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Carrie é um daqueles livros que mudaram tudo. Foi o primeiro romance de Stephen King, a primeira adaptação e o pontapé que colocou o autor no mapa. Só que por trás dessa história tão conhecida, existem curiosidades que quase ninguém comenta.
Diferenças enormes entre o livro e o filme, ideias bizarras que King abandonou no meio do caminho, detalhes sobre os poderes da Carrie e até uma nova adaptação que vem aí, dessa vez comandada por Mike Flanagan. No vídeo de hoje, falamos sobre tudo isso, em 10 fatos.
Primeiro livro de Stephen King e primeira adaptação
Stephen King é o mestre do horror, responsável por vários obras icônicas. Mas tudo começou com Carrie, que marcou sua introdução tanto no horror quanto na cultura pop. Originalmente, King desistiu do projeto: escreveu várias páginas e achou que não estava bom, então abandonou Carrie, até que sua esposa encontrou as páginas, leu, ficou completamente envolvida e o convenceu a continuar a história.
Assim, Carrie, seu primeiro livro, foi publicado em 1974 e, em sua primeira tiragem, vendeu 30 mil cópias. Em 1976, o filme foi lançado e, assim como o livro, representou outro primeiro marco: foi a primeira adaptação de Stephen King, o que realmente projetou o autor para o domínio popular.
Diferenças entre livro e filme

Existem várias diferenças entre o livro e o filme, como o fato de que no livro Carrie pode realmente entrar na mente das pessoas, que sentem sua força e emoções, e conseguem se comunicar telepaticamente com ela.
Além disso, a raiva de Carrie não começa imediatamente após o incidente do sangue de porco — originalmente, ela deixa o ginásio após tropeçar enquanto descia do palco, com toda a escola rindo dela, e só depois, já do lado de fora, decide voltar e ensinar uma lição ao colégio.
Em um momento do caos no baile, Carrie até mesmo voa. E, quando deixa o baile, ela não apenas destrói a escola, mas a cidade inteira, explodindo carros e casas e acabando com muitos inocentes, totalizando 458 mortes.
A aparência de Carrie no livro
No romance original de 1974, Stephen King descreve Carrie White como uma garota fisicamente bem diferente da interpretação icônica de Sissy Spacek no cinema. No livro, Carrie é retratada como baixa, acima do peso, com espinhas no rosto, ombros e costas. Seus cabelos são ralos e loiro-acinzentados, sua pele é pálida e manchada, e seu rosto é frequentemente descrito como inchado.
A versão de Sissy Spacek no filme de 1976 vai em outra direção: ela é magra, delicada e tem um visual etéreo que transmite mais fragilidade do que estranheza física.
De onde vem seus poderes?
Carrie White é mais conhecida por seus poderes telecinéticos, que lhe permitem controlar objetos e pessoas simultaneamente. No livro, sua telecinese também lhe concede a habilidade de levitar. Carrie também possuía telepatia, o que significa que podia ler mentes, projetar pensamentos e manipular mente.
O romance não oferece muitas explicações sobre como e por que Carrie White possui esses poderes, mas menciona que são geneticamente transmitidos. O mistério em torno da origem dos poderes de Carrie White deu origem a diferentes teorias, a maioria delas baseada em outras obras de Stephen King, sendo as mais notáveis as que sugerem que o pai de Carrie é, na verdade, Randal Flagg, o Homem de Preto, o que explicaria seus poderes tão destrutivos. Algo que reforça isso é quando sua mãe diz que o pai da garota é “um demônio”.
Carrie enfrentou censura
O livro “Carrie” é considerado um dos mais contestados da América. Um livro “contestado” não significa totalmente banido, mas sim com restrições, como dificuldade de acesso, limitações de idade e livrarias ou bibliotecas se recusando a estocá-lo. Entre 1990 e 2000, Carrie ficou em 77º lugar entre os livros mais contestados e foi um dos mais banidos em escolas.
Se nos anos 70 as pessoas já ficaram chocadas com Carrie, imagine se soubessem que ainda tinham pela frente livros como Misery e O Cemitério.
King ficou feliz com o filme

Quando surgiram os primeiros interesses em adaptar Carrie, King vendeu os direitos do livro à United Artists por apenas 2.500 dólares. Embora o autor tenha uma relação de amor e ódio com adaptações — gostando de algumas, como Conta Comigo, e detestando outras, como O Iluminado — Carrie parece ser uma das que ele aceita tranquilamente e aprecia.
Ele admite que Brian De Palma deixou o tom mais leve, mas funcionou. Sem dúvida, De Palma deu ao filme uma atmosfera mais “groovy” dos anos 70. No geral, King ficou satisfeito, apesar de seu nome ter sido escrito errado no trailer. Ele comenta que, mesmo gostando do filme, acredita que ele não envelheceu tão bem — mas diz que adora toda a energia disco dos anos 70 presente na obra, então isso não o incomoda.
A cena da chuva de pedras foi deletada
Como já mencionado, há elementos do livro que não apareceram no filme, e um deles é a cena em que enormes rochas caem do céu e destroem a casa de Carrie White. Essa cena chegou a ser filmada, ou ao menos tentada, mas foi abandonada porque o efeito não funcionava. Primeiro, pedras pequenas foram jogadas sobre a casa, mas parecia mais chuva do que queda de rochas.
Então a equipe construiu um modelo menor da casa e tentou filmar rochas caindo sobre ele ao anoitecer, mas a cena se mostrou difícil demais, e conforme a madrugada se aproximava, decidiram abandonar a ideia por completo. Assim, optaram por fazer com que a casa se destruísse sozinha, como se o próprio desespero de Carrie provocasse a destruição.
A sequência esquecida

Após a versão de 1976, todos sabem que houve um remake para TV em 2002 e outro remake em 2013, nenhum deles com o impacto do original. Mas muitas pessoas esquecem que existe uma continuação cinematográfica: A Maldição de Carrie, lançada em 1999.
Dessa vez, a história acompanha Rachel, uma nova personagem que tem os mesmos poderes de Carrie. Assim como Carrie, Rachel é intimidada pela escola. Amy Irving retorna como Sue Snell, agora professora, percebendo a semelhança entre Carrie e Rachel. Ela descobre que Rachel é meia-irmã de Carrie e herdou as mesmas habilidades, o que leva a um confronto sobrenatural no qual Rachel se vinga dos agressores.
Originalmente, Carrie se transformaria em um monstro
Pouca gente sabe, mas no rascunho inicial de Carrie, Stephen King escreveu um clímax completamente diferente — e muito mais fantástico — para a destruição do baile. Segundo relatos dos editores Bill Thompson e Stu Tinker, que leram o manuscrito original, Carrie não apenas usaria telecinese: ela literalmente se transformaria em uma espécie de criatura sobrenatural.
Na versão preliminar, Carrie soltava raios pelos olhos, sua cabeça inflava como um balão, tornando-se enorme enquanto ela se erguia sobre os colegas, e até mesmo brotavam chifres. Essa entidade monstruosa disparava raios em todas as direções, inclusive derrubando até um avião do céu com seus ataques.
Bill Thompson, porém, percebeu que algo ali afastava o leitor da humanidade da personagem. Ele disse a King que, daquele jeito, Carrie White simplesmente não era gostável. Era impossível se importar com ela se o clímax a transformasse em um monstro literal. Para Thompson, os leitores deveriam terminar o livro chorando por Carrie, não vendo nela uma vilã caricata. Foi por causa desse conselho que King reescreveu totalmente o final, removendo os chifres, os raios e a transformação física, substituindo tudo pela telecinese.
Carrie vai ganhar uma nova adaptação no Prime Video

O clássico de Stephen King está prestes a retornar ao centro das atenções com uma nova adaptação de Carrie, desta vez comandada por ninguém menos que Mike Flanagan — o mesmo responsável por A Queda da Casa de Usher, A Maldição da Mansão Bly, Doutor Sono e atualmente encarregado da aguardadíssima adaptação de A Torre Negra. A série será exclusiva do Prime Video e contará com oito episódios. A protagonista Carrie White será interpretada por Summer H. Howell.
Flanagan revelou que Stephen King inicialmente hesitou diante da ideia de uma nova adaptação, mas aprovou o projeto após entender sua proposta. O diretor reforça que essa versão não será apenas uma releitura moderna da trama original: a telecinese está lá, mas não é o foco. A ideia é explorar como a tecnologia, o anonimato online e o bullying digital podem levar à destruição de uma comunidade inteira.
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