A estreia da série de The Last of Us, produzida pela HBO, gerou um verdadeiro fenômeno: Não apenas de público, mas de crítica. Sites, influenciadores e público – Todos concordam que a série é um primor, uma adaptação sem igual, um grande marco na indústria. Porém, há aqueles que, a partir disso, viram uma brecha para ‘bater’ no game.
Pois é. Tem gente que decidiu torcer o nariz para a obra original e até dizer que a experiência é melhor na série do que no jogo. Mas, o mais curioso disso é que grande parte que afirma tal coisa, nunca jogou o game. Tem até aqueles que dizem: ‘eu não joguei, mas assisti o jogo inteiro pelo Youtube‘. E, desculpem, mas não é a mesma coisa.
Explico: Ainda que você tenha conhecido a obra original, tenha assistido o The Last of Us Parte I e Parte II no Youtube, você não teve a mesma experiência de quem jogou. E o motivo é simples. Quando se joga tais games, é criado um elo entre você e o personagem que você controla, as relações dele, as situações, tudo aquilo que acontece através dos olhos dele, você está participando, ainda que seja roteirizado e programado. Sim, você está compartilhando aqueles momentos com ele. Quando o jogo inicia, quem dirige o carro para salvar Sarah, quem a defende dos infectados e quem vê tudo que acontece é você.
Sim, a história é de Joel, mas a experiência é sua. Naquele momento, a imersão que existe em um jogo faz com que você se sinta no papel dele. E isso se repete ao longo do game. E, sejamos sinceros, como já disse meu amigo Murilo Oliveira, The Last of Us é uma obra-prima de narrativa, roteiro e direção, que compete com produtos de qualquer mídia, incluindo séries, cinema e, claro, games.
Mas o que é imersão?

A imersão é algo muito maior do que apenas assistir um jogo ou aproveitar seus gráficos, narrativa ou história. É um fenômeno psicológico que acontece quando seu cérebro entra em um estado diferente. É um processo em que sua consciência temporariamente se expande para áreas do inconsciente, tal como acontece com a hipnose, mas mantendo a consciência como em um estado de um sonho lúcido. Naquele jogo, naquele momento, seu cérebro acredita que você está passando por aquela situação. É uma experiência que você compartilha com o personagem, pois o foco é tão grande que a aventura parece ser sua.
Basicamente, a imersão causada pelos games te tira do mundo real e transporta seu cérebro para uma diferente realidade. Se você já passou horas jogando em The Last of Us, por exemplo, já deve ter entendido a minha explicação.
Obviamente, a imersão independe da qualidade gráfica de um jogo. Ela está diretamente ligada às suas preferências pessoais como jogador, que determinam o quanto um jogo pode ser imersivo para você.
A grande diferença

Explicado tal ponto, um jogo se diferencia bastante de uma série ou filme. Pois, além do roteiro, narrativa, apresentação visual, existe também o game design para que a sua imersão não seja quebrada. O jogo precisa apresentar elementos que te recompensem e te deem motivos para continuar inserido naquele universo. É a partir daí que é definido o ritmo do jogo e isso afeta diretamente sua experiência.
Pode parecer algo simples, mas não é. Pense que um jogo pode passar vários anos em desenvolvimento, envolvendo pessoas nos mais diferentes tipos de trabalhos, na busca de se apresentar da melhor forma. E, claro, a própria história, narrativa e imersão são colocadas à prova o tempo todo.
Sim, as série e filmes possuem seus testes de audiência, reação do público, mas a indústria de games proporciona uma dimensão totalmente diferente. Enquanto o cinema te proporciona e vende a ideia do 3D, os jogos te levam e convidam a compartilhar as aventuras e sentimentos dos seus personagens. A existência de jogos ‘cinematográficos’ expande o conceito e torna isso mais fácil para a maioria. A imersão, como disse acima, independe dos gráficos, mas é óbvio que quanto mais o jogo for realista, mais pessoas terão facilidade em mergulhar na história em que é apresentada.
Sim, eu sei que filmes também podem ser imersivos. Mas a grande diferença é que os games são muito mais sobre a experiência do jogador, enquanto os filmes e séries são sobre a história. E isso se aplica a qualquer jogo, desde Minecraft até The Last of Us. Ainda que alguns jogos não possuam história, eles podem apresentar algum projeto que acenda sua imaginação e te envie para aquele mundo. Enquanto isso, os filmes precisam chamar a atenção da audiência pela sua história, que é o coração de qualquer produção cinematográfica. Se a história falhar, a audiência perde o interesse. Já nos jogos, se a experiência não for boa, o jogo perde seu jogador.
Entenda que a história é algo fluído nos jogos, ela pode ser apresentada totalmente ou até entregue em pequenos toques, mas, de qualquer forma, ela permite que o jogador adicione sua carga imaginativa e/ou sentimental. Enquanto isso, os filmes te colocam no banco do carona, te pedindo para se acomodar, ajustar e ver a história se desenvolver, enquanto você serve apenas como um espectador que testemunha a ideia e experiência de outra pessoa se transformarem em uma história que assume o palco principal.
Então meus amigos, se vocês tiverem a chance, peço que testem a experiência de jogar o game antes de poder comparar com a série. Não é questão apenas de ter o parâmetro, mas de se permitir e entender o quanto um jogo pode te fazer mergulhar em uma história.






Comentários