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Em 1992, nascia um clássico: X-Men: A Série Animada se tornou um sucesso instantâneo e a qualidade dos roteiros e da narrativa impressionou até mesmo Stan Lee, criador dos personagens. Desde então, a série é considerada uma das melhores séries animadas baseadas em quadrinhos e também a melhor dos mutantes. Hoje, iremos conhecer 10 curiosidades sobre ela. Confira:

Tudo mudou após o primeiro episódio

Antes da série animada se tornar o grande sucesso que citamos, ela teve um piloto chamado Pryde of the X-Men. E tudo começou com Margaret Loesche, que era produtora executiva da série. Ao ler os quadrinhos, ela acreditou que existia um grande potencial nos X-Men para lidar com assuntos complexos como segregação e preconceito. Por 8 anos, os estúdios recusaram suas ideias, dizendo que a equipe era muito obscura.

Eventualmente, ela conseguiu a luz verde e decidiu fazer um episódio piloto com o maior número de personagens possível, para mostrar que daria pra vender brinquedos. O episódio não era ruim, pelo contrário, ele era ok para a época. Só que Margaret não queria um Ok, ela queria algo muito melhor. Assim, ela refez todo o conceito e recriou tudo do zero. Além disso, recebeu a ameaça de que se sua ideia não desse certo, ela seria demitida.

Só que…

O estúdio viu o novo projeto e decidiu soltar os dois primeiros episódios ao mesmo tempo para que os telespectadores entendessem a história e conhecessem os personagens. Quando eles estrearam, o sucesso não veio. Acontece que o prazo estava muito apertado e existiam centenas de erros de animação e sons. Mesmo com a tragédia, os criadores ganharam uma nova chance de consertar tudo.

Assim, eles trabalharam durante horas sem descansar para corrigir tudo e lançar os episódios no ar novmaente. Só que este não era o único problema. A primeira temporada é composta por pequenos arcos que se resolvem entre 3 a 4 episódios e tudo ia ao ar fora de ordem, fazendo com que fosse bem confuso assistir. Por causa disso, vários produtores foram mudados, executivos deixaram o projeto e novos roteiros foram feitos em questão de dias.

Desencontro?

Pryde of the X-Men foi cancelada e retrabalhada para criar o cartoon que conhecemos. Só que antes de fazerem este passo arriscado, a Konami já tinha começado a trabalhar no game baseado na série. E aí existia um grande problema: vários personagens que estavam em Pryde of the X-Men não estavam mais na nova série. Além disso, vários erros de tradução foram cometidos e frases fora de contexto estavam no jogo. Mas, para a surpresa de todos, o jogo fez sucesso e acabou ajudando a alavancar o sucesso da série.

Influenciou os quadrinhos

Na quarta temporada da série, temos o episódio ‘O Valor de um Homem’, onde um viajante do tempo volta no passado e mata o Professor X antes dele formar os X-Men. Como a equipe nunca foi formada, o mundo se transforma em uma distopia. Wolverine e Tempestade se aliam a Bishop para tentar reverter tudo isso.

Muitos fãs acreditam que esta história é baseada em ‘A Era do Apocalipse’. Mas a verdade é que a série criou a história, não os quadrinhos. Na HQ, o filho de Xavier, Legião, volta no tempo para matar Magneto e assegurar a paz entre humanos e mutantes. Sem entender a intenção de seu filho, Xavier interfere e acaba sendo morto no lugar de seu histórico rival. Com a morte de Xavier, os X-Men nunca se reúnem e Apocalipse domina o mundo. A história foi lançada em 1995 nos quadrinhos e ainda é revisitada até hoje.

Um casal mudou tudo

Os roteiristas da série animada eram Eric e Julia Lewald, que já trabalharam em vários projetos diferentes. Só que em X-Men, eles viram que seu casamento acabou influenciando a série.

Acontece que como um casal, eles começaram a conversar sobre as histórias dos X-Men que estavam preparando e perceberam que dava pra contar histórias profundas e ainda deixar o heroísmo brilhar. Assim, os dois pediram aos executivos para inserir mais foco em relacionamentos, triângulos amorosos e temas adultos. O estúdio permitiu a linha que eles queriam e pediram para que fizessem o mais sofisticado possível.

Mas não conheciam nada

O engraçado mesmo é que é difícil acreditar que dois roteiristas que trabalharam tão bem neste projeto, não conheciam nada sobre os X-Men. Quando Eric recebeu a ligação para começar o projeto, ele só sabia que era uma HQ da Marvel. Ele não conhecia o nome de nenhum personagem.

Leward então comprou uma enciclopédia Marvel do ano de 1989 e começou a estudar. Para ter mais informação, ele passou a contar com dois supervisores: Larry Houston e Will Meugniot. O problema é que eles eram tão fãs dos X-Men que o faziam encher os episódios de personagens e referências, dificultando o trabalho de Lewald em fazer algo mais orgânico, tendo que sempre podar um pouco antes de enviar o roteiro.

Mas algumas coisas passavam…

Como eu disse, os dois supervisores, que também eram produtores, eram muito fãs dos X-Men e como fãs, eles queriam bastante service. Só que a ideia não é tão simples, afinal, qualquer referência ou participação especial precisa de uma autorização do estúdio e também de uma checagem para ver se não causaria algum problema jurídico, já que a Marvel tinha distribuído os direitos de seus personagens aos ventos. E pra usá-los, era necessário pagar.

Ainda que entendessem isso, os produtores ignoraram completamente a ideia. Assim, eles começaram a enganar o estúdio: em uma participação do Homem-Aranha, o roteiro indicava ‘Mutante de Teia’. O Doutor Estranho era chamado de Um Mago. Deadpool apareceu por alguns segundos, mas era indicado como um mutante aleatório.

Mas salvaram o Fera

O estúdio responsável pela animação acreditava que Hank McCoy, o Fera, não funcionaria bem na série, já que tinha um visual muito esquisito. Entretanto, a roteirista Julia Lewald defendeu a presença do mutante, já que ele representava totalmente a ideia dos X-Men.

Ela deixou claro que os mutantes sofreriam preconceito exatamente pelas suas diferenças e Hank era um poeta gentil e danificado, que faria as garotas se apaixonarem.

Economia é tudo

Pode parecer bizarro, mas um episódio demorava quase 10 meses para ser feito. Assim, para garantir uma temporada inteira, vários episódios eram produzidos ao mesmo tempo. E a equipe estava sempre correndo contra o tempo.

De acordo com os animadores, a pior coisa do show era desenhar os próprios X-Men, já que a equipe era composta por 10 personagens totalmente diferentes que geralmente estavam correndo na mesma direção, vestidos com uniformes coloridos. Para economizar tempo, eles simplesmente pararam de fazer isso. Assim, os episódios passaram a dizer para onde eles iriam e na outra cena, eles já estavam lá. Os animadores ficaram felizes e os episódios ficaram mais dinâmicos.

O Fim

A série deveria ter acabado com uma grande batalha contra Apocalipse, com quatro personagens morrendo no processo: Tempestade, Jean Grey, Professor Xavier e Ciclope. Assim, 4 novos membros entrariam na equipe: Psylocke, Arcanjo, Bishop e Lasca. A próxima temporada traria um nome diferente para a animação, que seria chamada de X-Factor ou Fabulosos X-Men.

Tudo estava certo, afinal, a série tinha muita audiência e o estúdio encomendou uma nova temporada. O grande problema é que a Marvel estava falindo e o dinheiro da quinta temporada acabou. Assim, a qualidade de animação caiu bastante e o show foi cancelado.

Mesmo assim, os produtores decidiram fechar tudo de uma forma diferente: Xavier foi gravemente ferido e sua amante, Lilandra, do Império Shi’ar, o leva para o outro lado da galáxia para curá-lo. Os produtores acreditavam em um possível retorno e prepararam a ideia de que na nova temporada, os X-Men receberiam um pedido de socorro de Xavier e todos iriam para o espaço para resgatá-lo. Infelizmente, isso nunca ocorreu.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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