Desde que foi anunciado pela Warner Bros. Pictures, ‘Matrix Resurrections‘ causou grande desconfiança no público, e não apenas pelo fato das duas sequências originais terem recepções divididas, mas a verdade é que Lana Wachowski estava afastada da tela grande, e não conseguia emplacar um sucesso que trouxesse confiança suficiente.
Desta vez, mesmo sem a companhia da irmã Lily Wachowski, Lana consegue entregar seu melhor trabalho em muito tempo, honrando elementos da trilogia ao mesmo tempo que tem sua própria voz, por vezes até mais divertida e leve.
Aliás, é surpreendente como algumas informações importantes foram omitidas da campanha promocional. Mas não se preocupe, pois essa crítica não trará nenhum spoiler.

Na trama, acompanhamos Thomas Anderson, que se sente preso em um mundo de duas realidades — a vida cotidiana e o que está por trás dela. O protagonista terá que escolher seguir o coelho branco mais uma vez, pois só assim a verdade será revelada.
Antes de qualquer coisa, vale destacar que a relação entre Neo e Trinity é o fio condutor da franquia, e me impressionou como Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss continuam formando a dupla perfeita. Não me surpreende que os dois tenham se empolgado com as ideias deste roteiro, pois estão revitalizados, como se fosse a primeira vez.
Aos apaixonados, já ouviram sobre aquele velho ditado? “O amor supera qualquer barreira”? Pois é, podemos dizer que isso existe no filme, aliado a um sentimento de urgência único.

O ritmo do filme é agradável, e Lana Wachowski consegue utilizar bem a duração de praticamente 2 horas e 30 minutos. Existem trechos com explicações e detalhes importantes que poderiam ter ficado bem tediosos, mas novamente: há uma linguagem muito mais natural desta vez.
Então, mesmo que seja preferencial ter assistido aos três anteriores, é possível que não fique totalmente perdido caso queira se aventurar na Matrix diretamente em Resurrections.
E por falar na linguagem, chama a atenção como Lana também explora a ironia e comédia no primeiro ato, tudo enquanto incorpora elementos do mundo moderno nesse código antigo da Matrix.

O elenco de apoio me agradou bastante, especialmente Jessica Henwick como Bugs. A atriz conhecida por ‘Punho de Ferro’ entrega uma ótima energia como aliada de Neo em sua nova jornada, sempre com uma atitude amigável, porém, letal quando necessário.
Tive a chance de rever a trilogia original recentemente, e sinto que tanto Reloaded quanto Revolutions simplesmente “jogam” vários personagens na tela sem muito tempo para explicações ou processamento.
Yahya Abdul-Mateen II é o novo Morpheus, e considerando que toda a extensão de sua participação pode entregar detalhes importantes do enredo, só posso dizer que o ator se manteve no ritmo de projetos recentes da carreira: excelente.
Não há dúvidas de que é uma das grandes revelações de Hollywood nos últimos anos.

A participação de Jonathan Groff como Agente Smith é… curiosa, no mínimo. Ainda que o ator consiga se destacar com sua própria versão do icônico vilão, continua sendo difícil separá-lo de Hugo Weaving, que não pôde participar devido um conflito de agenda na época das filmagens.
Fiquei um pouco desapontado como Smith fica de lado sem muita explicação em alguns momentos. Mas seu desfecho traz satisfação, e deve surpreender especialmente os fãs mais antigos.
Além dele, também há uma escassez de outros agentes, ainda que isso seja explicado na trama. No final das contas, não é um peso que desequilibra a balança, por assim dizer.

Fica a menção honrosa ao sempre ótimo Neil Patrick Harris, intérprete do Analista. Novamente, é difícil trazer uma grande análise sem entrar no campo dos spoilers, mas fique ciente que sua participação tem grande importância.
E ele também tem um gatinho de estimação (atento ao nome), e isso é legal!
Conclusão

‘Matrix Resurrections’ consegue até com facilidade trazer um resultado superior a ‘Matrix Reloaded‘ e ‘Matrix Revolutions‘.
Apostando nas conhecidas sequências de ação, além do romance (perfeito) entre Neo e Trinity, o filme se esquiva da bala que dizia “outra sequência desnecessária”, e apesar da declaração da diretora descartando uma nova trilogia, por que não pensar no futuro?
Afinal, essa talvez seja a hora perfeita para a franquia voar novamente.






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