Vamos ser sinceros, quem não se apaixonou pela Caça-Ratos 2 em O Esquadrão Suicida? A personagem, interpretada por Daniela Melchior, é nas palavras do diretor James Gunn, o coração do filme.
Mas você sabia que dentre todos os personagens utilizados por Gunn em sua formação do Esquadrão Suicida, Caça-Ratos é que traz as maiores diferenças em relação ao material original nos quadrinhos? Pois é, e é sobre isso que vamos falar hoje.
10 – Personagem original do filme

Para começar, o fato mais importante: o Caça-Ratos dos quadrinhos nunca teve uma filha. Sendo assim, a personagem interpretada pela atriz portuguesa Daniela Melchior é uma criação de James Gunn para o cinema.
Ele queria uma personagem que fosse a filha do Caça-Ratos original, e a atriz na verdade quase perdeu o papel por um motivo inusitado: foi fazer o teste “maquiada demais”. Mas no fim, deu tudo certo: no segundo teste, que era um teste de química com ratos, Daniela conquistou o diretor com a forma como se apegou a Sebastian, o rato real usado o longa. Aliás, originalmente a Caça-Ratos 2 morreria no final do filme, mas Gunn disse ter mudado de ideia por ela ser “doce demais”.
9 – Criação e origem
O Caça-Ratos original foi criado pelos escritores Alan Grant e John Wagner com o artista Norm Breyfogle. Ele apareceu pela primeira vez em uma história de duas partes em Detective Comics #585-586 em abril de 1988, que descreveu seu primeiro encontro com Batman.
Caça-Ratos era originalmente um homem chamado Otis Flannegan, que trabalhava para o Departamento de Saneamento de Gotham City como exterminador de pragas. Embora fosse hábil em lidar com todos os tipos de pragas, a especialidade de Flannegan era lidar com enxames de ratos e ele era frequentemente enviado aos esgotos da cidade para limpar seus ninhos. Mas Flannegan afirmava ter uma afinidade especial com ratos e começou a treiná-los para obedecer a comandos simples, como “atacar” e “buscar”.
8 – Prisão
A vida de Flannegan mudou depois que ele foi preso por assassinato, após uma briga de rua onde ele esfaqueou um homem até a morte. Flannegan se declarou inocente como resultado de legítima defesa, alegando que o outro homem havia começado a briga e o ameaçado, ofendendo-se com o cheiro de esgoto que se fixou em Flannegan após seus anos de serviço à cidade.
Seus apelos foram inúteis, no entanto, e Flannegan foi condenado a 10 anos de prisão na Penitenciária Blackgate. Foi lá, abusado por um diretor corrupto que estava determinado a tornar os assassinos sob sua responsabilidade o mais miseráveis possível, que Flannegan teve uma revelação – os verdadeiros ratos eram os funcionários corruptos que dirigiam Gotham City, prendendo inocentes enquanto fingiam tornar a cidade mais segura.
7 – Batman
Depois de cumprir sua pena e ser libertado de Blackgate, Flannegan buscou vingança e usou seu conhecimento dos esgotos de Gotham City para construir uma prisão secreta para si mesmo. Tomando o título de Caça-Ratos, Flannegan sequestrou os homens responsáveis por sua prisão e seu tormento – Diretor Stanley Konik, Juiz Wyatt Hogan, Sargento de Polícia Sam Bellow e a testemunha Cornelius Budd – e os selou para que pudessem sofrer como ele, trancados um buraco no chão onde ninguém podia ouvir seus gritos.
Caça-Ratos manteve os homens em cativeiro por cinco anos e provavelmente os teria mantido lá pelo resto de suas vidas se o Juiz Hogan não tivesse conseguido puxar uma barra solta de sua cela e fugir. Sua liberdade durou pouco, pois os ratos treinados de Flannegan o seguiram e o atacaram enquanto ele voltava para a superfície. Porém, sua saída dos esgotos por acaso foi perto de onde Batman estava interrompendo um negócio ilegal de armas, e a visão de um homem idoso sendo atacado por ratos era estranho o suficiente – mesmo para os padrões de Gotham – para alertar o lado detetive do Cavaleiro das Trevas. Batman acaba capturando o Caça-Ratos e o enviando para a prisão novamente.
6 – Respeito
A habilidade de controlar ratos de Otis Flannegan o tornou uma pessoa popular na prisão Blackgate de Gotham. Seu conhecimento profundo dos esgotos da cidade, bem como da planta de Blackgate, tornou possível para Otis contrabandear mensagens e itens com a ajuda de seus amiguinhos para outros condenados e aliados.
Embora sua força principal fosse sua habilidade de comandar qualquer número de roedores, Caça-Ratos era conhecido por usar também uma arma de gás com uma predileção específica por gases de cianeto. Ele pode não ter sido um dos vilões mais infames de Gotham, mas suas habilidades lhe deram um certo nível de respeito e notoriedade no submundo do crime. Foi graças a essa fama que Caça-Ratos assumiu um papel essencial nos planos de Bane para exaurir Batman, ajudando a facilitar uma fuga em massa durante a história A Queda do Morcego.
5 – Morte
Caça-Ratos acabou sendo morto durante a primeira edição de Crise Infinita, de 2005, quando foi descoberto escondido na comunidade de sem-tetos de Gotham. Enquanto estava sendo levado pela polícia, um dos moradores de rua tentou ajudá-lo e foi empurrado por um dos policiais.
Infelizmente, esse indivíduo foi dominado por um OMAC, um organismo ciborgue que é treinado para assassinar qualquer um com superpoderes, e a lesão acionou sua programação. Caça-Ratos foi identificado como uma ameaça de nível gama e vaporizado imediatamente.
4 – Ele era um metahumano
Em suas primeiras aparições, Caça-Ratos foi retratado como tendo uma afinidade natural por ratos e um talento único para treiná-los para obedecer a comandos simples. Ele os controlava com o uso de um apito especial, semelhante a um apito de cães, mas ainda audível para humanos. No entanto, as coisas que os amigos peludos de Otis Flannegan realizaram pareciam ir muito além do que animais treinados deveriam ser capazes de fazer.
A verdade sobre o poder de Caça-Ratos só foi revelada no momento de sua morte durante a Crise Infinita, onde um soldado OMAC o identificou como um metahumano de nível gama antes de matá-lo. (para melhor colocar essa escala em perspectiva, gama é o nível mais baixo de metahumanos, com a Mulher Maravilha sendo considerada uma metahumana de nível alfa e Metamorpho um de nível beta). Isso confirmou que Caça-Ratos realmente tinha um superpoder que o permitia se comunicar mentalmente com ratos e controlar suas ações.
3 – Retorno nos Novos 52
Quando a DC reiniciou o seu universo em 2011 com a iniciativa Novos 52, o Caça-Ratos foi um dos personagens beneficiados. Afinal, sua morte foi ignorada e ele estava novamente agindo como um criminoso em Gotham.
Seu retorno aconteceu em Batwing #27, mas ele só teve de fato uma importância maior na maxissérie Batman Eterno, como parte de um plano para desestabilizar sutilmente Gotham por meio de catástrofes de serviços públicos.
2 – Outras mídias
Apesar de não aparecer de fato, o Caça-Ratos existe no universo dos games Arkham. Em Arkham Asylum por exemplo, além do personagem ter uma ficha de descrição no menu de personagens, se seguirmos uma dica do Charada, é possível encontrar as luvas e a máscara do Caça-Ratos em uma cela.
Além disso, ele também pode ser visto em algumas das animações da DC, como a mais recente da Arlequina, onde é um capanga do Duas-Caras, e em Batman do Futuro, onde vemos um personagem chamado Patrick Fitz, o Ratboy, que possui as mesmas habilidades do Caça-Ratos original, mas com o agravante de ter uma aparência monstruosa.
1 – Taika Waititi
Em O Esquadrão Suicida, quando Cleo Cazo, a Caça-Ratos 2, conta sua história, vemos em um flashback como foi a infância da garota em Portugal, onde vivia com seu pai, o Caça-Ratos original. E o interessante aqui é que o personagem é interpretado por ninguém menos que o diretor e ator Taika Waititi.
Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por Jojo Rabbit, em 2020, Taika Waititi não é novato no universo dos super-heróis. Nome importante na Marvel, o ator e diretor comandou o filme Thor: Ragnarok, além de estar dirigindo também o quarto filme do Deus do Trovão, Thor: Love and Thunder.