O Duende Verde é para o Homem-Aranha o que o Coringa é para o Batman. O vilão com tema de Halloween não foi originalmente criado para se tornar o nêmesis do cabeça-de-teia, mas no decorrer da história de ambos os personagens, seus caminhos se cruzaram vezes o suficiente para que um ódio mortal fosse alimentado cada vez mais.
Desde o início, Norman Osborn foi um dos poucos vilões que atacou Peter Parker de uma forma muito mais íntima. Além de ser pai de um de seus melhores amigos, ele também foi o responsável direto pela morte da namorada do Aranha. Ao longo dos anos essa rivalidade foi se repetindo em diversas mídias, como cinema e séries animadas, e hoje é difícil não pensar imediatamente no Duende Verde quando falamos sobre os maiores inimigos do Homem-Aranha. E falando em cinema, ele estará de volta em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, que chega aos cinemas em dezembro – onde será novamente interpretado por Willem Dafoe. Pensando nisso, trazemos hoje 10 fatos sobre o personagem.
10 – Originalmente, ele não usava um planador

O arsenal de armas do Duende Verde é icônico. As luvas que disparam feixes elétricos, as bombas-abóbora e navalhas em forma de morcego são muito característicos do personagem. Mas claro, nada é mais reconhecível no Duende Verde do que eu seu planador. E por incrível que pareça, o planador não fazia parte o arsenal original do Duende.
Em vez disso, o Duende Verde apareceu pela primeira vez usando uma vassoura a jato para voar por aí. Em vez de fazer dele um vilão ameaçador, esse objeto parecendo um foguete fazia o vilão parecer uma bruxa velha. Na época de sua segunda aparição em Amazing Spider-Man #17, ele exibiu seu planador-morcego pela primeira vez e usou diversas variações dele desde então.
9 – Primeiro vilão a descobrir a identidade do Aranha

Desde o início, o Duende Verde já se destacava na galeria dos primeiros inimigos do Homem-Aranha. Ele não era um vilão com tema animal como a maioria dos outros, e sua identidade era um completo mistério. O enigma em torno do Duende é o que o tornava atraente para os leitores, e finalmente foi revelado em Amazing Spider-Man #39, escrito por Stan Lee e com arte de John Romita.
Nessa edição temos uma história onde o Duende Verde segue o Homem-Aranha voando em seu planador e acaba descobrindo sua identidade secreta. Ele foi o primeiro supervilão a descobrir que Peter Parker era o herói aracnídeo, e sempre soube usar muito bem esse segredo. No final desse mesmo edição também descobrimos, junto com Parker, que o Duende Verde era na verdade o empresário Norman Osborn, pai de seu amigo Harry.
8 – A Morte de Gwen Stacy

Não dá para falar de Duende Verde sem citar o seu pior ato nos quadrinhos, aquele que o colocou como o inimigo número 1 do Homem-Aranha: a morte de Gwen Stacy, a namorada de Peter Parker na época.
Após sequestrar Gwen, o Duende Verde a leva desacordada para Ponte George Washington, a fim de atrair o Homem-Aranha. Durante o confronto, Osborn derruba Gwen, e ao tentar salvá-la lançando uma teia, Peter acaba sem querer quebrando o pescoço de sua amada com o impacto. É também essa história que leva à morte do Duende Verde, empalado por seu próprio planador ao tentar acertar o Homem-Aranhas pelas costas, que desvia na hora certa graças a seu sentido de aranha.
7 – Ficou morto por mais de 20 anos

Considerando o quão proeminente o Duende Verde é apresentado na mitologia do Homem-Aranha, tanto dentro quanto fora dos quadrinhos, é difícil acreditar que ele esteve morto por mais de duas décadas na continuidade principal. O incidente que levou à morte de Gwen Stacy e à sua própria aconteceu em 1973, e ele só foi reaparecer novamente nos quadrinhos nos anos 90.
Na época, a morte ainda era algo bastante levado a sério nos quadrinhos. Quando um personagem morria em uma história, para todos os efeitos e propósitos, os escritores escreviam de forma que fosse permanente – sem essa banalização que vemos hoje. Nos anos 90, no final da Saga do Clone, quando até mesmo o Superman já havia morrido e voltado nos quadrinhos, as coisas já estavam mais flexíveis. E assim, a Marvel decidiu que era hora de Norman Osborn voltar dos mortos. Mas já já aprofundamos nisso.
6 – Motivou a criação do Duende Macabro

Após a morte de Norman, o Aranha ficou com uma vaga em formato de duende na galeria de seus vilões, que precisava ser preenchida. Como a morte ainda era tratada com alguma seriedade naquela época, ressuscitar Norman Osborn estava fora de questão. Em vez disso, os escritores decidiram criar um substituto para o Duende Verde.
Assim, o escritor Roger Stern surgiu com um supervilão Duende completamente novo. Chamado de Duende Macabro, esse novo vilão foi apresentado no início dos anos 80, e o seu maior apelo era o mistério em torno de sua verdadeira identidade. Depois de muitas pistas falsas e uma boa dose de confusão entre os diferentes escritores, já que nem eles haviam pensado em quem era o Duende Macabro sob a máscara, o personagem meio que sumiu por um tempo e o mistério ficou no ar. Somente nos anos 90, após vários Duendes, ficou decidido que o tão misterioso Duende Macabro original havia sido um empresário chamado Roderick Kingsley. Ninguém se importou.
5 – As outras versões do Duende Verde

Embora Norman Osborn tenha ficado morto por mais de 20 anos, isso não quer dizer que o conceito do Duende Verde tenha ficado esse tempo todo longe dos quadrinhos. Pelo contrário, esse nome ainda perseguiria Peter Parker de muitas maneiras. Afinal, após a morte de Norman, quem assume a alcunha de Duende Verde após um surto psicótico é o seu filho, Harry, um dos melhores amigos de Peter.
Harry jura vingança contra o Homem-Aranha, que ele acha que matou seu pai. Harry lutaria contra sua própria natureza por muitos anos, antes de morrer em The Spectacular Spider-Man #200, recuperando seus sentidos e salvando as vidas de Peter Parker e Mary Jane. Ele também voltou anos depois, mas essa é outra história.
Antes de morrer, Harry estava se tratando com um psiquiatra chamado Bart Hamilton, como forma de suprimir o Duende Verde de sua mente. Hamilton ajudou Harry a fazer isso por um tempo, mas o problema é que o próprio psiquiatra assume a identidade do Duende Verde para seus próprios objetivos. Ele tenta encontrar a fórmula secreta do Duende que Norman Osborn usava para ter poderes sobre-humanos, mas falha. No processo, Hamilton acaba sendo morto na explosão de suas próprias bombas em The Amazing Spider-Man #180. Amadores…
4 – Fator de cura

Depois que Norman Osborn tomou a fórmula do Duende, ele recebeu uma ampla gama de superpoderes. Pode ter custado a ele sua sanidade, mas a fórmula deu a Osborn força sobre-humana, velocidade, agilidade, resistência e inteligência aprimorada. Mas o que muitas pessoas esquecem (mas na verdade não deveriam esquecer) é que um outro poder que Osborn possui é o fator de cura. Um baita fator de cura, diga-se de passagem.
Embora ainda longe do nível de um Deadpool ou de um Wolverine, Osborn é capaz de se recuperar de grandes danos se tiver tempo suficiente. Foi assim que ele conseguiu sobreviver ao ser empalado por seu próprio planador em 1973. Pois é, essa foi a desculpa que a Marvel resolveu usar nos anos 90, quando finalmente decidiram trazer o Duende Verde original de volta.
3 – A mente por trás da Saga do Clone

A Saga do Clone é uma das histórias mais conhecidas da Marvel dos anos 90, e não por um bom motivo. Depois de começar com muitas promessas, todo o enredo saiu dos trilhos. Ficou evidente depois de um tempo que os escritores e editores não sabiam como encerrá-la e, portanto, surgiram com mil reviravoltas diferentes para amarrar o enredo.
Em um ponto, Harry Osborn deveria ser trazido de volta dos mortos para ser revelado como o mentor por trás de todo desastre. Porém, a Marvel decidiu que não existia momento melhor para trazer o Duende Verde original de volta, e assim, Norman foi revelado como a grande mente maligna por trás de absolutamente tudo que aconteceu durante a saga do Clone. Na ocasião, a Marvel até lançou uma história chamada “O Diário de Norman Osborn“, explicando como ele sobreviveu após ser empalado por seu planador, por onde ele andou depois daquilo e cada ponto da saga do Clone que ele arquitetou. E o pior é que, apesar de meio bizarro, tudo se encaixava. Então tá, né.
2 – Ele teve dois filhos com Gwen Stacy (ou não)

Em um bizarro, controverso e estúpido enredo de 2004 intitulado “Pecados Pretéritos”, é revelado que antes de matar Gwen Stacy em Amazing Spider-Man #121, Norman Osborn a engravidou. Pois é, Osborn não apenas era o amante secreto de Gwen na época em que ela namorada de Peter, mas também foi o pai dos filhos gêmeos dela, Sarah e Gabriel, criados secretamente na Europa.
Esses dois, inclusive, contam com um envelhecimento precoce, e Gabriel chegou a se tornar o vilão Duende Cinza (pois é). Felizmente, no arco mais recente dos quadrinhos do Homem-Aranha, com roteiro de Nick Spencer, foi revelado que na verdade Norman nunca teve qualquer relação com Gwen e muito menos engravidou ela.
Na verdade foi tudo um plano de Harry Osborn para hipnotizar Norman e implantar a memória de um caso com Gwen. Já Sarah e Gabriel foram resultado de experimentos genéticos que criaram assassinos capazes de matar o Homem-Aranha. Sinceramente? Eu não sei o que é pior. O caso com a Gwen ou essa “explicação” aí. Ser fã do Aranha é um inferno.
1 – Ele sequestrou a filha de Peter e Mary Jane (ou não)

Em um dos MUITOS enredos introduzidos durante a Saga Clone, foi revelado que Mary Jane estava grávida. Peter Parker então decidiu se aposentar e fazer com que Ben Reilly assumisse o manto do Homem-Aranha em tempo integral. Infelizmente, quando chegou o grande dia, Mary Jane foi informada de que a criança morreu no parto.
E aí começa a novela. Em uma reviravolta, fica subentendido que na verdade a criança está viva, e que uma mulher chamada Alison Mongrain, disfarçada de enfermeira, sequestrou a criança a mando de Norman Osborn. A partir daí, foram meses e meses de histórias onde de vez em quando víamos Alison em um iate, com um berço e um chocalho, conversando com Osborn por telefone. O fato é que a Marvel ainda não havia decidido se queriam realmente envelhecer o Homem-Aranha lhe dando uma filha, e por isso ficaram cozinhando essa situação até alguém tomar uma decisão.
Por fim, quando a criança iria finalmente ser entregue a Osborn, ela é levada por Kaine, um dos clones bizarros de Peter Parker. A Alison Mongrain, inclusive, chega a encontrar Mary Jane depois, e com peso na consciência, revela que sua filha está viva, deixando Mary Jane desesperada. Porém, a Marvel mudou de ideia, fingiu que nada aconteceu e esse plot nunca mais foi revisitado. Tem um vídeo no canal, muito antigo, onde eu falo de forma mais detalhada sobre essa história. Se você quiser conferir, clique aqui.






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