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Apesar da imagem construída em torno dele como uma figura imbatível, o Batman volta e meia é derrotado por ser um personagem que atua constantemente sobre uma linha moral tênue. Seus códigos o separam da selvageria, mas, mesmo sob eles, o herói passa dos limites. Neste artigo, listo dez momentos em que o Homem-Morcego foi moralmente derrotado, seja em filmes, séries ou quadrinhos. Confira:

Quando ele “criou” e subestimou o Charada

Reprodução/DC Studios

Batman (2022) é um filme sobre o Homem-Morcego percebendo que não era quem acreditava ser e que inspirava as pessoas pelos motivos errados. O maior vilão do herói, na obra de Matt Reeves, é a sua própria arrogância. Por exemplo: ele subestima o Charada ao achar que o vilão não falava espanhol corretamente, acaba não entendendo a dica do URL, e isso atrasa a investigação. No fim, ele ignora os sinais de que o vilão se via como seu parceiro e dá o caso por encerrado, sem perceber que o hacker bobão que matou Falcone inspirou uma rede de criminosos radicais e preparou o terreno para inundar Gotham.

Ao final, Bruce percebe que não despertou medo nos criminosos que realmente deveriam temê-lo, como Falcone e o Pinguim, nem foi capaz de inspirar Gotham a ser melhor. Pelo contrário, ele acabou fazendo com que as pessoas canalizassem seu ódio para um movimento amargo e fora de controle.

A queda de Harvey Dent

Reprodução/DC Comics

A tragédia do Duas-Caras em Longo Dia das Bruxas é a história de como o Batman não conseguiu salvar a alma de Gotham. Harvey Dent representava a esperança dentro do sistema, o “Cavaleiro Branco” que Batman acreditava ser o futuro da cidade. Ao falhar em impedir a corrupção de Dent, Batman vê a própria lei sucumbir à insanidade que ele jura combater. É o momento que o herói percebe que está em uma luta solitária.

A Torre de Babel

Reprodução/DC Comics

No arco Torre de Babel, o Batman é moralmente derrotado pela sua própria paranoia. Ao criar planos para neutralizar seus aliados da Liga da Justiça, ele trai a confiança que depositavam nele, revelando sua incapacidade de acreditar genuinamente nas pessoas.

Evidente que não foi ele quem agiu contra os amigos, mas o fato de ter criado esse arquivo secreto — que acabou roubado de seu núcleo de inteligência — colocou todos em risco.

O Ajuste de Contas do Robin

Reprodução/Warner Bros. Animation

Por que o Batman adotou Dick Grayson? Ele se identificou e queria dar uma vida melhor ao jovem órfão? Se era esse o plano, ele conseguiu?

No arco de dois episódios “O Ajuste de Contas do Robin“, da série animada dos anos 90, o Batman percebe o quão nocivo foi para o Robin. Ao trazer Dick Grayson para a guerra contra o crime organizado, ele acabou expondo uma criança ao seu próprio trauma. No fim, ao ver Dick prestes a cruzar todos os limites e tirar a vida de Tony Zucco — o assassino de seus pais —, Bruce reconhece que transferiu o peso de sua própria dor para um jovem, privando-o da chance de seguir em frente após a perda da família.

O ressurgimento de Jason Todd como Capuz Vermelho

Reprodução/Warner Bros. Pictures

Em Contra o Capuz Vermelho, o Batman é derrotado pelos questionamentos acerca de seus métodos. Jason Todd, o segundo Robin, que foi assassinado pelo Coringa, retorna como um espelho distorcido, desafiando a regra de nunca matar. Afinal, como o Coringa ainda respira depois de assassinar um parceiro do Homem-Morcego? Apesar de insistir em manter seu código intacto, Bruce não consegue oferecer uma justificativa moral que rebata os argumentos de Jason. Isso o leva a perceber que, devido à sua negligência, talvez seja, ainda que indiretamente, um cúmplice dos crimes do Palhaço do Crime.

Além disso, o herói percebe que, mesmo ciente de que jamais vai ceder ao seu código de não matar, ele pouco fez para resolver o problema do Coringa — seja buscando uma cura ou erradicando sua influência no crime de Gotham. O ciclo sempre foi o mesmo: o Coringa foge, mata pessoas e o Batman o coloca de volta na prisão. Nunca houve, de fato, um esforço criativo para buscar uma solução definitiva.

A criação do Irmão Olho

Reprodução/DC Comics

O surgimento do Irmão Olho é a derrota do Batman pela sua própria paranoia. Ao criar uma inteligência artificial para monitorar super-humanos, ele traiu a confiança de seus aliados da Liga da Justiça mais uma vez. Quando o sistema se volta contra o mundo, o herói é responsável indiretamente por um regime de vigilância autoritário que ele mesmo condenaria.

Nos quadrinhos, o projeto OMAC surge quando o Batman percebe que a sua necessidade de controle se torna a ameaça que ele sempre temeu combater. Isso prova que, sempre que Bruce perde a fé no próximo, ele se torna o vilão da história.

Quando o Coringa provou que o Caos era a única verdade

Heath Ledger como Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas
Reprodução/Warner Bros. Pictures

Em O Cavaleiro das Trevas, Christopher Nolan utiliza a dinâmica do caos para desmantelar a moralidade do Batman. O Coringa usa Harvey Dent para provar que a virtude está apenas um “dia ruim” de distância do abismo.

No final, o Coringa força o Batman a mentir para o povo de Gotham para que a ordem seja mantida. Ao assumir a culpa pelos crimes de Harvey Dent, Bruce trai o seu próprio código para criar o que julga ser uma farsa necessária. Ele basicamente age como aquelas figuras de poder que jurou combater; as que governavam Gotham das sombras.

O colapso mental de Stephanie Brown

Reprodução/DC Comics

Em Jogos de Guerra, o Batman é confrontado com o seu maior erro administrativo e emocional. O colapso de Stephanie Brown, a quarta Robin, ocorre devido a um plano que Batman não conseguiu supervisionar, expondo a negligência na forma como ele gere a vida daqueles que aceitam seguir sua cruzada. Ele perde a única pessoa que estava tentando, à sua maneira, fazer o certo por Gotham.

Esta é a derrota da sua autoridade. Ele percebe que, ao tratar pessoas como peças em um tabuleiro de xadrez, se torna responsável por cada sacrifício desnecessário que acontece no caminho.

Quando ele viu a si mesmo como um ditador

Reprodução/Warner Bros. Animation

No episódio Um Mundo Melhor, da série animada da Liga da Justiça, o Batman é forçado a encarar o reflexo mais obscuro de si mesmo. Ao ver sua contraparte de outra dimensão instaurar uma ditadura após a morte do Flash, Bruce entende que a linha entre a vigilância e o autoritarismo é tênue como uma lâmina.

A derrota moral do herói está no reconhecimento de que ele está a poucos passos de se tornar um dos tiranos que combate. É nesse episódio que o Batman recebe um aviso final sobre o que poderia se tornar caso continuasse decidindo, por conta própria, o que é melhor para as pessoas.

O fracasso em curar o Coringa

Reprodução/DC Comics

Batman e Coringa estão destinados a combater um ao outro para sempre, e o Homem-Morcego é condenado a saber que toda a motivação do vilão é uma resposta direta aos seus métodos. O Palhaço do Crime é atraído pela figura exótica do detetive e age inspirado em levá-lo ao limite. Ele quer provar o seu ponto e, frequentemente, consegue fazer com que o Batman traia seus códigos, ainda que indiretamente.

Em Cavaleiro Branco, Sean Murphy reflete que os métodos violentos do Batman são o que fazem o Coringa se manter vivo. Nessa realidade alternativa, Jack Naiper até consegue retomar a sanidade, mas volta e meia se perde quando vê o Homem-Morcego em ação. É um ciclo de dependência.

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Qual dessas derrotas morais do Batman você considera a pior de todas? Você pensa em algum momento que não poderia ter ficado fora da lista? Comente abaixo e vamos discutir.



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