Existem games que são bem difíceis. E existem jogos que são difíceis até de analisar e eu digo isso por causa de toda a expectativa e pressão que existe em um jogo tão amado quanto Demon’s Souls. O jogo original, lançado para PlayStation 3 em Fevereiro de 2009, foi o ponto de virada pela From Software, hoje conhecida pela série que mais desafia os jogadores ao redor do mundo.
Enquanto os demais games caminham com a ideia de criar mais modos acessíveis para os jogadores que pretendem só curtir a história, adicionando mecânicas que facilitam o percurso, a From Software veio com a ideia de trazer uma jogabilidade mais lenta, punitiva e extremamente difícil. É preciso dizer que ainda que seja bastante pesada, a dificuldade está longe de ser injusta. Os desafios apresentados na franquia são dependentes da dedicação e persistência do jogador, que aprende a cada nova morte. Um processo de ‘a prática leva à perfeição (ou, pelo menos, à vitória).
Logo, a Bluepoint, conhecida por fazer remakes excelentes de outros jogos, deve ter sentido ainda mais pressão ao anunciar que estava trabalhando no renascimento deste game, agora para uma nova geração. E ela não poupou esforços: usando todo o poderoso hardware do PlayStation 5, a empresa adicionou belos elementos, desde a resposta tátil do controle até gráficos impressionantes, reflexos de luz, efeitos de climas em cada área do jogo, além da inexistência de loading screens. Enquanto Astro’s Playroom veio para mostrar o poder do DualSense, Demon’s Souls é a prova viva do poder do novo console PlayStation.
O jogo está tão bonito que eu ainda não consegui gravar um vídeo que faça jus ao que vejo na tela, nem mesmo as screenshots. E olha, não é exagero. O game roda perfeitamente bem e é bem vinda a adição do modo foto, que possui ótimos recursos para o jogador. Algo que não existia no original e que te dá a chance de criar imagens incríveis.
Para quem está preocupado com o conteúdo do jogo, devo dizer que o game segue respeitosamente a cartilha do original: o núcleo é o mesmo. O jogo continua bastante desafiador, seguindo suas regras e funcionalidades. É o mesmo jogo de 10 anos atrás, só que totalmente remodelado. Existiram mudanças completas? Sim, a música do jogo precisou ser regravada por uma orquestra. As vozes dos personagens também. O jogo ganhou mais animações, texturas, detalhamento. Para os brasileiros que preferem jogar no idioma nativo, o jogo possui legenda e dublagem totalmente em português.

Os efeitos, luzes, novos modelos de personagens, tudo isso cria um novo ar para o tão conhecido Reino de Boletaria. O visual do remake dá um novo nível de imersão, que é enriquecido pelos efeitos sonoros (agora com o Áudio 3D do console) e com o feedback tátil do DualSense, que te faz sentir cada golpe, cada pancada. É uma experiência que redefine tudo que você viveu com o jogo original. Um novo nível de imersão.
O jogo possui dois modos para escolher: o cinemático (com 4k e 30fps) ou o de performance (com 60 fps e upscale para 4k). Nem preciso dizer que jogar a 60fps é o que vai te deixar maluco por este jogo. O jogo consegue impressionar bastante, afinal, foi escolhido para ser um dos carros-chefe da chegada do PS5, basicamente o único exclusivo (que não saiu para PS4) no lançamento. E ele entrega muito mais do que se esperava.
Afinal, sim, existem novos conteúdos adicionados neste remake: há uma quest totalmente nova, que precisa de uma armadura bem específica para ser completada. O jogo recebeu novos itens consumíveis e existem alguns mistérios ainda sem solução, tal como uma porta secreta que virou notícia em todo o mundo.

Em outros casos, a Bluepoint preferiu não mexer em time que estava ganhando. Embora ela pudesse redefinir a I.A. do jogo, ela preferiu manter tudo original. Assim, você encontrará os mesmos desafios do jogo original. Mas existem algumas melhorias que deixarão os jogadores veteranos mais felizes: As Arquipedras agora possuem o poder de te curar e reviver todos os inimigos da região, você pode consertar todos os seus equipamentos com um botão e o modo foto praticamente pausa o jogo, o que te ajuda na hora da raiva (hehe).
Para quem jogou Sekiro, Dark Souls e Bloodborne, mas não jogou o primeiro Demon’s Souls, a experiência pode ser ainda mais interessante. Afinal, estamos falando do jogo que iniciou tudo e que possui suas regras originais, que foram refinadas ou redefinidas por seus sucessores. A sensação de familiaridade existirá, mas com uma grande pitada de descoberta e novidade. O principal fator ainda está lá: você deve observar, se adaptar, aprender e por em prática para continuar.
Demon’s Souls é um jogo sobre desafio, habilidade, aprendizado e experiência. A recompensa é totalmente pessoal, íntima. É um game que te ocupará por dias, semanas, meses. Uma escolha perfeita para começar uma nova geração, já que você tem acesso à melhor versão de um dos clássicos mais icônicos e influentes da história dos games, responsável pelo nascimento do gênero ‘Souslike’.
- Um clássico totalmente remodelado para a nova geração
- O núcleo do jogo foi preservado, respeitando a memória do game
- Desafiador, intrigante, viciante
- Um game indispensável para os donos de PlayStation 5





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