto, o designer de personagens do anime, já havia começado a projetar o personagem como um garoto antes da decisão de fazer de Ed uma garota.

Em uma entrevista ao IGN, no entanto, o diretor Shinichiro Watanabe afirmou claramente que discutir o gênero de Ed era essencialmente sem sentido e que portanto Ed é não-binário. De acordo com o diretor, sua ideia era criar um personagem que ultrapassasse até mesmo a ideia de humanidade. Embora em alguns momentos Ed se identifique como menina, para ela isso pouco importa.

Curiosamente, o design do personagem original de Ed faz uma breve aparição na Sessão 5, quando Annie o pega roubando de sua loja em Marte.

1 – Antonio Carlos Jobim

Com Cowboy Bebop tendo muitas influências musicas, especialmente do jazz, é claro que a bossa nova brasileira não ficaria de fora. Durante vários episódios do anime e até mesmo no filme, nós encontramos o trio Antonio, Carlos e Jobim, três idosos aposentados que passam a vida discutindo o passado e jogando cartas. Já pegou a referência, né?

Antonio Carlos Jobim, que você provavelmente conhece como “Tom Jobim” foi um compositor e cantor considerado como uma das figuras mais importantes da música brasileira. E mesmo que você nunca tenha ouvido falar dele, provavelmente já ouviu a música “Garota de Ipanema”, que ele compôs com o poeta Vinicius de Moraes. Uma das músicas brasileiras mais populares da história, ela já foi cantada até mesmo por Frank Sinatra.