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Das muitas reações positivas a X-Men ’97, a que mais chama atenção destaca que será muito difícil introduzir os mutantes no MCU após o acerto de abordagem da série revival. Por mais que a crise criativa enfrentada pela Marvel Studios atualmente nos convide a concordar com esse pensamento, acredito que ele seja equivocado.
Na verdade, X-Men ’97 tem potencial para causar um efeito completamente contrário ao de dificuldade, pois, seu tratamento é uma bússola para seja lá quem for trabalhar com a reinicialização da franquia dos mutantes em live-action.

Quando você adapta quadrinhos para os cinemas, tem como benefício estar lidando com uma biblioteca de conceitos já estabelecidos, cujos sentimentos reativos do público-alvo já são conhecidos.
Um bom caminho para começar a desenvolver uma história sobre esses personagens é se perguntar: por que os X-Men são tão populares?

Não há como negar que os visuais e as artes clássicas de ação são muito chamativos para um público de fora do mundo dos quadrinhos, mas a essência dos mutantes está no fato de, desde sua gênese, eles representarem os “excluídos“, as pessoas empurradas para a margem da sociedade.
Em X-Men, os leitores não identificados com a causa da obra são convidados a olhar para essas pessoas sob uma nova ótica, e os que fazem parte desse grupo, não apenas se sentem representados, como ganham voz.
Quando você compreende o arco trágico de um Magneto e entende como ele chegou até aquele ponto, você está participando de um debate de grande profundidade, que vai além de heróis brincando de “lutinha” contra vilões.
O tipo de discurso que esses personagens proporcionam é atemporal e serve como uma fonte temática inesgotável, mas algo que X-Men ’97 alerta é que, para aproveitar todo esse potencial, jamais deve-se ter medo de aprofundar o debate.
De nada adianta focar no evento e apenas pincelar esses temas relevantes no modo Cinderela Baiana (1998), com a mensagem final de “todos os pequeninos merecem proteção, alimentação, amor e paz” e depois sobe a “Melô do Tchan” na trilha sonora.

X-Men ’97 pisa fundo no debate e não tem medo de lidar com situações socialmente desconfortáveis, para fazer de sua trama um reflexo da realidade.
Na série animada, há desde romance consensual entre um homem de 60 anos e uma jovem de pouco mais de 20, até genocídio negligenciado por autoridades globais.
Há a luta por autoaceitação e compreensão familiar, que só quem já precisou passar sabe o quanto é dolorosa.
Há o temor dos opressores em perder parte de seu ‘benefício’ de oprimir sem repreensão.
Há o colapso de quem, cansado de apanhar e perder os seus sem que ninguém faça justiça por isso, se deixa ser consumido pela dor e decide revidar no mesmo tom.

Ao ler o título deste artigo, você certamente imaginou que a fidelidade de X-Men ’97 aos quadrinhos seria o grande ensinamento que a série tem a deixar para o MCU.
De certo modo, é por aí, mas é importante ressaltar que buscar fidelidade aos quadrinhos não significa que é necessariamente preciso fazer uma cópia do que já foi feito, até porque X-Men ’97 não é isso.
O mais importante é que a essência seja respeitada, e, a partir dela, se desenvolva um debate aprofundado, trazendo os personagens para próximo do público.
Agindo assim, é possível até melhorar elementos dos quadrinhos, como Bastion, vilão a 1ª temporada, que é muito mais interessante na série do que na mídia original.

Acredito que, uma das razões para a Marvel Studios estar passando pela crise atual, é o fato de as histórias do MCU terem se distanciado muito do público, devido à aposta do estúdio em priorizar o evento acima de tudo.
O evento é importante, sem dúvidas, mas se guiar apenas pelo que pode impressionar vai te fazer falhar na missão de causar identificação, ou ao menos fazer o púbico se importar com seus personagens.
Gosto de dizer que, os personagens de quadrinhos são tão fortes há tanto tempo, não pelo que faz deles deuses, mas sim pelo que traz eles para perto de nós.
A equipe criativa de X-Men ’97 entende isso, e, ao mesmo tempo que impressiona com sequências visuais impressionantes e grandes eventos, é séria quando precisa ser, sem deixar de abraçar o brega, a fantasia e o melodrama, provocando sentimentos reais no público.

Se a Marvel quiser fazer dos X-Men do MCU um sucesso, vai ter que se guiar por uma ideia que siga esse rumo. Caso aborde o grupo como Wolverine e sua turma batendo em alguns caras maus, vai fracassar de forma retumbante.
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X-Men ’97 tem múltiplas temporadas planejadas e um novo ano já está em produção.
Quanto ao reboot live-action dos X-Men em desenvolvimento na Marvel Studios, não há previsão de quando as filmagens vão começar.
Sabe-se que Rafe Judkins (A Roda do Tempo) e Michael Lesslie (Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes) estão na disputa pelo comando do roteiro.






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