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Hoje (30), um dos melhores filmes de super-heróis da história, Homem-Aranha 2 (2004) está completando 20 anos de estreia global e, mesmo após todo esse tempo, a obra de Sam Raimi ainda é uma das principais, se não a principal, referência do subgênero. Entretanto, por qual motivo o filme é tão especial?

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Reprodução/Sony Pictures

Antes de qualquer coisa, é importante lembrar que a produção aconteceu em uma época onde os filmes de super-heróis eram bem menos frequentes, portanto, não havia nenhuma fórmula, ou muitas referências que fugissem de Superman: O Filme (1978) e Batman (1989).

Quando começaram a franquia em 2002, Sam Raimi e equipe foram obrigados a fazer algo novo, e fizeram o básico: sempre trataram a produção como uma obra para os cinemas, e não uma extensão dos quadrinhos, o que é um problema que volta e meia acontece nas adaptações do subgênero de super-heróis, e até recentemente acontecia muito com as de games também.

Quando se faz um filme ou série live-action, você tem que pensar em fazer isso funcionar na mídia que você está trabalhando, e, tecnicamente, Homem-Aranha 2 (2004) é um filme completamente pensando para o cinema.

Mas veja bem, isso não quer dizer que esta seja uma obra realista, pois, para fazer as coisas funcionarem nos cinemas, você não precisa apelar para o realismo, ou o insuportável recurso de explicar tudo a todo tempo. Tampouco indica que não há referências de estilo aos quadrinhos.

Iluminação, cores, montagem, tom, tudo isso é trabalhado para remeter à essência dos quadrinhos, e o resultado faz de Homem-Aranha 2 (2004) um filme funcional que não abusa da suspensão de descrença, e é muito eficiente em imergir o público naquele drama pessoal de Peter Parker.

Esta não é uma obra que tenta desesperadamente fazer conexões com outros filmes, e que trata o evento com mais importância do que os personagens. Neste filme, as pessoas importam mais do que o feito.

Basta lembrar que, de toda a impressionante sequência do Homem-Aranha parando o trem desgovernado, o momento mais emocionante é o das pessoas comuns retribuindo o favor e salvando ele.

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Reprodução/Sony Pictures

A simples cena daquelas mãos carregando Peter, mostrando que ele não estava sozinho em sua luta, é muito mais eficiente em arrancar lágrimas do que a recente sequência de morte do Superman.

Desabar ouvindo um “Ele… é só um garoto. Da idade do meu filho” diz muito sobre o peso do lado humano de Homem-Aranha 2 (2004), e o quanto esse é o grande poder da trilogia do Raimi.

Como gosto de dizer, os personagens de quadrinhos são tão fortes há tanto tempo, não pelo que faz deles deuses, mas sim pelo que traz eles para perto de nós.

Sam Raimi é um dos cineastas que mais entende isso, e esse elemento é perceptível em todas suas outras obras de super-heróis, mesmos as que não são tão boas como Homem-Aranha 3 (2007) e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022).

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Reprodução/Sony Pictures

Apesar de toda galhofa fora de tom do Venom, Homem-Aranha 3 (2007) conta uma emocionante história sobre perdão, e o quanto é difícil aceitar os erros dos outros quando ainda estamos lutando para corrigir os nossos.

Em meio a toda bagunça cansativa do multiverso, Doutor Estranho 2 (2022) ainda é uma linda história sobre figuras egoístas literalmente tendo que encarar o pior e o melhor de si para entender que deixar ir também é amar.

Homem-Aranha 2 (2004) não é um derivado da trilogia do Homem de Ferro, tampouco um longo capítulo de algo maior, mas sim uma história sobre um garoto tentando fazer as pazes com quem é, enquanto carrega o peso do mundo nas costas.

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Reprodução/Sony Pictures

No longa, um confuso Peter Parker enxerga o Doutor Octopus como um espelho de seu sonho por uma vida bem-sucedida, assim como do medo de perder o controle sobre seus poderes.

Após ser confrontado pelos dois mundos de sua grande referência, nosso herói percebe que não pode ser só Peter Parker ou só o Homem-Aranha, pois, os dois precisam ser um só, e enquanto ele não entender que essa barreira entre suas duas vidas não pode existir, uma delas vai continuar desabando.

Esse tema de causa e efeito sobre poder e responsabilidade se alinha completamente com o que significa a mitologia dos super-heróis. Talvez seja o caso onde melhor se aplica, mas com certeza a sequência aborda isso melhor que o longa original, que é focado em contar uma história de origem.

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Reprodução/Sony Pictures

Voltar a olhar para esse despretensioso filme de 2004 dá saudades de um tempo em que falar sobre cinema não envolvia conexões com séries de TV, relevância perante Mega Saga, CGI, participações especiais, ou qualquer outra porcaria herdada do empobrecimento de discussão sobre a indústria que surgiu após a década dominante da Marvel Studios.

Homem-Aranha 2 (2004) é uma obra genuína, feita sem ter sido imaginada como algo espetacular, mas tocada por um grupo de pessoas que pensaram em fazer as coisas direito e que entendiam o símbolo e a essência dos personagens. Algo tão natural assim não é nada simples de ser replicado.

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