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Embora hoje em dia a Marvel aparentemente não tenha mais tanto interesse no mercado de séries animadas, houve uma época em que eles eram muito bons nisso. Mais precisamente, nos anos 90, onde tivemos pelo menos duas excelentes séries: Homem-Aranha e, é claro, X-Men.

A série dos X-Men, particularmente, contou com cinco temporadas e adaptou muitos dos grandes arcos dos quadrinhos publicados na época, como a Saga da Fênix Negra. Não é a toa que, no ano que vem, tantos anos depois de sua exibição, esse universo estará de volta com uma nova animação: X-Men 97. No vídeo de hoje, trazemos 10 fatos sobre a série clássica dos X-Men.

Pryde of X-Men

Hoje em dia, é de conhecimento geral que os X-Men tiveram um piloto fracassado chamado Pryde of the X-Men. No entanto, poucas pessoas conhecem o processo de como esse episódio surgiu. Margaret Loesche, a produtora executiva da série do Homem-Aranha, estava procurando um novo desenho animado para produzir. Lendo os quadrinhos da Marvel para pesquisa, ela acreditava que os X-Men tinham muito potencial por lidar com temas complexos como segregação e preconceito. Durante muitos anos os estúdios rejeitaram sua proposta, dizendo que a equipe era muito obscura.

Quando o programa finalmente recebeu aprovação, o estúdio ainda não tinha certeza de que se tornaria um sucesso e decidiu sobrecarregar o episódio piloto com tantos personagens quanto possível, na esperança de vender brinquedos. O episódio não foi ruim. Foi apenas… ok. Mas Margaret Loesch não queria algo apenas “ok”, ela queria que fosse ótimo e então refez e reformulou tudo. Porém, ela recebeu um ultimato: se não fosse um sucesso, ela seria demitida.

Caos Total

O estúdio viu o novo projeto e decidiu soltar os dois primeiros episódios ao mesmo tempo para que os telespectadores entendessem a história e conhecessem os personagens. Quando eles estrearam, o sucesso não veio. Acontece que o prazo estava muito apertado e existiam centenas de erros de animação e sons. Mesmo com a tragédia, os criadores ganharam uma nova chance de consertar tudo.

Assim, eles trabalharam durante horas sem descansar para corrigir tudo e lançar os episódios no ar novamente. Só que este não era o único problema. A primeira temporada é composta por pequenos arcos que se resolvem entre 3 a 4 episódios e tudo ia ao ar fora de ordem, fazendo com que fosse bem confuso assistir. Por causa disso, vários produtores foram mudados, executivos deixaram o projeto e novos roteiros foram feitos em questão de dias.

O videogame da Konami

Apesar do fracasso de Pryde of the X-Men, o estúdio tinha certeza de que seria um sucesso. E a série não tinha apenas um super-herói – havia muitos personagens! Isso significa, é claro, muitos brinquedos e produtos licenciados. Antes mesmo da série ser lançada, a Konami começou a trabalhar em um jogo de arcade dos X-Men.

Quando a Konami soube que Pryde of the X-Men já havia ficado no passado e os escritores estavam de volta à prancheta, eles perceberam que estavam em apuros. Por exemplo, vários dos personagens que estavam no game sequer apareceriam na nova versão da série animada. Embora a Konami pensasse que perderia milhões, o jogo acabou indo muito bem. Na verdade, várias pessoas ouviram falar dos X-Men pela primeira vez através do jogo – não pela série. Eles adoraram tanto o game que isso os incentivou a conferir o desenho animado, o que aumentou a audiência.

Influenciou os Quadrinhos

Você sabia que a série animada dos X-Men acabou influenciando uma das histórias mais famosas dos mutantes nos quadrinhos? Na quarta temporada da série, temos o episódio “O Valor de um Homem”, onde um viajante do tempo volta no passado e mata o Professor X antes dele formar os X-Men. Como a equipe nunca foi formada, o mundo se transforma em uma distopia. Wolverine e Tempestade se aliam a Bishop para tentar reverter tudo isso.

Muitos fãs acreditam que esta história é baseada em A Era do Apocalipse. Mas a verdade é que a série criou a história, não os quadrinhos. Na HQ, o filho de Xavier, Legião, volta no tempo para matar Magneto e assegurar a paz entre humanos e mutantes. Sem entender a intenção de seu filho, Xavier interfere e acaba sendo morto no lugar de seu histórico rival. Com a morte de Xavier, os X-Men nunca se reúnem e Apocalipse domina o mundo. A história foi lançada em 1995 nos quadrinhos e ainda é revisitada até hoje.

O Roteirista não sabia nada de X-Men

O roteirista Eric Lewald estava prestes a trabalhar em um novo projeto quando recebeu um telefonema dizendo que a partir do dia seguinte ele seria o responsável por escrever X-Men. Mas o curioso é que, embora tenha trabalhado tão bem neste projeto, Lewald não conhecia absolutamente nada sobre os X-Men. Ele só tinha conhecimento que era um gibi da Marvel, mas não sabia do que se tratava a história e nem o nome de nenhum personagem.

Lewald então comprou uma enciclopédia Marvel do ano de 1989 e começou a estudar, mas ele sabia que isso não bastava. Ele não precisava de uma enciclopédia. Ele precisava… de um nerd. Ou neste caso, dois nerds. Assim, ele passou a contar com dois supervisores: Larry Houston e Will Meugniot. O problema é que eles eram tão fãs dos X-Men que o faziam encher os episódios de personagens e referências, dificultando o trabalho de Lewald em fazer algo mais orgânico, tendo que sempre podar um pouco antes de enviar o roteiro.

Equipe baseada no design de Jim Lee

O visual diferenciado da equipe de animação foi baseado nos designs do quadrinista Jim Lee, que estava envolvido com os quadrinhos dos X-Men na época em que a série estava sendo desenvolvida. Ele já havia trabalhado em Tropa Alfa e Justiceiro, antes de passar para Fabulosos X-Men e, finalmente, X-Men .

A formação da equipe era vagamente baseada na Equipe Azul dos X-Men (na época, os quadrinhos apresentavam a Equipe Azul e a Equipe Dourada). Ciclope, Wolverine, Fera, Gambit, Vampira e Jubileu eram todos membros originais da Equipe Azul, embora o programa tenha adicionado Jean Grey e Tempestade da Equipe Dourada e cortado Psylocke (embora ela tenha aparecido no programa mais tarde).

Como surgiu a música icônica

Um dos elementos mais memoráveis ​​de X-Men: The Animated Series  é sua sequência de abertura. À medida que clipes de identificação de personagens e cenas de batalhas mutantes passam em um ritmo frenético, a trilha sonora oferece uma música tema marcante, construída em torno de um riff de guitarra de hard rock rápido, sinistro e totalmente cativante.

Porém, não foi uma experiência tão agradável fazer a música, de acordo com o compositor Ron Wasserman. Ele escreveu várias músicas para a produtora de X-Men, a Saban Entertainment, nos anos 90 (incluindo o tema de Power Rangers ), e disse que a empresa o proibiu de conversar com qualquer pessoa da Marvel sobre como a música deveria soar. Além disso, os produtores foram muito críticos com a música, fazendo Wasserman reajustá-la inúmeras vezes. Mas pelo menos nasceu um clássico.

Magneto no cinema

Hoje em dia, é difícil imaginar um elenco melhor do que Sir Patrick Stewart (Professor X) e Sir Ian McKellan (Magneto) no primeiro filme dos X-Men, de 2000. No entanto, quando o universo X-Men live-action da Fox estava apenas começando, um Magneto muito diferente foi quase escalado.

David Hemblen, que foi a voz original de Magneto na série animada, recebeu o convite para reprisar o papel, agora em carne e o osso, no filme de Bryan Singer. Ele até gostaria de trazer seu personagem para a tela grande, mas teve que recusar o papel devido a conflitos de agenda com a série Earth: Final Conflict . Considerando que ninguém lembra dessa série canadense, fica a dúvida se foi uma decisão acertada.

Versão japonesa da abertura

X-Men: A Série Animada foi ao ar no Japão, mas chegou à terra do sol nascente junto com uma música tema e animação de abertura totalmente diferentes. A clássica música tema que todos conhecemos e amamos foi substituída por uma música mais rock chamada “Rising” da banda Ambience. Uma prática comum nos animes.

Os créditos finais também receberam uma versão do Ambience, com a música “Back to You” acompanhada de cenas dos quadrinhos. As próprias sequências de animação também foram alteradas, e as personagens femininas ganharam um visual muito mais anime, com olhos mais arregalados e rostos mais “fofos” para atrair o público japonês.

O Cancelamento

A série deveria ter acabado com uma grande batalha contra Apocalipse, com quatro personagens morrendo no processo: Tempestade, Jean Grey, Professor Xavier e Ciclope. Assim, 4 novos membros entrariam na equipe: Psylocke, Arcanjo, Bishop e Lasca. A próxima temporada traria um nome diferente para a animação, que seria chamada de X-Factor ou Fabulosos X-Men.

Tudo estava certo, afinal, a série tinha muita audiência e o estúdio encomendou uma nova temporada. O grande problema é que a Marvel estava falindo e o dinheiro da quinta temporada acabou. Assim, a qualidade de animação caiu bastante e o show foi cancelado.

Mesmo assim, os produtores decidiram fechar tudo de uma forma diferente: Xavier foi gravemente ferido e sua amante, Lilandra, do Império Shi’ar, o leva para o outro lado da galáxia para curá-lo. Os produtores acreditavam em um possível retorno e prepararam a ideia de que na nova temporada, os X-Men receberiam um pedido de socorro de Xavier e todos iriam para o espaço para resgatá-lo. E foi uma boa ideia, afinal, tantos anos depois, a nova série, X-Men 97, partirá exatamente desse gancho.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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