Pouca gente sabe, mas o Capitão América não nasceu na Marvel, mas sim na sua antecessora, a Timely Comics, em 1941. Ele surgiu na Era de Ouro dos Quadrinhos, sendo criado por Joe Simon e o lendário Jack Kirby. Na época, aquela ediçao era uma propaganda americana na Segunda Guerra Mundial, mas teve influência em muitos heróis que surgiram depois.
E, hoje em dia, depois de 10 anos nos cinema, o Capitão América se tornou um personagem bem presente na Cultura Pop, aparecendo em diversas mídias e se popularizou. Mesmo com a passagem de manto para Sam Wilson (algo que já ocorreu nos quadrinhos), a figura do Capitão América continua forte entre os fãs, que estão ansiosos para ver o novo dono do escudo agir em Capitão América 4. Enquanto o filme não chega, que tal conhecer mais da história do personagem?
Vingadores #4

Para muitos, a verdadeira origem dos Vingadores não data de sua primeira edição, mas sim da quarta. Isso porque em Vingadores #4 Stan Lee e Jack Kirby decidiram trazer de volta o Capitão America, criado por Joe Simon e pelo próprio Kirby como um herói da Segunda Guerra Mundial, e esquecido no limbo desde então. Na trama, os recém-reunidos Vingadores encontram o corpo do Capitão América congelado, descobrindo que o soro do supersoldado que corre em suas veias o manteve vivo e em animação suspensa durante anos. Ao acordar, em uma época completamente diferente, Rogers e junta às fileiras da equipe enquanto tenta se encaixar em um mundo tão diferente daquele em que viveu.
Recontando a origem

Anos depois de terem trazido o Capitão América de volta para um nova geração de leitores, Lee e Kirby começaram a enxergar a necessidade de recontar a sua origem. Assim, em 1969, mais exatamente em Captain America #109, as duas lendas do quadrinhos trouxeram uma nova visão para a história de como Steve Rogers se tornou o Capitão América.
A história, intitulada “O Herói do Passado” é considerada como um dos melhores trabalhos artísticos de Jack Kirby, e já foi publicada no Brasil em Coleção Histórica Marvel #1 – Capitão América, pela editora Panini.
Império Secreto

Depois de chegar à conclusão de que o Capitão América era mais do que um super-herói, era um símbolo, o escritor Steve Englehart resolveu trabalhar um pouco mais a humanidade do homem debaixo da máscara, durante sua fase pelo título. Em um enredo que continha alusões nem um pouco sutis à Richard Nixon e o Escândalo de Watergate, o Capitão América vê o seu mundo e tudo em que acredita ser abalado na história “Império Secreto”. Aqui, o Capitão segue uma conspiração criminosa que o conduz ao cargo mais alto dos EUA. Quando Steve faz sua descoberta chocante, o presidente comete suicídio, quebrando a confiança do Vingador nos ideais e na pureza da América. “Como milhões de americanos, cada um a sua maneira, ele vê sua confiança ser ridicularizada”, diz o roteiro de Englehart.
Com a decepção, o Capitão América iria temporariamente largar a vida de super-herói, voltando pouco tempo depois. No entanto, olhando de uma forma aberta e honesta a decomposição da liderança política americana, Englehart adicionou um nível de profundidade e maturidade para o título do personagem. Antes dessa história, o Capitão América nunca havia desacreditado em seu país, e tal acontecimento iria ainda inspirar muitos roteiristas no futuro.
Sob Ataque

Um dos momentos mais memoráveis do Capitão América vem de uma saga clássica dos Vingadores que é incansavelmente pedida pelos fãs por um republicação: Sob Ataque, escrita por Roger Stern e desenhada por John Buscema. Sob Ataque nada mais é do que a primeira história a mostrar os Vingadores completamente despedaçados e sem rumo antes mesmo da moderna Vingadores: A Queda. Na trama, o Barão Zemo reúne novamente os Mestres do Terror, mas decide que dessa vez sua ofensiva será mais violenta e decisiva, e simplesmente invade a mansão dos Vingadores e a toma para si, ao pegá-los completamente desprevenidos.
No entanto, o momento mais emblemático da saga é quando percebemos o quanto o Capitão América é fragilizado em seu íntimo, por ser um homem fora de seu tempo. A cena na qual Steve Rogers chora ao ver que seus itens pessoais foram destruídos – incluindo a única foto que tinha de sua mãe – é de partir o coração.
A bomba Enlouquecedora

Em meados de 1976 e 1977, após uma passagem pela concorrente DC Comics, Jack Kirby voltou à Marvel para comandar sozinho a revista do personagem que criou. Dessa fase, sua história mais famosa é sem dúvidas o arco “Madbomb”, publicado em Captain América #193 a 200.
Na trama, que contempla toda aquela velha questão política e social da década de 70, Steve Rogers precisa impedir uma bomba que afeta os nervos, ao lado do seu velho companheiro Sam Wilson, o Falcão. Essa passagem de Kirby nos apresenta ainda um personagem que viria a se tornar um dos mais bizarros e perigosos inimigos do Capitão América: o cientista nazista Arnin Zola.
Capitão América Nunca Mais

Não é só o Homem-Aranha que passa por problemas de identidade. O mais ícone do universo Marvel e um verdadeiro símbolo para todos os outros heróis, o Capitão América também possui suas dúvidas e momentos em que repensa o seu lugar no mundo como um super-herói e os caminhos trilhados pelo seu pais. Em 1987, quando Mark Gruenwald esteve à frente dos roteiros do personagem, em uma das passagens mais políticas da revista do herói, entregou a sensacional saga Nunca Mais! que perdurou a incrível marca de 19 edições, indo de Captain America #332 a #350.
Quem já leu essa história e assistiu ao recente trailer do filme Capitão América: Guerra Civil, provavelmente percebeu algumas similaridades entre ambos. Isso porque, na HQ, Rogers é confrontado pelo governo dos EUA pelo fato de ser sido criado como um projeto governamental, mas estar agindo de forma independente desde que ressurgiu e se juntou aos Vingadores. Assim, o Capitão se vê diante de um impasse: ou volta a trabalhar para o governo, ou abandona o uniforme.
É durante essa fase que Steve Rogers assume o icônico uniforme preto sob a alcunha apenas de “Capitão”, enquanto o governo convoca o violento e errático John Walker para ser o novo Capitão América. O confronto, obviamente, é inevitável.
Fase Mark Waid

Um dos pontos mais interessantes na história do Capitão América – e que infelizmente alguns roteiristas parecem esquecer – é justamente o fato dele ser um homem de um outra época, que de repente se viu acordando nos dias atuais. Ou seja, literalmente um homem fora de seu tempo.
Mantendo isso em mente, o aclamado escritor Mark Waid foi responsável por uma ótima fase do Capitão, que mostra diversos momentos da trajetória do personagem, mas sempre focando na forma como Steve Rogers encara esse mundo moderno e o quanto esse conflito está sempre dentro de seu interior. Um incrível apanhado sobre a história desse herói.
Vale dizer que, ao longo dos anos, Mark Waid foi e voltou ao Capitão América. Mas todas as suas histórias valem a leitura.
Fase Brubaker

A fase do roteirista Ed Brubaker pelo título do Capitão América não é apenas uma das mais longas, como também aquela que é aclamada por muito como a melhor fase que a Sentinela da Liberdade já teve nos quadrinhos. Isso porque em seu arco inicial Brubaker já chegou com os dois pés na porta, trazendo o antigo parceiro de Rogers de volta, Bucky Barnes, dessa vez sob a forma de um mortífero e perigoso vilão: O Soldado Invernal. Após ter sobrevivido à Segunda Guerra – tendo apenas perdido um braço – Bucky foi capturado pela União Soviética, onde sofreu uma lavagem cerebral e passou a trabalhar como espião e assassino, se tornando uma verdadeira lenda no submundo.
Como se não bastasse ter trazido Bucky de volta, Brubaker ainda direcionou com maestria a revista do Capitão América durante o período da Guerra Civil, culminando com o fatídico momento em que Steve Rogers é assassinado na escadaria do Capitólio. Um momento emblemático, que foi reproduzido até mesmo nos meios de comunicação na época de seu lançamento.
Nova Marvel

Após a saga Pecado Original, em sua nova fase intitulada Nova Marvel, a Marvel decidiu tirar novamente Steve Rogers de cena – envelhecido por não ter mais o soro do supersoldado nas veias – passando o seu escudo para outro personagem. Mas dessa vez não se trata de Bucky Barnes, e sim um outro antigo parceiro do Capitão América: Sam Wilson, o Falcão.
Escrita por Rick Remender e com arte de Stuart Immonem, a revista chega para mudar paradigmas. Segundo a Marvel, durante anos o Falcão serviu como aliado do Capitão América, e agora é hora de tentar uma nova dinâmica, com o idoso Steve Rogers servindo como estrategista para o novo Capitão.
Os Supremos

Escrita por Mark Millar e com desenhos de Bryan Hitch, Os Supremos faz parte do universo Ultimate, uma linha alternativa da Marvel onde os Vingadores foram reinventados com uma pegada mais realística para uma nova geração. Aqui, os Supremos agem sob a sanção da Shield, e são um super-grupo para a defesa dos EUA e, obviamente, do mundo. Com histórias mais “pé no chão” e com origens e explicações de poderes mais plausíveis, Os Supremos é aclamada por público e crítica como um dos melhores materiais já produzidos pela Marvel, e está sempre figurando entre as listas de melhores gibis da década passada.
E um dos personagens mais interessantes nessa nova roupagem é justamente o Capitão América. Aqui, Steve Rogers é tão patriota – ou até mais – que sua contraparte no universo regular, mas com algumas diferenças na maneira de pensar e agir. Se o Capitão original é praticamente um escoteiro certinho, o Capitão Ultimate é violento, temperamental, e não tem papas na língua. Apesar de alguns fãs mais xiitas criticarem essa abordagem do herói, Os Supremos sem dúvida apresenta uma das melhores versões paralelas do personagem.






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