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Com Bad Boys prestes a fazer 30 anos, Até o Fim (2024) chega aos cinemas como uma prova definitiva de que Will Smith e Martin Lawrence estão acima da ação como grandes atrativos da franquia.

Ver Michael Bay (Transformers) sendo tratado como uma espécie de Stan Lee de Bad Boys é divertido, mas um tanto exagerado, pois, o diretor jamais foi o grande responsável pelo sucesso desses filmes.
Embora ele tenha tido uma participação significativa na criação da franquia, não é como se ele tivesse tido a ideia mais original do mundo, pois, o filme de 1995 usa muitos elementos que o público já conhecia de Miami Vice (1984-1990), de Anthony Yerkovich e Michael Mann. Diria que, basicamente, é uma versão menos charmosa da série de TV, mas impulsionada por mais gramas de adrenalina.
Em contrapartida, não há como negar que Bad Boys foi a grande virada de chave da carreira de Bay, e que, deste então, a assinatura artística esquizofrênica do diretor vem influenciando alguns jovens cineastas.
Adil El Arbi e Bilall Fallah são alguns dos influenciados por Michael Bay, e usam do espírito desbravador do diretor veterano para descobrir novas possibilidades para construção de imagens.
Em Até o Fim (2024), no entanto, os ótimos diretores exageram e não usam Bay apenas como uma simples referência, mas tentam emular completamente a assinatura artística do criador da franquia.
Como resultado, temos um filme inquieto do qual nenhuma cena dura mais do que poucos segundos, e a ação chega a ser enfraquecida em alguns momentos por poluição visual. O filme só não é totalmente algo que Michael Bay faria, porque não tem tantas explosões e nem toca Linkin Park no final.
O novo Bad Boys está repleto de outras decisões visuais questionáveis, como a iniciativa de trabalhar a ação a partir do ponto de vista de objetos em movimento, ou na de focar nas expressões dos atores durante sequências de tiroteio. Honestamente, não entendo como alguém chegou a acreditar que mostrar Martin Lawrence fazendo careta, múltiplas vezes, seria algo interessante.

Narrativamente, o longa até é fundamentado em um conceito interessante inspirado em O Fugitivo (1993) e sua sequência, U.S. Marshals: Os Federais (1998). Mostrar Marcus e Mike como foragidos da lei tentando provar sua inocência é um conceito atraente. O desenvolvimento, no entanto, não é dos melhores.
Admito que há certa competência no fato dos roteiristas Chris Bremner e Will Beall não se explicarem demais para evitar levantar dúvidas, mas a dupla precisava de mais tempo para desenvolver o conceito. Da forma como ficou, soa como algo interessante prejudicado por um catado de outras ideias desinteressantes.
A forma como a memória do falecido Capitão Howard (Joe Pantoliano) é usada como motivadora da trama, por exemplo, só não é mais piegas do que o dramalhão novelesco de Rita (Paola Núñez) e seu esposo Lockwood (Ioan Gruffudd), cuja reviravolta é prevista a milhares de quilômetros.
Mas veja bem, Bad Boys: Até o Fim (2024) tem seus momentos. A subtrama envolvendo o infarto de Marcus (Martin Lawrence) passa do ponto quando leva a franquia para o lado espiritual, mas funciona bastante para criar uma dinâmica diferente entre Lawrence e Smith, e não por acaso ajuda a comédia a sobrepor a ação.
Não que a ação seja de toda péssima, há momentos envolventes, como a visão aérea do tiroteio do ato final, e uma sequência impressionante estrelada por Dennis Greene, que é inspirada por famosos jogos de tiro.

A comédia, no entanto, é o foco, e essa decisão mostra que a equipe criativa está ciente que Will Smith e Martin Lawrence são os grandes pilares de Bad Boys. Se tudo gira ao redor deles, não importa o quão genérico ou desinteressante seja o produto final, ele vai ser eficiente em entreter seu público-alvo.
Um exemplo do quanto isso é verdadeiro é o fracasso de L.A.’s Finest, série derivada focada na irmã de Marcus que segue os mesmos tropos da franquia, mas que você provavelmente nem sabe que existiu.

A franquia Bad Boys nunca foi brilhante, profunda ou original, mas é um grande valor de entretenimento sustentado principalmente pelo carisma inabalável de Will Smith e Martin Lawrence. Em Até o Fim (2024) — o mais fraco de todos os filmes — isso não é diferente, e, mais uma vez, Marcus e Mike garantem altas doses de diversão, mesmo ilhados em volta de um oceano de ideias desinteressantes.
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