Embora seja uma das obras de ficção científica mais relevantes e influentes de todos os tempos, não dá para dizer que Duna alcançou o mainstream. O desastroso filme de 1984 na prejudicou mais do que ajudou, e na verdade obras que usaram Duna como inspiração acabaram se tornando mais famosas do que a própria Duna.
No entanto, o cineasta Dennis Villeneuve quer virar esse jogo, com sua nova adaptação cinematográfica que está nos cinemas, e que na verdade é apenas a primeira parte da história, que o diretor decidiu dividir em duas. Mas você já conhecia Duna? Sabe por que esse obra é tão importante e relevante? Se não sabia, não tem problema, porque estamos aqui hoje justamente para isso: trazer 10 curiosidades a respeito de Duna.
10 – No início, ninguém queria publicar o livro

Duna hoje é um sucesso, e uma das mais relevantes obras de ficção científica de todos os tempos. No entanto, no começo, 23 editoras diferentes rejeitaram o projeto de Frank Herbert.
A maioria das editoras nem mesmo queria tocar na obra. Então, a Chilton, uma pequena empresa com sede na Filadélfia conhecida na verdade por publicar manuais de automóveis, acabou aceitando publicá-lo. Mas mesmo assim expressaram suas dúvidas e sentiram que o livro seria um fracasso.
Apesar desse início desacreditado, Duna acabou vendendo mais de 20 milhões de cópias – e foi traduzido para 12 idiomas diferentes. Então, parece que Frank Herbert definitivamente riu por último.
9 – Inspiração em acontecimentos políticos no Iraque
Em Duna, o planeta Arrakis é o único lugar onde pode ser encontrada a especiaria conhecida como Melange – uma substância que além de servir como alucinógeno, é também o que permite que as viagens interestelares ocorrem. Quem controla a especiaria controla o universo. Os Fremen, habitantes locais, estavam sendo desalojados e constantemente atacados pelos que extraem a especiaria.
Pois bem, substitua “Arrakis” por “Iraque”, e “especiaria” por “petróleo” e “universo” por “economia”. Agora, parece muito com o que estava acontecendo no Oriente Médio durante a crise do petróleo, né?
Não é por acaso que os personagens em Duna tinham trajes ou nomes muito típicos do Oriente Médio; é uma referência sutil para os eventos da vida real que geraram o livro.
8 – Outras inspirações
Na segunda metade dos anos 60, época do lançamento de Duna, o mundo via o surgimento de uma forte contracultura, o movimento hippie – o movimento popularizou o LSD, droga que proporcionava “viagens” psicodélicas. Em uma entrevista, Frank Herbert admitiu abertamente que “cogumelos alucinógenos” o ajudaram a criar o conceito da especiaria de Arrakis – mas considerando o contexto histórico, sabemos bem o que ele quis dizer.
Além dessa referência, outros fatos sobre Duna envolvem a influência que Herbert obteve tanto do Zen Budismo quanto da Bíblia Cristã. Mas sua mais importante inspiração, que inclusive deu nome ao livro, veio das dunas de areia de Oregon.
Quando Herbert ficou sabendo que essas dunas estavam matando a vida selvagem, ele começou a ficar intrigado. As dunas eram lindas, mas ainda assim, mortais para a vida que crescia ali. Isso o ajudou a tornar o mundo de Arrakis mais implacável.
7 – O primeiro rascunho
Existia uma Duna antes de Duna, e poucas pessoas conseguiram ver essa história completa. Antes de escrever Duna, Herbert brincou com um mundo semelhante em uma história chamado Spice Planet, “Planeta das Especiarias”. Este conto trazia um menino de 8 anos e seu pai vivendo em um mundo muito parecido com Arrakis.
O enredo geral trazia uma especiaria viciante, foco na aristocracia e outros aspectos semelhantes a Duna. No entanto, Herbert desistiu dessa ideia e Duna acabou surgindo em seu lugar.
Curiosamente, anos mais tarde, o filho do autor, Brian Herbert, lançou junto com o escritor Kevin J. Anderson uma novela chamada Spice Planet. Essa história é baseada no esboço de seu pai e se mostra efetivamente como uma versão alternativa de Duna, com personagens e nomes de lugares familiares, mas pouca relação com o Duna original.
6 – O mesmo livro foi duas vezes best-seller
O terceiro livro de Duna, que fecha a trilogia de Paul Atreides, intitulado “Filhos de Duna” teve a honra de invadir um novo território em 1976. Ele foi o primeiro livro de ficção científica a se tornar um best-seller do New York Times duas vezes. Como isso aconteceu? Bem, é simples. Ele foi recorde de vendas em capa mole e em capa dura.
Filhos de Duna na verdade foi um sucesso estrondoso e ajudou Frank Herbert a ganhar o Prêmio Nebula em 1966.
5 – Duna de Alejandro Jodorowsky
Em 1975, Duna chegou muito perto de ser adaptada para as telonas pelo diretor Alejandro Jodorowsky, no que hoje é conhecido como uma história lendária.
O roteiro de Jodorowsky era radicalmente diferente do original, mas ele conseguiu reunir nomes de peso para o projeto. O primeiro de seus colaboradores foi o quadrinista francês Jean Giraud, mais conhecido como Moebius. Moebius fez um storyboard de três mil páginas para o filme, além de desenhar outras imagens conceituais que ajudaram a estabelecer como seria o conceito visual de Duna.
Jodorowsky conseguiu até alguns nomes impressionantes para o elenco, como David Carradine, Gloria Swanson, Udo Kier, Mick Jagger e até mesmo Orson Welles, diretor e intérprete de Cidadão Kane. Isso sem contar que o artista espanhol Salvador Dalí interpretaria o Imperador Padishah no filme, embora ele tivesse algumas exigências bizarras, como não ler o roteiro e gravar uma cena explícita defecando em uma privada feita de dois golfinhos.
Por fim, o projeto acabou não acontecendo, muito devido ao fato do diretor se recusar a fazer qualquer concessão criativa aos estúdios. Um ponto crucial, por exemplo, é que os estúdios pediam (de forma razoável na verdade) que o filme tivesse no máximo duas horas, mas o diretor insistia que seu Duna teria pelo menos doze horas de duração.
Mas pelo menos essa história toda gerou algo muito positivo. Jodorowsky e Moebius continuaram trabalhando juntos, e várias das ideias que tinham para o filme foram aplicadas na clássica série em quadrinhos Incal.
4 – Duna de David Lynch
Em 1984, Duna finalmente chegou aos cinemas, com direção de David Lynch. Porém, o filme teve diversos problemas, como corte de orçamento e imposições executivas, o que o tornou um fracasso de bilheteria e, segundo o diretor, a pior falha de sua carreira.
A produção na Cidade do México levou 3 anos e meio e ultrapassou o orçamento, o que não é nada bom para um filme que contém exige muitos efeitos especiais. Lynch preferia um filme de três horas, mas o estúdio exigia duas, então um monte de cenas expositivas importantes foram cortadas e trocadas por narrações longas e tediosas.
“Foi um pesadelo,” Lynch disse anos depois em uma entrevista. Ele odiou tanto que, quando o estúdio lançou uma edição estendida que foi ao ar na TV, o diretor exigiu que seu nome fosse removido e alterado para “Alan Smithee”. Recentemente, ele disse que inclusive que tem orgulho de tudo que fez em sua vida – exceto Duna.
3 – Paul não seria o protagonista
Como a ideia de um planeta deserto formou a espinha dorsal do romance, originalmente Frank Herbert idealizou o ecologista Liet Kynes como protagonista. Mas conforme a história foi ganhando camadas de significado e complexidade, o papel de Kynes acabou cada vez mais ficando em segundo plano, e o foco foi todo para a épica ascensão e queda de Paul Atreides.
Os ideais de Liet, no entanto, viveram como parte dos objetivos de Paul a longo prazo, e sua linhagem continuou a fazer parte da história por meio de sua filha Chani, a mãe dos filhos de Paul. Aliás, no livro, Liet Kynes é um homem, e foi interpretado no filme de 1984 por Max von Sydow, mas na nova versão de Villeneuve, Kynes é uma mulher, vivida por Sharon Duncan-Brewster.
2 – Séries de TV
Poucas pessoas lembram ou sabem, mas Duna também já ganhou série de TV. O Sci-Fi Channel (que hoje é conhecido apenas como Syfy) fez duas adaptações para televisão da saga: Duna, em 2000 e Filhos de Duna em 2003. Este segunda série adaptava os livros “Messias de Dauna” e “Filhos de Duna”, as sequência do romance original. As duas séries estrelaram o ator escocês Alec Newman como Paul Atreides, com o segundo também incluindo Susan Sarandon como Princesa Wensicia e James McAvoy como Leto II Atreides. Sim, James McAVoy. Aliás, vale dizer que o ator é um grande fã de Duna.
Embora consideradas adaptações com muitas falhas em relação ao material original – ambas as séries foram mais bem recebidas pela crítica do que o filme de David Lynch de 1984. “Duna”, a primeira série, até mesmo ganhou dois Emmy Awards, incluindo o de efeitos visuais. Já “Filhos de Duna” ganhou um, na mesma categoria.
1 – Star Wars
Duna influenciou muitas obras que vieram depois, mas a mais importante delas e a que “pegou emprestado” mais elementos, sem dúvida foi Star Wars, a ópera espacial de George Lucas.
As inspirações realmente são muitas: o planeta desértico, o protagonista destinado a algo grandioso, o Império, e principalmente as similaridades entre os Jedi e as Bene-Gesserit, que na obra de Herbert possuem uma habilidade chamada “A Voz”, podendo controlar a mente das pessoas por meio de comandos simples. Lembrou algo? Daria para fazer um vídeo inteiro só com as ideias que Lucas pegou de Duna, e falo isso como um grande fã de Star Wars.
E caso você esteja se perguntando… sim, quando Star Wars chegou aos cinemas em 1977, Frank Herbert não ficou quieto. O autor não teve papas na língua, e em várias entrevistas acusou Lucas de ter roubado diversos elementos de sua obra, ameaçando inclusive processá-lo por plágio. No entanto, ele nunca levou a questão para a justiça. De forma bem-humorada, ele disse que se juntaria a outros escritores roubados por Lucas para fundar um clube chamado “Somos Grandes Demais para Processar George Lucas”.