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Após diversas polêmicas e quatro longos anos de espera, a franquia de Animais Fantásticos finalmente ganhou seu terceiro filme, intitulado “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore”. Com direção de David Yates e roteiro de Steve Kloves e J. K. Rowling, o longa dá sequência às aventuras de Newt Scamander, um magizoologista que carrega em sua maleta uma coleção de fantásticos animais do mundo mágico. 

Na tentativa de se redimir do fracasso de “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” (2018), que não foi bem recebido pela crítica e pelos espectadores, a sequência se esforça para entregar uma história mais coesa e bem desenvolvida. E, sim, até consegue se sair melhor do que seus antecessores, mas ainda sofre para encontrar relevância em seu próprio universo, que precisa recorrer à nostalgia de Harry Potter para tentar se sustentar.

Os Segredos de Dumbledore” acompanha o professor Alvo Dumbledore (Jude Law) contra o poderoso mago das trevas Gellert Grindelwald (Mads Mikkelsen), que está se movimentando para assumir o controle do mundo mágico. Incapaz de detê-lo sozinho, ele pede que Scamander (Eddie Redmayne) lidere uma intrépida equipe de bruxos e um corajoso padeiro trouxa em uma missão perigosa. Na nova aventura, eles encontram velhos e novos animais e entram em conflito com a crescente legião de seguidores de Grindelwald. Mas com tantas ameaças, quanto tempo poderá Dumbledore permanecer à margem do embate?

Logo no início, é perceptível a mudança de tom na condução da narrativa, que tenta trazer algo mais maduro, sombrio e político para a franquia. Essa mudança favorece o aprofundamento da história e dos “segredos” de Dumbledore e de sua relação com Grindelwald, que é, sem dúvidas, um dos pontos fortes do filme. Apoiadas na bela atuação de Jude Law, revelações sobre o passado de Alvo Dumbledore enriquecem a história do personagem, que é um dos bruxos mais poderosos e intrigantes do mundo mágico. 

A culpa pela morte de sua irmã, a relação conflituosa com seu irmão, seus sentimentos por Grindelwald e a dor por Credence conseguem transmitir a complexidade e a grandiosidade de Dumbledore. É possível perceber esse mix de sentimentos carregado por Alvo em pequenos detalhes ao longo do filme, culminando na cena final, que é capaz de resumir perfeitamente a solidão em que se encontra.

No entanto, os elogios não vão apenas para Jude Law, já que Mads Mikkelsen se mostrou totalmente competente ao assumir o papel de Gellert Grindelwald. O astro traz um vilão mais imponente, enigmático e ameaçador, fugindo da versão mais caricata construída por Johnny Depp, o que acompanha o tom da nova produção. Com a ajuda de um roteiro mais coeso do que vimos no segundo filme da saga, os planos e intenções do antagonista se tornam mais claros para quem assiste.

Apesar de solucionar muitos erros dos filmes anteriores e se esforçar para trazer sentido à franquia, a sensação que fica é que ela ainda se perde na busca de sua própria relevância. Os pontos positivos não escondem o fato de que a história continua andando em círculos, adicionando poucos elementos importantes e que realmente serão capazes de impactar o futuro de Animais Fantásticos. Os Segredos de Dumbledore parece existir mais para corrigir problemas passados do que para desenvolver novas histórias, deixando poucos ganchos importantes para os próximos filmes que virão.

Esse problema também pode ser observado quando olhamos para os demais personagens introduzidos na franquia. Poucos parecem sair da superficialidade e realmente evoluir ao longo dos três filmes, como é o caso de Tina (Katherine Waterston), Credence (Ezra Miller) e do próprio protagonista, Newt Scamander (Eddie Redmayne). Por outro lado, Jacob Kowalski (Dan Fogler) tenta segurar esse grupo com seu carisma e crescimento ao longo da história. 

Quanto às adições da sequência, Eulalie Hicks, interpretada por Jessica Williams, se destaca por sua habilidade e rende cenas bonitas, apesar do roteiro não se aprofundar mais em sua trama. Em meio a tantos personagens, cabe pouquíssimo espaço para Maria Fernanda Cândido, que apesar de viver uma bruxa relevante para o cenário político proposto, ocupa um papel sem muitas falas. Contudo, podemos ficar orgulhosos pela atuação da brasileira, que conseguiu interpretar Vicência Santos com muita elegância.

Assim, é dessa forma que “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” tenta se redimir da bagunça que criou no segundo filme. Uma história bonita e divertida que após três filmes finalmente introduz “decentemente” o conflito entre Dumbledore e Grindelwald, mas que ainda peca pela falta de tramas relevantes e capazes de impactar o futuro da saga. A ausência desses momentos é preenchida por nostalgia e referências, na tentativa de cativar os fãs do universo de Harry Potter, o que evidencia o quanto Animais Fantásticos ainda tem dificuldades de “andar com suas próprias pernas”. Será que a saga vai conseguir conquistar de vez sua redenção nos próximos dois filmes?

Nota 7


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