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A franquia Avatar é sem dúvidas um dos grandes fenômenos do Século XXI, mas seu real impacto na cultura pop é constantemente questionado, pois seu público parece viver em uma enorme e populosa ilha habitada por fãs de cinema e, principalmente, do diretor James Cameron. Neste cenário, surge Frontiers of Pandora para realizar o seguinte teste: será que a franquia pode ser interessante no mundo dos games?
Este é um teste arriscado, pois ao longo de sua carreira de extremo sucesso nos cinemas, James Cameron emplacou grandes franquias que não se saíram nada bem sem ele. Além do mais, é inevitável chegar para Frontiers of Pandora sem esperar por algo que emule a visão ímpar do diretor, que é o que faz Avatar ser o sucesso que é.

Cientes do grande desafio, os desenvolvedores do jogo decidiram minimizar os riscos e repetir basicamente tudo que já foi feito nos filmes, contando uma tradicional história de Na’vi contra o “povo do céu” – ou humanos, se preferir – e embelezando a tela com designs de encher os olhos.
Por um lado essa falta de ousadia resulta em uma história fraquíssima, já por outro, ajuda na entrega de uma experiência imersiva impactante, desta vez permitindo que o público participe mais ativamente.

Tudo bem que os filmes de Avatar são mais conhecidos por sua imersão de que pela suas histórias, mas eles têm sim seus méritos narrativos. Um exemplo é a forma como James Cameron constrói seus personagens, fazendo com que você se importe com eles. Isso não acontece no jogo.
Em Frontiers of Pandora, é muito difícil se importar com qualquer Na’vi ou humano, pois a construção desses personagens é muito básica, bem mais de que nos filmes. Isso sem falar dos vilões sem personalidade, que aparecem pouco e sempre de forma unidimensional.
Além da construção ser básica demais, o sentimento de déjà vu provocado pela história causa alguma frustração, principalmente quando se tem em mente o horizonte que foi aberto em Avatar: O Caminho da Água (2022), obra que estabeleceu que a franquia pode ser muito mais do que humanos vs Na’vi.
Há política em Pandora, há tribos que não se batem, há diferentes culturas, e se você precisa de uma desculpa para isolar os acontecimentos de um jogo aos de filmes, explorar essas diferentes nuances dessa lua fictícia deslumbrante seria um norte interessante.
Claramente, Frontiers of Pandora sacrifica sua narrativa por causa da dúvida sobre o real impacto da franquia na cultura pop como um todo e, certamente, também pela preservação dos novos temas para o cinema. Entretanto, tal sacrifício não é em vão.

Uma vez que a narrativa não é a protagonista do projeto, os desenvolvedores se voltam completamente para uma entrega satisfatória nos designs e na jogabilidade, que além de familiar é muito funcional.
O modo em primeira pessoa é entranho no começo, isso não pode ser negado, mas passadas algumas horas, você se acostuma e entende a escolha.
Pandora está linda, de encher os olhos e, principalmente, viva! Como deveria ser, Eywa é uma presença forte no jogo e, voltar a atenção integral do jogador para tudo que ela toca, é um grande acerto.
Há sim NPCs estáticos e sem vida, mas só entre humanos e Na’vi, pois toda fauna e flora de Pandora vive diante de seus olhos, fazendo você realmente acreditar que está conectado àquele lugar mágico.
O modo em primeira pessoa, é a forma como o jogo faz Pandora sempre estar em evidência, sendo não apenas uma simples personagem, mas também a protagonista do projeto.
Se os personagens humanos e Na’vi são incapazes de gerar qualquer preocupação, o mesmo não pode ser dito de Pandora, que quando arde, você arde junto, e quanto está fraca e incapacitada pela poluição, você fica fraco e incapaz junto. A conexão com a lua é realmente muito forte!
Por mais que os filmes já sejam imersivos, não dá para comparar a experiência gerada por eles com a chance de você poder tocar em Pandora, viver a lua e contemplar suas cores neon à noite sem qualquer limite.
No sentido imersão, Avatar: Frontiers of Pandora é o mais próximo que você pode chegar da famosa atração da franquia no Animal Kingdom, sem sair de casa, claro.

A jogabilidade intuitiva, acessível e fluida, enriquece ainda mais essa imersão, mesmo que não seja nenhuma novidade para os fãs da Ubisoft, especialmente para aqueles acostumados com os jogos da franquia Far Cry.
Como os materiais de divulgação já indicavam, Avatar: Frontiers of Pandora importa muita coisa de Far Cry, mas isso não é problema na maior parte do tempo, pois é algo aplicado em contextos e formas diferentes.
É importante notar que Far Cry não é uma franquia conhecida por ter jogabilidade ruim, muito pelo contrário, e tudo de melhor dela está neste jogo, incluindo os elementos de FPS. Se é para citar um problema, pode-se falar sobre a separação de missões em postos avançados, que até funciona, mas é repetida mais do que precisava.

Mas que fique claro, Frontiers of Pandora não é uma cópia, pois além ter uma identidade visual forte, traz algumas dinâmicas novas interessantes. Como destaque, há a do Ikran, que é funcional e divertida a ponto de você querer usá-la em todos os momentos posteriores à sua introdução.
Há sim algumas frustrações com a jogabilidade, como o fato de o jogo não possuir chefes tradicionais. Isso faz o jogador ter que lutar contra agentes sem rostos da RDA pela maior parte do tempo, o que não deixa de ser a narrativa ruim puxando o jogo para baixo.
Porém, mesmo diante desse problema, o saldo da gameplay é positivo, pois sua fluidez é determinante para a eficiência da imersão.

Colocando “jogabilidade vs narrativa” em uma balança, é difícil não levar a imersão em consideração para saber qual quesito pesa mais, especialmente quando se trata de Avatar.
Avatar é uma franquia fundamentada em imersão, logo, avaliar Frontiers of Pandora com peso maior em narrativa seria um erro.
Sim, a história ruim atrapalha, mas o jogo tem bastante competência em entregar aquilo que promete: fazer você se sentir um Na’vi conectado a Pandora.
Se há uma questão delicada a ser citada sobre a finalidade do projeto, é a de que a Ubisoft aposta na existência de pessoas interessadas em consumir games na enorme e populosa ilha habitada por fãs de Avatar, e não se esforça para aumentar a população desse local isolado.
Não que isso signifique que o jogo não seja interessante para quem não conhece a franquia – ele é, mas sim que o produto entregue é dedicado exclusivamente aos fãs.
Em síntese, Avatar: Frontiers of Pandora erra e acerta, mas é um jogo honesto da Ubisoft, capaz de dar para os fãs da franquia aquilo que eles sempre sonharam. Se a partir disso vai ser um sucesso financeiro ou não… Bem, isso é um assunto para depois.
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- Qual impacto de Frontiers of Pandora nos filmes de Avatar?
- Desenvolvedora: Massive Entertainment
- Publisher: Ubisoft
- Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X | S e PC
- Review feito no: Xbox Series S
- Jogabilidade fluida
- Visual deslumbrante
- Imersão profunda
- Rica lore de fauna e flora
- Pandora em primeiro plano
- História fraca
- Falta de chefes






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