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O Batman do diretor Matt Reeves ganhou um novo trailer, que elevou ainda mais as expectativas dos fãs para essa nova versão cinematográfica do Homem-Morcego, que dessa vez é interpretado pelo astro Robert Pattinson.

Mas o que diferencia esse Batman de todas as outras iterações do Cavaleiro das Trevas que já vimos no cinema? Bom, além de termos um Batman em início de carreira novamente, o diretor Matt Reeves garante que o seu foco está no lado detetive do Batman. Um lado que, convenhamos, apesar de ser crucial para o cerne do personagem, sempre foi pouco explorado em live-action. Hoje, separamos 6 HQs que estão sendo usadas como inspiração para o novo filme, e que vão fazer você ter uma ideia do que esperar quando for ao cinema.

Ano Um

Já tivemos um filme de origem do Batman, que foi o Batman Begins, de Christopher Nolan, em 2005. E apesar de The Batman trazer um Bruce Wayne mais jovem e em início de carreira, até onde sabemos não é necessariamente um filme de origem. No entanto, o aspecto de um Batman inexperiente e muito mais nervoso deve estar presente.

O diretor, Matt Reeves, já chegou inclusive a compartilhar em seu Twitter uma imagem de Batman: Ano Um, comprovando que no mínimo a obra vem sendo usada como referência. Ano Um é uma das obras mais famosas e importantes do Batman, escrita por Frank Miller e ilustrada por David Mazzucchelli, e aborda não apenas o primeiro ano de Bruce Wayne de volta a Gotham como vigilante, mas também a chegada de Jim Gordon à cidade, quando ainda era apenas tenente. Na história vemos uma cidade tomada pela corrupção e uma polícia completamente entregue a um sistema ilícito, que são aspectos que Reeves já deixou claro que serão levados para seu filme.

O Longo Dia das Bruxas

Outra inspiração de Reeves vem de O Longo Dia das Bruxas, de Jeph Loeb e Tim Sale, que também traz o Batman em seus primeiros anos de atuação em Gotham. Existem dois pontos nessa HQ que devem ser importantes para o filme: o primeiro e mais óbvio é o papel do influente e poderoso chefão da máfia, Carmine Falcone, que será interpretado no filme por John Turturro. E o segundo, é o foco naquilo que Reeves vem prometendo desde que assumiu o projeto: um grande foco no Batman detetive.

A HQ inclusive já foi parcialmente usada como inspiração em Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, principalmente no que se refere à parceria entre Batman, Jim Gordon e o promotor público Harvey Dent, que acaba mais tarde sofrendo um acidente e se transformando no Duas-Caras. Mas o aspecto que irá para o filme de uma forma mais palpável provavelmente será o da busca pelo “Feriado”, um assassino misterioso que está matando membros das mais importantes famílias de mafiosos vinculados aos Falcone, a cada feriado ou dia comemorativo. No filme teremos o Charada cumprindo esse papel de um misterioso assassinos provocando que o Batman o encontre.

A Fase de Dennis O’Neil

Matt Reeves já falou várias vezes o quanto é fã do Batman detetive, e em uma dessas ocasiões ele exaltou o seu autor favorito no que se refere a esse aspecto específico do Homem-Morcego: Dennis O’Neil, um dos mais importantes escritores do Batman, devido à reformulação que fez com o personagem em um momento crucial.

Quando O’Neil chegou ao Batman nos anos 70, as últimas duas décadas haviam sido cruéis com o Homem-Morcego. Graças ao psiquiatra Fredric Wertham e seu livro A Sedução do Inocente, os quadrinhos de super-heróis se viram sob ataque, e assim foi criado o Comics Code Authority, com uma série de restrições. Batman foi um dos personagens mais afetados, já que suas histórias precisavam ser sempre coloridas e simpáticas às crianças. É por isso que a série do Batman de Adam West dos anos 60 é… daquele jeito.

Foi Dennis O’Neil, nos anos 70, quando o código já começava a perder força, que começou a reinventar o Batman, conferindo-lhe novamente as trevas que lhe caiam tão bem. Além de colocar nas histórias temas importantes como racismo, drogas, guerra e violência urbana, O’Neil colocava sempre um foco no Batman usando seu intelecto para investigar pistas e resolver crimes.

Batman: Terra Um

Voltando aos primeiros dias de Bruce Wayne como Batman, temos Batman: Terra Um, de Geoff Johns e Gary Frank, que reinventa as origens do Homem-Morcego de uma forma mais moderna e com algumas liberdades. Uma das maiores diferenças vem com Alfred, por exemplo, que não apenas um mordomo, mas sim um ex-militar veterano e bom de briga.

Bruce Wayne também tem diferenças cruciais aqui, que podem na verdade enfurecer os fãs mais ardorosos do Batman, aqueles que adoram o mantra de que “o Batman com preparo” pode encarar até Deus. Em Terra Um, temos um Bruce Wayne que sequer é um mestre em artes marciais, tendo aprendido o pouco que sabe de acrobacias e artes marciais, com o próprio Alfred. Isso faz com que ele seja terrível em suas primeiras tentativas como vigilante, o que dá um ar ainda mais humano ao personagem.

O primeiro volume traz Batman investigando o assassinato de seus pais, que ele acredita ter sido perpetrado pelo atual prefeito de Gotham, Oswald Cobblepot, o Pinguim. E como sabemos, o Pinguim está no filme, onde é interpretado por Colin Farrell. E se formos considerar o visual do personagem no filme, podemos assumir que Reeves esteja usando essa encarnação dos quadrinhos para fundamentar o seu Pinguim.

Ano Zero

Já temos duas coisas que são certas a respeito de The Batman: a primeira é que o filme trará um Bruce Wayne em início de carreira na luta contra o crime, e a segunda é que o principal antagonista será o Charada, interpretado pelo ator Paul Dano. E, bom, levando em consideração essas informações, existe uma HQ que traz esses dois dois aspectos específicos: Batman: Ano Zero, de Scott Snyder e Greg Capullo.

O arco final de Ano Zero traz o Charada como vilão, de uma forma que poucas vezes vemos o personagem sendo tratado. Charada consegue colocar Gotham inteira a seus pés, praticamente escravizando os cidadãos com enigmas mortais diários. Dentro da cronologia dos Novos 52, foi a primeira ameaça em grande escala que Bruce Wayne enfrentou como vigilante, e vemos um Charada muito mais perigoso e manipulador do que estávamos acostumados.

Aliás, a inspiração em Ano Zero parece ir além do conceito,indo também para os aspectos visuais. A motocicleta de morcego temática, por exemplo, vista em imagens de bastidores, tem um design muito parecido com a de Ano Zero.

Batman: Ego

E dentre todas, existe uma história do Batman que Matt Reeves considera como fundamental para a construção de seu filme: Batman: Ego, que conta com roteiro e arte de Darwyn Cooke. A obra aborda uma intensa e emocional luta interna do Batman, tentando descobrir qual o seu real propósito de existir em Gotham. De acordo com Reeves, ele queria abordar de forma intensa a psicologia do Batman e sua dualidade, e por isso essa HQ foi tão importante, já que ela traz o personagem tentando encontrar o “ego”, o equilíbrio entre Bruce Wayne e Batman.

Curiosamente, a HQ recebeu a alcunha de “a melhor história do Batman que ninguém conhece”, algo que deve mudar, agora que ela ficou em bastante evidência por ser crucial para o filme, sendo inclusive lançada em capa dura no Brasil pela Paninia. Batman: Ego se mostra um grande estudo de personagem sobre a humanidade de Bruce Wayne, e não apenas o símbolo que o Batma representa.

Provavelmente, o Batman de Robert Pattinson estará sempre à beira do abismo, um aspecto pouco abordado em live-action, mas que é um dos mais interessantes da psique do Homem-Morcego.



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