Gênio, bilionário, playboy, filantropo. Tony Stark foi o grande responsável por colocar a carreira de Robert Downey Jr. de volta nos trilhos, após anos de polêmicas e problemas envolvendo a dependência química. Em 2008 o ator recuperava seu prestígio e se tornava mundialmente querido após dar vida ao personagem mais rentável da Marvel Studios até então. De lá pra cá, foi eleito o ator mais bem pago do mundo por três anos consecutivos – 2013, 2014 e 2015 – e segue colhendo os frutos de seu talento e carisma.
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Sua popularidade após interpretar o Homem de Ferro se tornou tão grande que seus projetos mais antigos acabam não sendo tão lembrados quanto os mais recentes. Esse artigo tem como objetivo revisitar a trajetória cinematográfica do ator destacando suas atuações mais memoráveis. Lembrando que a ordem aqui será cronológica e o foco será o desempenho individual do ator nas obras citadas.
Julian – Abaixo de Zero (1987)

Um jovem com características que o garantiriam um futuro estável e bem sucedido: é inteligente, bem educado, charmoso, tem amigos e um pai rico. Tudo isso vai por água abaixo após o seu envolvimento com drogas. O vício se torna sua prioridade e tudo é permitido em nome da substância. Quem tenta ajudá-lo acaba sendo puxado consigo para o fundo do poço. As cenas envolvendo abstinência ou descontrole pelo excesso de consumo de drogas são muito bem feitas e representadas com maestria pelo ator. Foi durante as filmagens desse filme ele desenvolveu sua dependência química e viu as coisas fugirem de seu controle, nas palavras do próprio: “O personagem era um exagero de mim mesmo e, de certa forma, eu me tornei um exagero do personagem“.
Charlie Chaplin – Chaplin (1992)

Existe uma responsabilidade muito grande em interpretar alguém que realmente existiu, ainda mais se tratando de alguém tão querido e marcante quanto Charlie Chaplin. Robert Downey Jr. aceitou o desafio e encarnou o artista e cineasta perfeitamente, seus trejeitos, sua expressividade, seu bom humor e seus conflitos pessoais. Uma das mais belas cinebiografias já produzidas, que retrata a infância, a carreira artística, o posicionamento político e a vida amorosa de Chaplin. O ator foi aclamado mundialmente e sua atuação lhe rendeu uma indicação ao Oscar.
Wayne Gale – Assassinos por Natureza (1994)

Um casal de assassinos que mata por prazer é transformado em atração cultural por um repórter que só quer ver o circo e a audiência pegarem fogo. Wayne Gale: o retrato da mídia fria e sensacionalista. Exagerado, eufórico e sem noção do bom senso. Num curto trecho é retratado como o próprio diabo. Não quer o bem maior, não é provido de empatia, não tem dignidade, só visa a autopromoção e o caos. Se deixa corromper pelos entrevistados durante uma rebelião e se identifica com a sensação trazida pelos atos criminosos. Um papel coadjuvante que chega a roubar o protagonismo em breves instantes pela intensa entrega do ator em sua atuação.
Dan Dark – Crimes de um Detetive (2003)

Um escritor hospitalizado por conta de um estágio avançado de psoríase, que devido a constantes crises de febre e alucinações, passa a confundir o protagonista de suas histórias consigo mesmo e sua própria vida, envolvendo sua infância traumática e uma mistura entre a realidade que o cerca e a ficção. Um mix de comédia dramática e musical que traz um Downey Jr. inspirado: brinca de detetive, emula o sofrimento de uma dor física profunda e banca o frontman numa interpretação do clássico “Poison Ivy“. Embora apenas duble a música no filme, o ator assina e protagoniza uma canção autoral durante os créditos onde mostra que seu talento vai além da atuação. Foi seu primeiro filme após se declarar livre do vício em drogas.
Harry Lockhart – Beijos e Tiros (2005)

Um ladrão de quinta categoria que, após abandonar seu parceiro de crime e fugir da polícia, entra sem querer num teste de elenco para um filme policial. O requisito? Interpretar alguém que se culpe pela morte de um parceiro… Justamente o que ele fez! O teste é um sucesso e o “ator” é enviado para Hollywood para trabalhar. A personalidade do personagem lembra um pouco o Downey Jr. de hoje em dia: é sarcástico, irônico, agitado e cômico. A química entre Harold e Gay Perry (detetive interpretado por Val Kilmer) funciona muito bem e o resultado é uma comédia ácida que fugia do padrão estabelecido pelo gênero no início dos anos 2000.
Jim Barris – O Homem Duplo (2006)

Um pseudo-intelectual que age como se tivesse total entendimento sobre qualquer assunto abordado. Um personagem estressante e cheio de si que torcemos para nunca conhecer na vida real, do tipo que fala por falar e por vezes até convence seus companheiros da veracidade de suas loucuras. A história é focada num agente (interpretado por Keanu Reeves) que se infiltra em uma gangue com o objetivo de acabar com o tráfico de uma substância altamente viciante, até que ele mesmo se vê dependente da droga. O destaque fica nas interações entre Jim Barris e Ernie Luckman (interpretado por Woody Harrelson). Um filme sobre excessos e paranoia.
Paul Avery – Zodíaco (2007)

Um repórter policial que se vê cada vez mais obcecado por uma sequência de casos criminosos sem solução. Robert Downey Jr. aqui não é a peça central, mas pode ser visto como a cereja do bolo. A fixação de Paul Avery pelo serial killer Zodiac e seus crimes se torna tão grande que ele acaba perdendo o rumo e trilhando o caminho do alcoolismo. As interações entre ele e Robert (personagem de Jake Gyllenhaal) são alguns dos pontos fortes do filme, e o ator já exibia seus maneirismos característicos que o tornariam conhecido por “interpretar a si mesmo” nas obras em que participa.
MENÇÃO HONROSA: Kirk Lazarus – Trovão Tropical (2008)

O filme foi lançado 4 meses após a estreia de Homem de Ferro, mas não poderia ficar de fora da lista. É sempre interessante ver um ator interpretando um ator. Kirk Lazarus é um super astro loiro e de olhos azuis que passa por várias cirurgias estéticas para se “transformar” em negro com o objetivo de entender melhor o seu personagem. Uma sátira divertida e propositalmente caricata. O trabalho de Downey Jr. para emular e diferenciar seu sotaque, tom de voz e postura é impecável, sendo possível encontrar relatos na internet de pessoas que nem sequer perceberam que era ele dando vida ao personagem. Uma ótima comédia que rendeu ao ator sua segunda indicação ao Oscar.
Fica nítido que a recuperação física e mental de Robert Downey Jr. caminhou lado a lado com a recuperação de sua carreira e relevância como profissional. Foi pouco a pouco participando de pequenos projetos até voltar a protagonizar grandes produções, sendo a parceria com a Marvel Studios a concretização do sucesso de seu retorno. Um grande exemplo de superação e a prova de que é possível dar a volta por cima com apoio e força de vontade.
Desde então, além de ter sido peça fundamental do Universo Cinematográfico Marvel por 12 anos, tendo participado diretamente de 9 filmes, o ator interpretou personagens como Sherlock Holmes, Dr. Dolittle e atuou ao lado de estrelas como Jamie Foxx, Robert Duvall, Vincent D’Onofrio, Billy Bob Thornton e Vera Famiga. Vida longa ao eterno Homem de Ferro.






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