Não vou negar: eu adoro anime de porrada. Todo sábado, religiosamente, assisto o episódio do dia de Boku no Hero, -que inclusive é um dos meus favoritos atualmente -, e penso o quão incrível seria se eu um dia conseguir utilizar 100% do meu One for All textual. Contudo, nem só de luta vive o otaku! Mesmo curtindo muito a categoria, as vezes queremos assistir algo mais reflexivo, denso e até mesmo mais “adulto”.

Para quem, assim como eu, procura por obras diferentes e com uma pegada mais profunda, separei nesta lista alguns dos meus animes favoritos fora da demografia shonen, e logo mais pretendo trazer mais 5!
Rainbow
Ambientado no Japão dos anos 50, Rainbow (ou Nisha Rokubou No Shichinin em japonês) nos apresenta a 7 adolescentes que são presos em uma instituição para jovens infratores. Os garotos foram detidos por crimes que vão desde pequenos furtos até lesão corporal, e com o passar dos episódios a narrativa nos mostra as situações que levaram os rapazes a fazerem o que fizeram. Além de uma crítica ao sistema carcerário e ao próprio período que o país enfrentou após a 2ª Guerra, Rainbow é uma história sobre amizade: os meninos descobrem, juntos, uma força para enfrentar os horrores da prisão e a esperança para dias melhores.

O anime toca em temas muito sensíveis, como abuso sexual, abuso de poder e abandono parental, nos entregando várias cenas de violência exacerbada. No entanto, todos os elementos utilizados na obra são de profunda importância para a narrativa, servindo para nos mostrar o quão horrível é o ambiente em que os jovens foram encarcerados. Sendo um dos meus animes favoritos, deixo aqui a minha forte indicação – e tenho certeza que, assim como eu, você também vai se emocionar assistindo.
Produzido pela Madhouse, o anime foi lançado em 2010 e conta com 26 episódios, sendo baseado no mangá homônimo escrito por George Abe e ilustrado por Masasumi Kakizaki – que infelizmente ainda não foi publicado no Brasil.
Monster
Posso começar dizendo que Monster é, simplesmente, a melhor história de suspense/investigação que eu já vi em um anime. O primeiro contato que tive com a obra foi através do mangá, magistralmente escrito e ilustrado pelo grande Naoki Urasawa. Logo de cara já virou meu favorito (e uma das minhas leituras favoritas também, independente do gênero). O anime, seguindo pelo mesmo caminho, consegue manter a excelência da obra original, tendo inclusive uma das aberturas mais incríveis (na minha singela opinião) das animações.

A história começa quando o renomado neurocirurgião Kenzo Tenma é obrigado a largar uma cirurgia de um operário turco, já em andamento, para operar um famoso cantor de ópera. Em consequência, o operário acaba morrendo e a cirurgia do cantor ocorre corretamente. Tenma fica muito abalado e, ao começar a se questionar sobre as prioridades do hospital em que trabalha, percebe que os interesses são muito mais financeiros e corporativos do que em salvar vidas. Pouco tempo depois, a situação se repete: o médico é novamente obrigado a largar a operação de um menino baleado na cabeça para atuar na cirurgia do prefeito. Contudo, dessa vez, Tenma se recusa a cumprir a ordem, operando o garoto e salvando sua vida.
A “escolha” de Tenma resulta em seu rebaixamento no hospital, mesmo afirmando que decidiu continuar na operação do menino pois este havia chegado primeiro. Porém, é a partir desse momento que a grande reviravolta da obra começa: misteriosamente, todos os médicos responsáveis pelo boicote ao Tenma são mortos, e o menino baleado desaparece do hospital. O garoto, como Kenzo irá descobrir anos depois, é a peça fundamental em uma série de assassinatos e de mistérios sórdidos. Prefiro parar por aqui, tanto para evitar spoilers como porque pretendo escrever, o mais breve possível, uma análise completa dessa obra sensacional. Produzido pela Madhouse, o anime foi lançado em 2004 e conta com 74 episódios.
PS: Monster tem o vilão mais bem desenvolvido de todos os tempos!
Golden Boy
Quantas vezes tu já pensou em largar tudo e viajar sem rumo pelo mundo? Bom, essa é a vida que Oe Kintaro escolheu para si. Com sua fiel bicicleta, o jovem de 25 passa de cidade em cidade no Japão, nunca ficando muito tempo no mesmo lugar. Seu objetivo -que inclusive acho admirável- é aprender sobre a vida, e o jovem escolhe a melhor maneira possível de se fazer isso: vivendo! Diversas pessoas passam pelos caminhos de Kintaro, que além de aprender com elas, também as ensina. Mesmo abdicando de uma estabilidade e da segurança de uma vida “normal”, Oe consegue encontrar a felicidade nas pequenas coisas, desfrutando de um conhecimento que vai muito além do convencional.

Golden Boy é o único anime ecchi desta lista, mas garanto que o conteúdo mais sexual, mesmo que um tanto quanto datado em alguns momentos, serve muito bem para a proposta da história. A mensagem que a obra nos trás é linda e, mesmo não estando em cima de uma bicicleta viajando por aí, sentimos a liberdade e a alegria que Kintaro conseguiu conquistar em sua vida.
Também baseado em um mangá de mesmo nome, Golden Boy é um anime bem curto. Contando com apenas 6 episódios em formato OVA, a obra foi produzida pela Shueisha em conjunto com a KSS, no ano de 1995.
Erased
Costumo dizer que sou uma pessoa simples: se tem viagem no tempo, já é meio caminho andado pra me conquistar. Porém, Erased (Boku Dake ga Inai Machi em japonês) une ficção científica com uma trama investigativa que te prende do começo ao fim. Nosso protagonista, Satoru Fujinuma, é um jovem que tem a incrível habilidade de voltar alguns instantes no tempo. No entanto, quando sua mãe é assassinada por um homem desconhecido, Satoru acaba sendo enviado muitos anos no passado, para quando era uma criança!

É muito interessante ver como Satoru, um homem com a mente de um adulto no corpo de uma criança, se comporta e lida com os dilemas inerentes da infância. Além de tentar entender porque voltou tantos anos no passado, o jovem precisa impedir o assassinato de seus colegas de classe, tendo que literalmente correr contra o tempo. Todo o mistério envolvendo os assassinatos, e consequentemente o assassino, é muito bem desenvolvido, apresentando reviravoltas que só te fazem querer ver todos os episódios no mesmo dia e desvendar a trama.
Baseado em um mangá de mesmo nome, Erased foi produzido pelo estúdio A-1 Pictures e conta com 12 episódios, tendo sido lançado em 2016. Além do quadrinho e da animação, a obra também foi adaptada para live action, tanto para um filme como para uma série.
Parasyte: The Maxim
Depois da viagem no tempo, é a vez dos aliens! Baseado no mangá que se chama apenas Parasyte (ou Kiseijuu em japonês), esse é certamente o anime mais exótico que eu já assisti em muito tempo. Mas não levem o termo para o lado negativo: a história é incrível. Tudo começa quando seres extraterrestres literalmente caem do céu e começam a invadir os corpos dos humanos em cenas bem explícitas. Izumi Shinichi, nosso protagonista, consegue driblar o objetivo do parasita alienígena de chegar até seu cérebro, ficando com o invasor “apenas” em sua mão direita.

Com o tempo, a relação entre os dois passa a ser mutualística, com o pequeno parasita até ganhando um nome: Migi. Como o alien não conseguiu chegar até o cérebro de Shinichi, o rapaz ainda mantém completamente a sua consciência, contando com a ajuda de Migi para detectar a presença de outros parasitas (não tão amigáveis). A relação dois dois é muito bacana e em muitos momentos, engraçada; por estarem dividindo, mesmo que em parte, o mesmo corpo, ambos precisam aprender a conviver e a juntos enfrentarem os perigos que os outros parasitas invasores proporcionam. Além de muito bem produzido, o anime também conta com uma trilha sonora ótima, que casa perfeitamente com os momentos de ação. Produzido pela Madhouse, Parasyte foi lançado em 2014 e conta com 24 episódios. Além do anime, também foram produzidos dois filmes em live action.
E aí, o que acharam da lista? Deixem aqui nos comentários os animes/mangás que vocês gostariam que eu escrevesse sobre e quais merecem um lugar na parte II!






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