
O retorno de Frank Miller para a franquia do “Cavaleiro das Trevas” foi um grande tópico de discussão para os fãs desde que foi anunciado. A maior preocupação era saber se teríamos uma obra que seguisse o icônico material original, enquanto outros se perguntavam se a história seria capaz de trazer algo novo, com receio de ser mais do mesmo.
Devemos lembrar que Miller já tentou retornar para a franquia antes, uma dessas tentativas gerou o polêmico “Holly Terror”, que a DC Comics não considerou como merecedora do Batman (ainda bem) e Miller decidiu lançá-la sozinho com um novo protagonista (praticamente o Batman com outro nome). Em “Grandes Astros: Batman e Robin”, temos mais um ponto de divergência entre os fãs, há quem goste, há quem odeie, mas não há como negar que a pior frustração é que a história nunca foi terminada.
Porém, depois de ler a primeira edição (que tem o roteiro produzido por uma parceria de Miller e Azzarello), qualquer pergunta sobre a necessidade de uma nova história do Cavaleiro das Trevas, perde o sentido. O título é capaz de fazer qualquer fã ler as páginas repetidas vezes.
A primeira edição reintroduz todos os personagens, mostrando onde eles estão, como estão, o ritmo é bem similar ao que vimos nos grandes clássicos do Batman escritos por Miller. Assim, também trazem ótimas memórias de suas primeiras experiências com essas obras. Ainda que seja uma parceria com Azzarello, a primeira edição traz a atmosfera característica de Miller. Todos os pequenos detalhes, como o uso de novos personagens para nos atualizar do que acontece em Gotham, ainda estão aqui.
A arte não é trabalho de Miller, mas Andy Kubert emula muito bem o trabalho dele. Fica a sensação de que estamos diante de páginas não usadas em Cavaleiro das Trevas 1 e 2 (sim, o 2 também… principalmente na mini-revista que acompanha a edição). O resto traz um ar de modernidade. Klaus Janson, que já conhece bem o trabalho de Miller, dá a noção de profundidade e brutalidade que a história precisa. As cores de Brad Anderson só enriquecem as páginas. Tudo aqui é uma clara a homenagem ao legado de Miller e ela deve ser aplaudida por seu resultado.
Uma coisa que devemos lembrar é que essa série não faz parte do Universo regular da DC Comics, aqui temos um universo próprio em que qualquer coisa pode acontecer. As regras que valem aqui são as que Frank Miller estabeleceu anteriormente. A principal delas é: Não importa quem seja o inimigo, Batman é capaz de derrubá-lo.

O que muitos fãs irão adorar nesta edição é o papel exercido pelas mulheres. Diana mostra como uma mãe Amazona é capaz de lidar com um minotauro gigante enquanto carrega seu filho nas costas. Sim, Diana tem 2 filhos, ambos com o Superman. Lara, a filha mais velha, tenta achar uma maneira de continuar com o legado de seu pai. E temos Carrie Kelley, a última Robin e a personagem favorita de Frank Miller. Ela prova que é capaz de fazer qualquer coisa e você vai adorar isso. As personagens ganharam novos status quo e tudo isso será explorado nas próximas edições.
O ponto interessante é que a edição cumpre de forma magnífica o seu papel de servir como porta introdutória para uma nova aventura. Ela canaliza tudo aquilo que esperamos de uma história do Cavaleiro das Trevas e trata seus personagens como as lendas que são. É uma perfeita sequência espiritual do trabalho de Miller
Esta é a primeira edição de um arco composto por 8 histórias. A ideia é elevar o mito do Batman para um nível totalmente novo. Em trabalhos anteriores de Miller, vemos o Batman dar conta do Coringa, Superman, Lex Luthor e Brainiac. Agora, teremos um novo desafio que é semeado na mini-revista que acompanha a edição.
A história já está nas bancas e várias capas variantes chegaram ao Brasil. Iremos fazer o review de cada edição e um artigo quando chegarmos ao fim da história. Se você ainda não tem a edição com as duas primeiras sagas do Cavaleiro das Trevas, clique aqui.




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