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A Viagem de Chihiro é considerado por muitos fãs a obra-prima de Hayao Miyazaki por transcender fronteiras e chegar em premiações que nenhum anime chegou antes. Independente da época que passe, esse filme consegue encantar um grande público divergente ao brincar com os conceitos da mitologia japonesa de uma forma tão familiar e convidativa.

Chihiro é uma jovem comum que estava em uma viagem de mudança com os seus pais até eles fazerem uma pequena pausa. As coisas começam a ficar estranhas quando os seus pais viram porcos, e criaturas estranhas aparecem repentinamente em sua frente. Para voltar ao mundo normal, Chihiro conta com a ajuda do misterioso Haku.

O filme não teve roteiro

Ao contrário da maioria dos filmes do Studio Ghibli, A Viagem de Chihiro foi desenvolvido sem um roteiro. Miyazaki afirmou em uma entrevista que não tem tempo para escrever o roteiro já que ele tem que fazer muitas outras coisas como desenhar e dirigir o projeto todo. Ele disse em uma entrevista que: “Não tenho a história finalizada e pronta quando começamos a trabalhar em um filme.”

A trama se desdobra organicamente enquanto ele desenvolve o storyboard porque esse é o jeito do seu processo criativo. Então sua equipe apenas segue o fluxo, fazendo os storyboards e a produção com as ideias que vem direta na mente, sem precisar colocar no papel antes.

A inspiração para Chihiro

Em 1997, Miyazaki fez uma viagem de cabana com os seus amigos, onde ganhou inspiração para criar Chihiro. Naquela época, ele teve a ideia de criar uma personagem feminina com a qual garotas de 10 anos pudessem se identificar facilmente.

Observando como a filha de seu amigo e seus colegas adolescentes interagiram, ele percebeu a falta de histórias que representam a essência de meninas mais jovens, porque o único tipo de mídia que tentava fazer isso eram romances. Mas, para Miyazaki, esse tipo de história não era o que elas exatamente queriam, o que esse público precisava era apenas uma garota comum e capaz de fazer a mesma coisa que elas fazem.

O toque especial de Miyazaki

Miyazaki tem o seu próprio toque para dirigir animação, como seu cuidado para cenas silenciosas. A cena em que o personagem simplesmente senta e aproveita o silêncio tranquilo do lugar, enquanto olha para longe é uma de suas maiores especialidades. Os momentos de contemplação são estrategicamente inseridos no momento certo para criar uma sensação de tranquilidade.

De acordo com as palavras do diretor, o filme não terá uma dimensão mais ampla se seguir com uma ação ininterrupta. Um espaço para respirar é essencial para o público expandir sua visão enquanto assiste. Esse toque pode ser chamado de “ma”, que significa “vazio” em japonês.

A cena do banheiro foi inspirada em uma experiência de Miyazaki

Reprodução/

Quando Chihiro trabalha no hotel de Yubaba, ela conhece vários espíritos diferentes, mas um deles era evitado pelos outros, o “Espírito Fedorento”. Um espírito enorme, coberto de lama e com um cheiro horrível. Depois que o seu corpo foi completamente limpo por Chihiro, o espírito revelou que na verdade é o Espírito da Água.

A cena foi inspirada na experiência de Miyazaki em limpar o seu lago local. Uma vez ele encontrou uma bicicleta soterrada no lago de sua vizinhança, e a água estava tão suja que precisava de limpeza. Assim como foi no filme, Miyazaki precisou de um grupo de pessoas para puxar a bicicleta de lá e limpar tudo.

O anime é uma das maiores bilheterias do Japão

Reprodução/Studio Ghibli

Por muito tempo, A Viagem de Chihiro foi o filme de anime com a maior bilheteria no Japão. Hoje, porém, o filme está classificado em 2º lugar nessa lista, ficando atrás somente de Demon Slayer – Mugen Train: O Filme. Ainda assim, Chihiro conta com uma bilheteria impressionante de 395,6 milhões de dólares no cinema internacional.

A sua maior conquista foi ganhar a premiação do Oscar em 2003, na categoria “Melhor Animação”. Até hoje, A Viagem de Chihiro é a única animação japonesa que já ganhou um Oscar.

A Disney ajudou na distribuição do filme

O diretor de criação do estúdio Pixar, John Lasseter, desempenhou um papel crucial na distribuição internacional de A Viagem de Chihiro. Por 20 anos, os estúdios americanos tentaram fazer um acordo com o Studio Ghibli para uma distribuição, mas o produtor executivo, Toshio Suzuki, fechou negócios apenas com a Disney.

Lasseter se aproximou de Miyazaki e dos outros funcionários do Studio Ghibli quando ainda era um jovem animador. Miyazaki sempre preferiu fazer os desenhos no jeito mais tradicional, mas Lasseter mostrou a ele como a animação feita no computador também pode ser útil. Através dessa amizade, todos os filmes do Studio Ghibli começaram a atingir um público internacional.

O motivo para os pais de Chihiro virarem porcos

No início do filme, os pais de Chihiro comem um grande banquete que eles encontram na cidade, sem saber que pertencia aos espíritos. Como castigo, Yubaba transformou os dois em porcos, sendo uma metáfora da bolha econômica que aconteceu no Japão nos anos 80.

Miyazaki viu uma transformação na sociedade, como o ápice da ganância e consumo desenfreado. Uma carta de resposta do Studio Ghibli explicou que essa mudança refletia como as pessoas se tornavam “semelhantes a porcos” em seus hábitos durante essa época. Entretanto, no final do filme, Chihiro supera a prova de encontrar seus pais entre os porcos após conseguir sua “energia para viver”.

A transformação de Haku

Haku parece um humano comum no começo do filme, mas logo ele revela ser um dragão voador. Essa forma é bem similar aos dragões chineses, além de ter traços notáveis de animais comuns como cães e répteis.

Para dar mais realismo ao lado animal de Haku, a equipe do Studio Ghibli investiu tempo para estudar as características de alguns animais específicos. Eles se dedicaram para replicar o andar de uma lagartixa, a flexibilidade de uma cobra e a graça de um cachorro no dragão. Os animadores até foram a uma clínica veterinária para filmar as mandíbulas de um golden retriever como referência.

O segredo da relação de Chihiro e Haku

A relação de Chihiro e Haku revela, no final do filme, ser mais profunda do que parecia. Antes de se encontrarem no castelo de Yubaba, os dois já se conheceram no passado. Chihiro quase se afogou uma vez, tentando pegar o seu sapato no rio, mas o espírito do local a salvou. Acontece que Haku é o espírito do Rio Kohaku, o mesmo que salvou Chihiro nesse dia.

Eles se separaram quando Chihiro voltou ao mundo normal, abrindo o questionamento se os dois podem se encontrar novamente no futuro. Contudo, Toshio Suzuki matou essa dúvida em uma sessão de perguntas e respostas, dizendo que “Haku era o espírito do rio que corre perto da casa onde Chihiro morava. Se Chihiro algum dia visitar aquele rio…

A identidade do Sem Rosto

O Sem Rosto é um espírito enigmático, tímido, reservado e que mostra um interesse em particular por Chihiro. A princípio, ele era inofensivo, mas depois se torna um ser monstruoso ao ficar desesperado pela atenção da protagonista.

Miyazaki explicou que o Sem Rosto representa aqueles que buscam conexão, mas carecem da autoconsciência. Nesse sentido, o personagem seria um reflexo dos próprios humanos, pois todos desejam por uma conexão genuína com outras vidas antes de ter uma conexão verdadeira com si mesmo.

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Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.