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Em meio a grande crise criativa enfrentada pela Marvel Studios, a série do Loki traz uma 2ª temporada que pode ser interpretada como um mea-culpa do estúdio, sobre a perda de identificação do público com suas histórias.
Na construção do roteiro do novo ano, Eric Martin disserta que o caminho para o controle de boas histórias não está em o que você conta, nem em quando, onde ou por que, mas sim sobre quem você conta.

Já é repetitivo dizer que boas histórias passam por bons personagens, e em suma, a história de Loki é quase toda sobre isso. Aliás, a série é um pouco além disso, é um reflexão de que boas histórias passam por boas construções de personagens.
Basta refletir um pouco para perceber que Loki não é o único astro de seu show, que é rodeado de coadjuvantes interessantes.
No fundo, é tudo uma questão de identificação, de trazer o público para perto da história, de mostrar alguma humanidade.
Convenhamos, viagens no tempo e Multiverso são temas muito distantes de nós para que exista algum grau de identificação a partir deles. Porém, sentimentos humanos, mesmo que em um Deus Nórdico egoísta, são sim capazes de nos trazer para perto.

Repare bem, o termo “construções de personagens” não está nesta crítica atoa, pois é importante evitar confundir “personagens conhecidos” com “bons personagens“.
O fato de um personagem não ser conhecido, não quer dizer que ele não possa ser bem desenvolvido. Basta lembrar que a produção mais profunda do extinto DCEU traz John Cena no papel de um anti-herói que usa um penico na cabeça.
Por falta de boas construções como a de Loki, a Marvel se distanciou de seu público, se tornando um estúdio burocrata, que prioriza o evento a frente de tudo.
Acontece que, o evento quase sempre é esquecível. Os bons personagens, não. Quer ver? Faça um exercício, tente lembrar dos eventos dos três filmes do Homem de Ferro. Foi difícil, não foi? Porém, duvido que você não lembre detalhe por detalhe do arco de transformação motivacional de Tony Stark.

Trazendo o público para perto, boas construções de personagens são capazes até mesmo de deixar confusões de roteiro em segundo plano. É importante relatar que boa parte dos conceitos de ficção e fantasia de Loki são extremamente confusos, mas como o foco não está no evento, a confusão não causa grande incomodo, como causa em produções mais rasas da Marvel.
Boas construções de personagens são capazes até mesmo de maquiar episódios mornos, com direção desequilibrada. Justin Benson e Aaron Moorhead fazem um ótimo trabalho nos episódios que dirigem, mas o novo ano engasga sem os dois, quando dá a oportunidade a diretores iniciantes que prejudicam a coesão da história.
Era muito fácil estragar tudo partindo de onde Loki foi deixado na Saga do Infinito. Porém, a série não só conseguiu lidar bem com tudo que veio antes, como entregou um dos melhores arcos de personagens do MCU, ao dar um desfecho de história digno ao personagem de Tom Hiddleston.
No fim de tudo, o Deus Nórdico decide seguir seu coração ante a fria burocracia de seu controlador, não para ser o mesmo que havia antes, mas para ser algo melhor. A série não poderia terminar de forma mais poética.

A 2ª temporada de Loki é a Marvel nos lembrando de que ainda pode ser ótima. Porém, para voltar ao seu status de protagonista, o estúdio precisa se lembrar de que não dominou Hollywood por mais de uma década produzindo conteúdo em uma linha de produção industrializada, mas sim contando histórias movidas a paixão.
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