Essa semana estreia na Netflix, Mestres do Universo: Salvando Eternia, a nova série animada de He-Man, que dá sequência aos eventos da série clássica dos anos 80. É um retorno interessante, afinal é inegável como He-Man não é apenas um ícone oitentista, mas também um ícone da cultura pop em geral. E sua história de criação é na verdade bem interessante.
Em 1982, as lojas de brinquedos começaram a receber estoque de uma linha peculiar de action figures. Atarracado e com uma estrutura hiper-muscular, He-Man era algo radical em comparação com os heróis longos e magros de G.I. Joe, que estavam na moda na época.
He-Man ganhou respeitáveis US$ 38 milhões para a Mattel em seu primeiro ano. Em 1984, havia ganhado mais de um bilhão. Embora a He-Mania não tenha sido projetada para durar, continua sendo uma das maiores histórias de sucesso de brinquedos de todos os tempos.
He-Man foi resultado da Mattel ter esnobado Star Wars

Quando a space-opera de George Lucas, Star Wars, foi à procura de parceiros de licenciamento, a Mattel foi uma das várias empresas que simplesmente recusou os direitos de fazer bonecos da franquia. A indústria então assistiu a Kenner transformar Star Wars em um sucesso meteórico nos brinquedos, deixando a Mattel chorando o leite derramado e desesperada para desenvolver seu próprio sucesso.
A Mattel teve que escolher entre três He-Men muito diferentes
O designer principal da Mattel, Roger Sweet, e o ilustrador Mark Taylor, tinham ideias sobre um guerreiro saradão que empunhava espadas nos moldes das artes de Frank Frazetta para o Conan. Enquanto os esboços de Taylor (alguns dos quais datados de sua infância) eram baseados em algo mais fantástico, Sweet imaginou um personagem que poderia ser colocado em qualquer série de época. Para uma apresentação aos executivos da Mattel, Sweet aplicou músculos de argila a uma linha já existente de action-figues. Cada um representava o personagem, que ele chamou de He-Man, em cenários militares, de fantasia e espaciais. Apesar das possibilidades da história de um herói que viaja no tempo, a pesquisa de marketing da Mattel apontou para o cara com o pião na cabeça. Com os esboços e ideias de Taylor para personagens secundários, um bárbaro nasceu.
Ele era originalmente um viking carrancudo
Baseado em esboços de Mark Taylor, o escultor Tony Guerrero inicialmente moldou He-Man como um indivíduo de aparência severa. Mas sua expressão carrancuda e capacete com chifres foram considerados muito ameaçadores: ele parecia muito zangado para uma criança brincar. Antes de ser suavizado com um corte de cabelo loiro, o protótipo foi usado em testes de pesquisa de mercado, e um garoto ficou tão apaixonado pelo brutamontes que tentou enfiá-lo em seu casaco. O pretenso ladrão foi pego, mas não antes que a Mattel percebesse que eles estavam no caminho certo.
Os Quadrinhos e o surgimento da série animada
Confiante em sua linha de He-Man, o diretor de marketing da Mattel, Mark Ellis, mostrou seu conceito aos compradores da Toys ‘R’ Us. Para ajudar a desenvolver a história de fundo e esclarecer quem era bom e quem era mau, a Mattel encomendou uma série em quadrinhos para inserir na embalagem do produto. Mas os executivos da Toys não gostaram da ideia, argumentando que as crianças pequenas poderiam não saber ler. Improvisando, Ellis disse que eles tinham um desenho animado em desenvolvimento. Afinal, quão difícil poderia ser fazer um?
Depois da Hanna-Barbera rejeitar o desenho, a Mattel procurou uma empresa que havia produzido um comercial de animação para eles: a Filmation. O presidente da Filmation, Lou Scheimer, sugeriu que produzissem uma primeira temporada de 65 episódios que poderiam exibir durante cinco dias da semana. O modelo fez tanto sucesso que, no auge de sua popularidade em 1984, He-Man e os Mestres do Universo foi visto por mais de nove milhões de telespectadores todas as tardes.
O “Quarto Mundo” de Jack Kirby foi uma inspiração
O quadrinista John Byrne, chegou a comparar Mestres do Universo com os Novos Deuses de Jack Kirby, parte da lendária série do “Quarto Mundo” do Rei dos Quadrinhos. Descobriu-se que essa semelhança era mais do que uma coincidência, e isso fica bem claro no visual de Órion por exemplo, e sua eterna luta com Darkseid.
O diretor do filme live-action de Mestres do Universo, Gary Goddard, queria adicionar uma homenagem a Kirby nos créditos finais, mas o estúdio rejeitou a ideia.
O Castelo de Grayskull foi construído por um gigante
Mencionado em documentos de referência, mas nunca explicado na tela, o palácio de He-Man foi construído por Tytus, um gigante que lutou em uma batalha massiva séculos antes dos eventos da série animada. Mais tarde, a Mattel lançou um action figure do personagem que tinha 30 centímetros de altura.
O Príncipe Adam não fazia parte da história
Embora ele existisse na arte de esboço de Mark Taylor, o alter ego de He-Man, o Príncipe Adam, não foi introduzido no cânone até que o escritor Michael Halperin trouxe o conceito para a série animada. Antes disso, os quadrinhos da DC retratavam o personagem mais como um guerreiro tribal, sem a necessidade de uma identidade secreta. O príncipe Adam acabou não fazendo parte do filme live-action, aliás.
Dolph Lundgren foi dublado no filme
O filme de 1987, Mestres do Universo, foi parcialmente financiado pela Mattel depois que eles perceberam que poderiam co-financiar um filme com apenas uma parte de seu orçamento de publicidade. Os produtores acabaram optando pelo ator Dolph Lundgren para o papel de He-Man após o sucesso de Rocky IV, onde viveu Ivan Drago. O ator era fisicamente imponente, mas seu forte sotaque sueco tornava suas falas difíceis de entender. Antes da decisão de colocar alguém para dublá-lo, o contrato de Lundgren especificava que ele poderia tentar regravar até três vezes. Mas não teve como; a forma como ele falava tornava suas cenas ininteligíveis.
Quase existiu uma séria derivada, He-Ro.
Tá vendo esse cara radical surfando em um crocodilos? Ele é He-Ro, astro de uma proposta de série animada derivada de 1996. O Príncipe Adam já teria se tornado rei e casado com Teela, e o casal adota um órfão chamado Dare. Depois de erguer a Espada do Poder, o menino se transforma em um herói quase tão forte quanto seu pai. Embora a Mattel tenha atualizado a série duas vezes, ela nunca avançou para além da fase de conceito.
A sequência esquecida
A série animada original Mestres do Universo e a linha de brinquedos terminaram em 1985, embora She-Ra: A Princesa Guerreira tenha durado mais dois anos. O fato é que o que sepultou Mestres do Universo foi o fracasso do filme live-action.
Porém, o que poucas pessoas sabem é que houve uma outra série de He-Man, quase totalmente esquecida, chamada As Novas Aventuras de He-Man. Esta série envolveu He-Man e Esqueleto sendo enviados para o futuro, encontrando um novo elenco de personagens e se envolvendo em uma nova guerra pelo destino de Eternia. Desnecessário dizer que os fãs preferem esquecer que isso aconteceu, transformando a série em uma nota de rodapé na história da franquia.
Mas tudo bem, a verdadeira sequência de He-Man está chegando, e promete agradar fãs novos e antigos. A nova série é animada pela Powerhouse Animation, estúdio por trás de Castlevania.