Comentários

Estimated reading time: 9 minutos

Takehiko Inoue se tornou um dos mangakás mais famosos e respeitados do Japão por ser o criador de Vagabond e Slam Dunk. Ele começou na Shonen Jump como qualquer outro aspirante a mangaká, mas tudo mudou quando o seu mangá de basquete atingiu uma audiência inimaginável de leitores.

Ao longo de sua carreira, seu traço de arte teve uma evolução incrível, levando Inoue a ser um dos artistas mais talentosos da indústria dos mangás. Vagabond repercutiu por tanto tempo, mesmo sem ter uma adaptação de anime, devido ao traço detalhado e perfeccionista de Inoue.

Juventude de Takehiko Inoue

Inoue entrou no clube de esportes da sua escola durante o ensino fundamental, onde praticava kendo e basquete. Conforme ele jogava com o seu time, o basquete virou uma das maiores paixões da sua vida. O basquete não era um esporte tão popular no Japão em sua infância, mas ele ficou tão interessado que até virou fã da NBA.

Os seus mangás preferidos eram de esporte, ação e comédia como Otokogumi, Ichi Ni No Sanshirou e Dokaben, um dos mangás de esporte mais influentes da história. Shinji Mizushima, o criador de Dokaben, foi a principal fonte de inspiração para Inoue começar a desenhar mangás.

No seu último ano do ensino médio, ele estudou em um curso preparatório de verão, para ingressar em uma universidade de arte. Porém, Inoue estudou literatura em uma universidade perto de sua cidade natal porque não tinha condições de bancar a universidade que desejava.

Aos 20 anos, os seus primeiros rascunhos foram rejeitados pela Weekly Shonen Jump, mas eles chamaram a atenção do editor Taizo Nakamura. Em 1987, a faculdade ficou de lado para Inoue iniciar sua carreira como mangaká.

Estreia na Shonen Jump

Aos 21 anos, Inoue conseguiu um trabalho de assistente, que durou cerca de 10 a 11 meses, com Hojo Tsukasa em City Hunter. Ele aprendeu o básico de como desenhar, trabalhando como assistente. Em 1988, seu primeiro mangá, Kaede Purple, se destacou ao ganhar o Prêmio Tezuka. Alguns meses depois, ele lançou uma segunda one-shot chamada Hana Shonen.

As suas primeiras one-shots apresentavam o mesmo modelo de protagonista, um jovem bonito, atleta e popular entre as garotas. Esse protagonista foi reutilizado mais tarde para criar um dos personagens principais de Slam Dunk, Rukawa Kaede.

Em 1989, Inoue ganhou a sua primeira serialização, sendo o ilustrador de Chameleon Jail, que foi escrito por Kazuhiko Watanabe. Mas o seu mangá foi cancelado no segundo volume.

Inoue desejava criar um mangá que abordasse sua paixão pelo basquete, então ele continuou fazendo one-shots baseadas nesse tema, mesmo que não fosse popular entre os leitores shonen. A oportunidade para criar esse mangá surgiu após o lançamento da sua one-shot, I Love Red.

Como o protótipo de Rukawa não chamava a atenção dos leitores, Inoue precisava de um protagonista mais engraçado e divertido. A ideia conceitual de Sakuragi Hanamichi veio à tona enquanto ele trabalhava em I Love Red, que se saiu melhor do que as outras one-shots justamente por causa do seu novo protagonista. A repercussão de I Love Red garantiu a Inoue sua chance de publicar Slam Dunk na Shonen Jump em 1990.

Slam Dunk

Filme de Slam Dunk
Reprodução/Toei

Antes de Slam Dunk, os mangás de esportes eram famosos apenas por abordar futebol ou beisebol. Contudo, Inoue mudou esse cenário, tornando os mangás de basquete populares também.

Apesar do seu sucesso imenso, Slam Dunk teve um final repentino, que deixou todo mundo chocado. Em 1996, a edição 27 da Shonen Jump trouxe o capítulo 276 do mangá com a seguinte mensagem: Fim da Parte 1. Os leitores acreditaram que o mangá iria retornar, já que algumas questões da história ficaram em aberto, mas o capítulo 276 foi o final definitivo.

Aquela mensagem foi apagada no último volume de Slam Dunk, e Inoue não se pronunciou sobre o motivo da sua decisão. Isso pode ter acontecido por uma soma de fatores, como um desacordo com o departamento editorial ou o autor simplesmente encerrou seu mangá no meio porque já estava satisfeito ali mesmo.

Nem os editores da revista imaginavam que Inoue iria parar Slam Dunk assim do nada, caso contrário eles não anunciariam uma sequência. Em 2004, Inoue criou Slam Dunk: 10 Days After, o epílogo de seu mangá desenhado em quadros negros para uma exposição pública de 3 dias. Mas, de 96 a diante, ele preferiu seguir sua carreira trabalhando em outros mangás ao invés de Slam Dunk.

A influência de Slam Dunk

Slam Dunk não ficou popular no Brasil como Yu Yu Hakusho, Dragon Ball ou Cavaleiros do Zodíaco porque o seu anime não foi dublado por aqui. A única vez que a obra recebeu uma dublagem brasileira foi no filme The First Slam Dunk. Sua fama no Brasil pode não ser tão grande, mas Slam Dunk é um dos mangás mais vendidos na história do Japão.

Até mesmo Dragon Ball foi superado em vendas por Slam Dunk na Shonen Jump, enquanto eles eram publicados juntos. Além disso, seu mangá tornou o basquete popular no Japão, inspirou jogadores japoneses, que jogam na NBA, e impulsionou a criação do Slam Dunk Scholarship, um programa de bolsas para estudantes que praticam basquete.

Vagabond e Real

Inoue seguiu o ano de 96 fazendo algumas one-shots e uma webcomic chamada Buzzer Beater para o site da J Sports, uma rede japonesa de canais esportivos. Depois de Slam Dunk, Inoue não queria fazer mais nada além dessas histórias curtas, pois ele pensava em se aposentar da carreira de mangaká. Entretanto, ele ficou interessado em criar um novo mangá quando um editor da Morning, uma revista seinen da Kodansha, lhe recomendou a novel de Miyamoto Musashi, escrita por Yoshikawa Eiji.

Miyamoto Musashi foi um samurai que viveu entre 1584 a 1645, ele é uma das maiores figuras históricas do Japão por vivenciar uma jornada cheia de desafios e explorar várias formas de arte. A história de Miyamoto encantou Inoue ao ponto de criar um mangá que retrata sua lenda. Foi assim que ele desenvolveu a ideia para Vagabond, que é publicado na Morning desde 1998.

Nessa época, Inoue também tinha interesse em fazer um mangá sobre basquete em cadeira de rodas. Então, em 1999, ele começou a trabalhar em um segundo mangá, Real, que é publicado na revista Weekly Young Jump da Shueisha.

Pela influência que ele ganhou em sua carreira, Inoue tem liberdade para trabalhar em seus mangás apenas quando tem vontade. Ou seja, Vagabond e Real não chegaram a um fim ainda porque o seu autor entra em hiato repetidamente para trabalhar em outros projetos como exposições, livros e muito mais.

The First Slam Dunk

Reprodução/Toei Animation

Slam Dunk ganhou uma adaptação de anime com 101 episódios, produzidos pela Toei Animation, que foi ao ar em 1992 a 1994. O anime adaptou quase toda a história do mangá, mas foi cancelado antes de chegar no último arco. Em 2022, a Toei preencheu a lacuna que faltava com o lançamento de The First Slam Dunk.

O filme foi criado para adaptar a última partida do mangá, e o próprio Inoue supervisionou essa produção. Ele foi responsável pela direção e roteiro de The First Slam Dunk, então o mangaká teve liberdade para fazer alterações e encerrar o anime da forma que preferir.

Leia mais sobre Slam Dunk:

Slam Dunk‘ conta a história do time de basquete Shohoku e do colegial Hanamichi Sakuragi. O estudante delinquente, cansado de tomar fora das garotas que preferem os esportistas, é convidado a entrar para o time de basquete da escola, quando se apaixona por Haruko.

O mangá de Takehiko Inoue tem mais de 157 milhões de cópias vendidas mundialmente. A obra foi publicada no Japão entre 1990 e 1996, contando com 31 volumes. No Brasil, já foi lançada pela editora Conrad e pela Panini, que está atualmente reimprimindo o título.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


Comentários