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E já chegou às bancas o volume 4 da Coleção de Graphic Novels  DC Comics, publicada no Brasil pela editora Eaglemoss, que traz a história Liga da Justiça: Torre de Babel, escrita por Mark Waid e com desenhos de Howard Porter. A história, originalmente publicada em 2000 quando Waid era o responsável pelos roteiros da revista da Liga da Justiça após a aclamada fase de Grant Morrison, é uma das mais famosas da super equipe, tendo tido até mesmo uma adaptação em animação com o nome de Liga da Justiça: A Legião do Mal.

Apesar de ser uma história da Liga, muitos a consideram uma história do Batman, pela importância central do personagem dentro do contexto narrativo, e principalmente por sua trama, que traz uma análise profunda da paranoia e premeditação exagerada do Homem-Morcego. Algo que aumenta ainda mais essa impressão é o fato de que o grande vilão da história seja um velho antagonista do personagem, Ra’s Al Ghul, e que a primeira sequência da história mostre a surpresa de Bruce Wayne ao perceber que o túmulo de seus pais foi violado, e seus caixões roubados.

Na verdade, tal percepção faz sentido, pois se formos analisar friamente, a própria Liga da Justiça aparece meramente como coadjuvantes na história, sendo vistos apenas como alvos a serem removidos da equação de Ra’s Al Ghul. O vilão e seu plano – juntamente com a obsessão em prejudicar o Batman – acabam sendo o grande centro da história, e o Homem-Morcego (pra variar) é quem obtém todas as respostas e descobre primeiro o que está acontecendo.

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Mas vamos ao que interessa, do que afinal se trata Liga da Justiça: Torre de Babel? Na trama, Ra’s Al Ghul mais uma vez decide por em prática o seu objetivo de redução da população do planeta Terra, e para isso coloca em prática uma plano que envolve a emissão de uma frequência sonora que afeta o centro de linguagem do cérebro, fazendo com que a palavra escrita se torne incompreensível, ao transformá-la em um embaralhado de símbolos e letras cuja percepção humana não consegue colocar sentido. O título Torre de Babel trata-se justamente disso, referindo-se à passagem bíblica na qual Deus embaralha a linguagem dos homens para que não consigam entender uns aos outros e terminar a construção de uma torre que supostamente alcançaria os céus.

É nesse ponto que a história envolve os membros da Liga, pois Ra’s Al Ghul consegue acesso a arquivos de protocolos secretos guardados pelo Batman, os quais contam com meios efetivos e particulares de neutralizar os poderes de cada um dos membros da equipe. Dessa forma, além de sequestrar os cadáveres dos pais de Bruce Wayne para mantê-lo ocupado enquanto põe seu plano em prática, o vilão ainda consegue incapacitar cada um dos heróis da Liga, de forma que dessa vez nada atrapalhe seu caminho. Assim, o Caçador de Marte, cuja fraqueza é o fogo, se vê coberto por nanitas que convertem a camada externa de sua pele em magnésio, o que o faz entrar em combustão ao simples contato com o ar. Homem-Borracha é congelado e em seguida despedaçado. Aquaman desenvolve fobia por água. Lanterna Verde fica cego, e portanto incapaz de utilizar o anel sem sua visão para orientá-lo. Flash é atingido por um dispositivo que o faz ter convulsões na velocidade da luz. Mulher Maravilha é induzida a pensar que está em um combate infinito, graças a um chip inserido em seu ouvido. E Superman é atingido por kryptonita vermelha, que deixa sua pele transparente e inutiliza seus poderes, além de deixá-lo ultra sensível à luz solar, bateria natural de seus poderes.

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Enquanto tomam ciência do que aconteceu e se juntam para impedir os planos de Ra’s, a Liga da Justiça se vê envolta em mais um dilema. Esse muito mais interno e moral. Afinal, como confiar em um parceiro de equipe desconfiado e psicótico que perdeu horas de sua vida desenvolvendo técnicas específicas para se livrar de cada um de seus companheiros?

Por mais que a decisão do Batman se analisada friamente faça sentido do ponto de vista prático, a ética de suas ações é completamente discutível. Ao se aproximar daqueles que o chamam de amigo para criar métodos de contingência, o Homem-Morcego demonstra toda sua paranoia e dificuldade em confiar nas pessoas, mesmo nas que lhe são próximas, agarrando-se na desculpa de que está se precavendo para uma possível dominação da equipe por alguma entidade que possua poderes hipnóticos ou controle mental.

E a forma como Waid trabalha essa desconfiança dentro da equipe é incrivelmente bem escrita e completamente crível, deixando transparecer de uma forma plausível dentro do contexto a crescente sensação de insegurança e decepção entre os membros. O auge dessa situação encontra-se no final da história, quando a Liga debate por meio de votos se devem ou não expulsar o Batman da equipe devido à suas ações que acabaram por levar quase à destruição de seus membros. Em uma discussão acalorada onde cada um dos lados – permanência ou expulsão – expõem seus argumentos, o próprio leitor se vê em dúvida diante das defesas apresentadas. E o final é surpreendente.

No geral, apesar de ser uma história relativamente curta, Liga da Justiça: Torre de Babel apresenta uma trama criativa, bem escrita, e com ótimas e condizentes caracterizações de personagens, fazendo jus à sua fama de uma das melhores histórias da super-equipe. E do Batman, claro.

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