‘Top Gun: Maverick‘ é um recado de Tom Cruise para o mercado moderno de cinema, onde ele avisa que está velho, mas que ainda é muito bom fazendo filme.
Quando este filme foi anunciado, muitos se perguntaram o que justificaria contar uma nova história com Tom Cruise no papel de Pete Maverick. Como seria possível?

Acontece que, os talentosos roteiristas Ehren Kruger, Eric Warren Singer e Christopher McQuarrie deram seu jeito, e exploraram uma fagulha de justificativa, para desenvolver uma trama simples, que serve de plano de fundo para vermos cenas capazes de arrancar lágrimas de nossos olhos.
No longa, Maverick vive um verdadeiro dilema quando sua carreira de piloto de teste está prestes a acabar, pois o governo dos EUA quer parar de investir no seu programa, para focar seus esforços em melhorias em drones não tripulados. O que salva nosso herói da aposentadoria, é a necessidade da Top Gun de executar uma missão impossível, que deixa a escala da destruição da primeira “Estrela da Morte” de Star Wars no chinelo.
Com isso, o Capitão da Marinha vai ter que treinar os melhores pilotos dos EUA, para que eles executem esta missão impossível e suicida, e saiam dela vivos.
Pronto, o filme está resumido. O fato é que, se sinopse vendesse filme, ‘Top Gun: Maverick‘ seria um fracasso de bilheteria retumbante.

Mas ainda bem que não vende. Aliás, outro pecado que este filme escapa de cometer, é de tentar substituir Tom Cruise na franquia. E olha, o começo até dá dicas de que vai haver uma passagem de bastão para o Miles Teller, mas isso não acontece.
O que o filme entrega é quase uma celebração à figura do Tom Cruise, com seu personagem provando, que apesar da idade, e da tecnologia, não é o avião que decide, e sim o piloto, e Maverick é o melhor piloto dos Estados Unidos da América.
É muito difícil existir um filme perfeito, e este não é. Ele tem um segundo ato um pouco arrastado, uma trama de romance com o protagonista que poderia ter sido cortada, e a direção opta por colocar uns filtros com uns tons amarelados e outros azulados, vindos do primeiro filme, que incomodam um pouco em alguns momentos.
Mas isso é mínimo perto da verdadeira magnitude que ele tem, que é definida pela fotografia de suas cenas de voo, que fazem você se perguntar a todo tempo como foi possível filmá-las.

“Take My Breath Away” (“Tire o meu fôlego” em tradução livre), de Berlin, é a música tema do primeiro filme, mas poderia muito bem ser a deste, principalmente pelo seu terceiro ato, que é em disparado a sua melhor coisa.
Você parece estar afundando no seu acento de tão tensas que as cenas são, e isso tem muito do mérito da direção do Joseph Kosinski, e claro da atuação do elenco.
O tom da voz dos personagens, o suor na cara, suas microexpressões, seus rostos deformados pela força da gravidade. Tudo isso está registrado por câmeras IMAX, que te levam para dentro do cockpit dos pilotos, onde você sente exatamente o que eles estão sentindo.
Além disso, o design de som, a mixagem, e claro, a trilha sonora espetacular do filme, completam a experiência imersiva que ele se propõe a entregar.

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Todas as cenas de ação são muito emocionantes e arrepiam quando assistidas. Tirando elas, uma cena específica que não é de ação, com Val Kilmer, também emociona bastante. Aliás, a produção foi bem criativa para conseguir exibir diálogos do Iceman, mesmo com a impossibilidade do ator de falar.
No fim, após o filme te entregar tudo que te prometeu como se tivesse te dado um abraço, ele registra um aviso de Tom Cruise às mudanças que o mercado dos filmes está sofrendo, de que os métodos “analógicos” de se fazer cinema ainda funcionam.
Afinal, não é o filme ou onde ele é lançado que decide, e sim quem está fazendo ele, e Tom Cruise é um dos melhores atores e produtores de Hollywood.
Tal qual o ‘Batman‘ de Matt Reeves, este filme carimba seu passaporte para o Oscar 2023. Vai ganhar alguma coisa? Difícil opinar sem saber as categorias e os concorrentes. Vai ser indicado a “Melhor Filme“? Simplesmente não dá pra saber. Mas ele vai estar lá de alguma forma.
‘Top Gun: Maverick‘ é uma experiência imersiva, de tirar o fôlego, que tem que ser assistida obrigatoriamente nos cinemas, na maior tela possível, com o melhor sistema de som possível, para que você tenha uma experiência completa. Na era dos streamings, este filme é a justificativa pela qual a grande tela nunca poderá deixar de existir.
O filme tem estreia agendada para 26 de maio no Brasil.






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