O Justiceiro é um dos personagens mais famosos da Marvel, mas ao mesmo tempo é um que parece não se encaixar exatamente naquele universo de seres super-poderosos. Um simples cara normal com muitas armas e uma cruzada de vingança, é por isso que Frank Castle costuma funcionar melhor em histórias que possuem a sua própria continuidade particular, como a linha MAX, que contava com roteiros de Garth Ennis.
Mas Castle tem um longo histórico na continuidade principal da Marvel, e mesmo no meio de vários “supers”, ele nunca se deixou intimidar. E embora todos os heróis ao seu redor sejam contrários aos seus meios pouco ortodoxos de lidar com o crime, bem, ninguém teve coragem de impedi-lo ainda. Hoje, trazemos 10 fatos sobre o Justiceiro.
10 – Criação

Em 1972, Gerry Conway tornou-se o segundo escritor regular de Amazing Spider-Man. Era meio que o trabalho dos sonhos para Conway, que era um grande fã da Marvel, mas esse cargo veio com muita pressão. Primeiramente porque Conway tinha apenas 19 anos quando conseguiu o emprego. E além disso, o escritor que ele estava substituindo era ninguém mais, ninguém menos que Stan Lee, o próprio criador do Homem-Aranha.
Mas Conway não teve medo de arriscar. Uma de suas primeiras grandes histórias foi “A Noite em que Gwen Stacy morreu”, em que o grande amor de Peter Parker foi morta pelo Duende Verde. Oito edições depois, Conway e o artista Ross Andru mudariam o curso da Marvel Comics apresentando o Justiceiro. A versão que aparece nessa edição é um pouco diferente de como ele evoluiria na próxima década, mas é possível ver as bases criadas ali. Apesar de ser um assassino contratado pelo Chacal, ele alegou matar apenas aqueles que “mereciam” e só estava caçando o Homem-Aranha porque foi levado a acreditar que o escalador de paredes era um assassino. Ele também menciona que é um ex-fuzileiro naval, mas que agora luta “uma guerra solitária”.
9 – A Morte da família

Existem vários aspectos cruciais do passado de Frank Castle que o levam diretamente a se tornar o Justiceiro. Poucos são tão importantes quanto a morte de seus filhos e esposa nas mãos da família mafiosa Costa.
Durante Justiceiro: Ano Um, vemos a psique do Justiceiro como nunca antes. A instabilidade e a reação de Frank à morte de sua família não são apenas trágicas, mas reveladoras. É nestas páginas que vemos o nascimento da persona do Justiceiro. Frank é meio suicida no início, enquanto tenta resolver o crime por vias legais. No entanto, a família Costa está bem relacionada e não pode ser facilmente processada no tribunal. Uma vez que o estabelecimento que ele lutou tanto para proteger no Vietnã falha, Frank toma justiça, vingança e punição em suas próprias mãos.
8 – Guerra Fictícia

E por falar em Guerra do Vietnã, isso é algo que precisou ser modificado nos quadrinhos. O Universo Marvel é definido em uma escala de tempo móvel, onde os heróis mantêm seu passado intacto e condensam os anos para evitar que envelheçam. Porém, as modernidades do mundo real são levadas para os personagens da Marvel, e eles vivem na mesma época que os leitores vivem. Dessa forma, não tem como Castle ter servido na Guerra do Vietnã.
Na década de 1990, a Marvel mudou a origem de Castle, da Guerra do Vietnã para a Guerra do Golfo, o que mudou drasticamente sua história. Mas mesmo isso precisou ser alterado mais tarde, e na série da Netflix, por exemplo, ele serviu no Iraque. Mas para evitar fazer isso novamente no futuro, a Marvel decidiu criar uma guerra fictícia para o passado de Castle nos quadrinhos. Esta é a Guerra Siancong. Isso foi revelado em História do Universo Marvel Vol. 2, de 2019.
7 – O Capitão América é o seu herói

Frank Castle tem um estranho senso de patriotismo. Ele não respeita os políticos americanos, as leis ou as razões das guerras do país no exterior, embora ele admire tanto a polícia quanto os soldados por seu serviço. E ele também adora o Capitão América como seu herói pessoal.
Em sua história original, enquanto esteve no campo de treinamento, Castle foi treinado pelo próprio Capitão. Rogers deu um soco nele, mas Castle se recusou a revidar. Anos depois, durante o arco da Guerra Civil, quando o Capitão América estava espancando Frank por ele ter assassinado dois supercriminosos, Frank novamente se recusou a se defender. E no enredo de Universo Marvel vs Justiceiro, ele verbaliza sua adoração ao Capitão, dizendo:” você sempre foi o meu herói”.
6 – A origem da Caveira

Se uma coisa se tornou sinônimo do Justiceiro, é a caveira branca que sempre aparece em seu peito. A caveira está ali desde sua encarnação original e se tornou um símbolo da punição que Frank inflige a quem cruza com ele.
E existem duas origens para a caveira nos quadrinhos. O Justiceiro original escolheu o símbolo enquanto estava no Vietnã. Enquanto caçava um atirador inimigo chamado “Monkey”, que rivalizava com as habilidades de Frank, ele foi feito prisioneiro. Depois de escapar, ele decidiu deixar uma mensagem para Monkey pintando a caveira no peito de um prisioneiro, bem como no seu. Depois que ele derrotou Monkey e voltou para casa, esse símbolo foi novamente usado para que os inimigos de Frank soubessem não apenas seu próprio destino, mas quem daria o golpe mortal.
Já no Justiceiro MAX, a imagem de uma caveira branca pintada em uma parede vem a ele em um sonho. A caveira o assombra e lembra Frank de sua guerra interna em curso que sempre continua. Com a mente tática, especialmente da versão MAX de Frank, ele usa a caveira pintada com spray em seu peito como uma distração para que os criminosos apontem para isso em vez de sua cabeça.
5 – Ele não gosta que usem seu símbolo

E por falar na caveira do Justiceiro, de vez em quando ela aparece em alguma polêmica. Ao longo dos anos, o símbolo do Justiceiro foi usado também no mundo real, especialmente por policiais e soldados. A Marvel sempre se mostrou contrária a isso, e o criador do Justiceiro, Gerry Conway, declarou em diversas ocasiões que é “perturbador ver figuras de autoridade abraçando a iconografia do Justiceiro porque ele representa uma falha do sistema judiciário”.
E esse debate já foi levado também para os quadrinhos. Em uma história, o Justiceiro encontrou alguns policiais usando seu símbolo e disse a eles que não o fizessem. Ele explicou que a polícia fez um juramento de cumprir a lei e ajudar as pessoas, e que ele faz exatamente o contrário. Castle diz ainda que, se querem algum símbolo para seguir, que seja o Capitão América.
4 – Justiceiro 2099

Em 1992, a Marvel lançou a sua linha 2099, que trazia versões de vários de seus famosos personagens no futuro. O mais famoso título era o do Homem-Aranha 2099, mas existia um do Justiceiro também. Jake Gallows essencialmente tinha a mesma origem que Frank Castle – família assassinada por bandidos, caveira no peito, etc. Mas se Frank é considerado um anti-herói, podemos dizer Jake era um pouco mais psicopata, com uma prisão secreta sob sua casa, onde mantinha os criminosos até executá-los, um de cada vez. Mais tarde, ele se tornou o diretor da S.H.I.E.L.D. depois que o Doutor Destino conquistou o mundo.
O Justiceiro 2099 era uma sátira descontroladamente exagerada que fazia Frank Castle parecer quase razoável em comparação. Ele chegou a dizer a um terapeuta que sua idade era “36… calibre 36”, e estrelou uma cena infame onde saltava de uma aeronave dizendo: “Eu não preciso de um jetpack – tudo que eu preciso é ódio!”
3 – Justiceiro… anjo?

Algumas histórias do Justiceiro ultrapassaram os limites. Uma delas veio em 1998, quando Frank Castle tirou a própria vida. Ao fazer isso, ele automaticamente se condenou ao inferno, mas algo aconteceu e mudou esse destino de sofrimento eterno. Ele foi ressuscitado pelo Paraíso com um dever divino a cumprir.
O Justiceiro retornou como um Anjo Vingador. Castle tinha uma essência divina e era basicamente imortal com poderes sobrenaturais e acesso a armas que poderiam matar outros seres sobrenaturais. Uma das piores fases do Justiceiro. Mas se é a pior? Não sei… porque depois disso nós ainda tivemos uma surpresinha.
2 – FrankenCastle

Na época do Reinado Sombrio, Norman Osborn criou sua própria equipe de Vingadores, com vilões assumindo os papéis de heróis clássicos. Um desses vilões foi o filho de Logan, Daken, que se tornou o novo Wolverine. Ele também foi enviado para matar o Justiceiro e… conseguiu. Em uma das histórias mais bizarras e gráficas da Marvel, Daken simplesmente cortou o Justiceiro em pedaços com suas garras.
No entanto, o Justiceiro não permaneceu morto. Morbius juntou os pedaços, o remontou e ressuscitou como um monstro estilo Frankenstein chamado – olha só a criatividade desses caras – FrankenCastle. Ele se juntou à Legião dos Monstros e trabalhou com eles até que Elsa Bloodstone o curou e o devolveu ao normal.
1 – Matou o Universo Marvel

Como um anti-herói, pode-se esperar que o Justiceiro nem sempre se alinhe com outros heróis. Na continuidade principal e fora dela, O Justiceiro fez alguns inimigos poderosos em alguns dos maiores heróis da Marvel. A maioria dos heróis não gosta dele por seus modos assassinos e desrespeito à lei, mas além disso, Frank é frequentemente visto ameaçando os outros.
Uma das histórias mais famosas do Justiceiro coloca Frank contra todo o Universo Marvel na apropriadamente intitulado “Justiceiro Massacra o Universo Marvel”. Nesta história, ele mata meticulosamente cada herói e vilão, começando com Ciclope. Nesta versão, a família de Frank é morta quando são pegos no meio de um confronto entre os X-Men e os Vingadores. Com nada além de raiva e ódio por aqueles que ele sente serem responsáveis pela morte de sua família, ele começa a matar todos os heróis. Ele termina sua cruzada quando finalmente mata seu melhor amigo Matt Murdock, o Demolidor.






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