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Elden Ring representa o próximo passo na extremamente popular fórmula “souls” da desenvolvedora japonesa From Software, que já nos apresentou Demon’s Souls, Dark Souls 1, 2 e 3, Bloodborne e Sekiro: Shadows Die Twice – esse último, aliás, eleito Jogo do Ano em 2019.

Agora, Hidetaka Miyazaki, presidente da From Software e idealizador desses jogos que criaram basicamente um novo gênero na indústria dos games, nos mostra como seria um bom e velho “souls” funcionando como jogo aberto em Elden Ring. O que muda? O que se mantém? Nós já jogamos algumas horas da beta do game, e hoje trazemos aqui algumas considerações.

https://www.youtube.com/watch?v=ucHWaoh52mg

As Classes

A primeira grande decisão em Elden Ring é a sua escolha de classe. A beta apresenta apenas cinco, mas devemos ver mais delas no jogo final, que chega em fevereiro. Por enquanto temos: Warrior (Guerreiro), Enchanted Knight (Cavaleiro Encantado), Prophet (Profeta), Champion (Campeão) e Bloody Wolf (Lobo Sangrento).  Mas como nos outros jogos do estúdio, a verdade é que a classe não importa muito a longo prazo, sendo apenas um pontapé inicial para como você quer montar a sua build. Com o tempo, você pode adequar o personagem da forma que melhor se encaixa com seu estilo de jogo.

Liberdade e… linearidade?

Obviamente, como estamos falando de um jogo de mundo aberto, a exploração já muda drasticamente a maneira como enxergávamos os jogos souls, que contavam com uma certa linearidade misturada a ambientes amplos e interconectados, com dezenas de passagens e atalhos. Agora, temos um mundo enorme para explorar, e isso já causa um impacto. Na beta, temos apenas uma parte do mapa livre para explorar, que é a região oeste de Limgrave.  Com poucas horas de jogo, entendemos como as coisas funcionam no aspecto exploração, e como a From Software conseguiu infundir seu popular subgênero  em um jogo de mundo aberto.

Pelo mapa, podemos encontrar os “Locais de Graça”, que basicamente funcionam como as fogueiras de Dark Souls ou as lanternas de Bloodborne. É possível, inclusive, se teleportar a qualquer momento de um local de graça para outro, apenas acessando o mapa. Além disso, quando o jogador encontra um novo local, ele passa a emitir uma luz disforme que sempre aponta para alguma direção – que pelo que entendemos é a direção que precisa ser seguida para aqueles que querem avançar logo na história.

Dessa forma, parece que fica a critério do jogador a exploração, ainda que eu considere impossível que alguém consiga avançar sem  antes se fortalecer pelo mapa. Pois é, embora pareça à primeira vista uma certa linearidade, não se engane, aparentemente é só um aspecto de gameplay para que você não fique completamente perdido – pelo menos não mais do que já vai ficar normalmente.

Na dúvida, siga a luz!

Exploração

Havia uma certa preocupação em como a fórmula souls seria traduzida para um jogo de mundo aberto, mas felizmente a From Software não apenas soube mesclar muito bem as coisas, como ainda entregou um mundo extremamente satisfatório.  Hoje, existem muitos jogos de mundo aberto, e todos parecem seguir uma certa tendência, que consiste basicamente em pontos de interesse, colecionáveis e missões secundárias. Quem já jogou qualquer jogo da From, já imaginava que as coisas não seriam assim em Elden Ring.

Nesse aspecto, se formos comparar com outros jogos populares do gênero, dá para dizer que Elden Ring está muito mais distante de um The Witcher 3 ou Assassin’s Creed Valhalla, mas muito mais próximo do que a Nintendo fez em Zelda: Breath of The Wild, um jogo que em seu lançamento chamou muita atenção pela forma inteligente como utilizava o conceito de mundo aberto.

E o legal é que isso é recebido no jogo de forma muito natural, afinal essa ideia de exploração “às cegas” sempre fez parte do cerne dos jogos Souls, que nunca contaram com um mapa ou qualquer direcionamento. Na verdade, eram jogos que, mesmo sem um mundo aberto, não eram exatamente lineares e que deixavam por muitas vezes o jogador escolher o caminho que queria seguir primeiro. Esse conceito, obviamente, está presente em Elden Ring de uma forma expandida, afinal agora temos um mapa cheio de possibilidades.

Um mundo enorme a ser explorado

E sério,  são muitas possibilidades mesmo. Caminhar por uma praia pode te levar a uma caverna, que pode muito bem ter um chefe escondido só te esperando. Montanhas podem ser o lar de monstros gigantes nada receptivos. Tentar atacar um monstro-caranguejo sozinho em um lago pode se revelar uma armadilha mortal. E se a terra começar a tremer enquanto você está passando, cuidado, pode ser um gigante despertando da soneca.

O mundo de Elden Ring estimula a exploração, faz com que você fique curioso a respeito de cada pedacinho de terra e o potencial do que pode ser encontrado ali. E olha que estamos falando apenas de cerca de um quarto do mapa que foi liberado para essa beta de teste. Para facilitar essa exploração, temos Torrente, sua montaria espectral, que pode ser invocado em qualquer ponto do mapa (desde que você não esteja em uma dungeon ou outro lugar fechado).

Torrente pode ser morto se receber ataques, e precisa ser ressuscitado ao custo de um dos Frascos usados para recuperar os pontos de vida do jogador – então, cuidado com seu cavalo. Quer dizer, ele tem chifres, então não é bem um cavalo, mas vocês entenderam.

Torrente, um amigão para todas as horas

Aliás, um aspecto interessante sobre os frascos é que, assim como em Dark Souls 3, existem dois tipos deles, um para restaurar pontos de vida e um para restaurar pontos de magia. Eles são chamados no jogo, respectivamente, de Frascos de Lágrimas Carmesins e  Frascos de Lágrimas Cerúleas. E também como DS 3, você pode remanejar quantos frascos de cada pretende carregar. Nessa beta, o número máximo de frascos é 4, e você decide quantos quer carregar de cada item.

Dificuldade e Chefes

O aspecto mais definidor dos jogos da From Software, sem dúvidas, é a dificuldade. Mas como manter isso, quando você tem agora um mundo aberto com bastante conteúdo para que o jogador evolua suas habilidades em diferentes pontos até que fique forte o suficiente para avançar na história? Bem, é difícil responder a isso tendo acesso apenas a uma beta com um limite geográfico no mapa, mas o que podemos dizer no momento é que a dificuldade é a mesma de sempre – aquela que faz os fãs do gênero  comemorarem, e os não-iniciados chorarem. Não é nada punitivo como Sekiro, sendo mais na pegada de Dark Souls 3, mas existem elementos que podem facilitar alguns confrontos, como Cinzas de Guerra e as Invocações Espectrais.

Se tem uma coisa que a From nunca erra… é no visual aterrorizantes dos Chefes

Quanto aos chefes, fiquei feliz em ver que existem muitos deles espalhados pelo mapa. Claro, não são os chefes importantes da história, mas inimigos intermediários, opcionais. Alguns são mais fáceis, outros bem mais difíceis, mas fiquei feliz em ver que provavelmente o jogo final estará recheado desses encontros.

Nessa beta, existe um chefe principal: Margit, o Agouro Caído. E ele parece ter sido idealizado especialmente para essa parte do jogo, de forma a estar na beta. Afinal, ele é um chefe que representa de uma forma perfeita o que são as lutas contra chefes nos jogos da From. Gigantesco, extremamente ágil e com um padrão de movimentos que por vezes consegue ser meio imprevisível, Margit é o tipo de inimigo que evoca as melhores (e as piores) memórias de Dark Souls e Bloodborne.

Dark Souls 4?

Desde Demon’s Souls, a From Software continuou evoluindo esse novo gênero, o soulslike, até chegar a Sekiro: Shadows Die Twice, que foi a bola fora da curva. O Jogo do Ano de 2019 ainda era tão punitivo (ou mais) quanto seus irmão, mas era bem diferente deles em muitos aspectos. Aspectos esses que foram trazidos para Elden Ring, como pulo, um menor dano em quedas, um personagem mais ágil (mesmo com armadura completa), e terrenos menos planos e mais irregulares, como montanhas e declives. Mas não há como negar e os trailers já  evidenciavam isso: existe muito (muito mesmo) de Dark Souls em Elden Ring.

Dark Souls, é você?

E sinceramente? Miyazaki claramente não parece ter o menor problema com isso. O diretor já havia declarado outras vezes que Elden Ring seria “uma evolução natural de Dark Souls”, e é exatamente isso que vemos no jogo. Embora alguns queiram, de forma pejorativa, chamar Elden Ring de “Dark Souls 4” ou defini-lo como um “Dark Souls de mundo aberto”, bem… ele realmente é quase isso – e na verdade, esse é o seu brilho.

Seja conceitualmente, seja no sistema de magia, disposição do inventário e até mesmo nos NPCs enigmáticos, Elden Ring grita Dark Souls. Porém, ele conta com inovações o suficiente para, ainda assim, ser algo novo e interessante – mesmo para aqueles que já jogaram cada um dos “New Game Plus” de cada um dos Dark Sousl.

Conclusão

A conclusão a que chegamos nessas primeiras  impressões de Elden Ring não poderia ser outra: vai valer cada minuto da espera quando o jogo finalmente for lançado em 25 de fevereiro de 2022. Aqueles apaixonados pela fórmula souls, ficarão completamente apaixonados por esse mundo. E quanto àqueles que nunca se deram bem com a dificuldade punitiva dos jogos da From… quem sabe você não se sinta mais estimulado sabendo que existe um mundo enorme para se preparar antes de ir para o confronto?



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