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A mídia dos mangás se expandiu pelo mundo através da influência de vários artistas, mas esse movimento nunca teria acontecido sem a presença de Osamu Tezuka. Todos os mangakás e artistas em geral reverenciam ele como “Pai dos Mangás” e “Deus dos Mangás”, pois a linguagem moderna dos mangás que conhecemos hoje nasceu a partir de Astro Boy e outras obras lendárias da sua carreira.

Tezuka até chega a ser equiparado a Walt Disney, Stan Lee, Jack Kirby, Will Eisner, Hergé, Alan Moore e outros nomes responsáveis por inovarem o mercado de quadrinhos, literatura e animação. Levando em conta todo o império que ele construiu, não seria exagero dizer que Tezuka realmente merece todo esse reconhecimento do mundo artístico.

A juventude de Osamu Tezuka

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Tezuka nasceu no dia 3 de novembro de 1928 na cidade de Toyonaka, em Osaka. Seu pai era administrador de uma fábrica de metais e sua mãe veio de uma longa linhagem de militares, mas Tezuka nunca teve interesse em seguir nenhuma carreira da sua família. Ele tinha uma preferência pelo ramo artístico desde que era criança.

Em sua juventude, Tezuka era um grande fã da Disney e assistia suas animações repetidas vezes. Bambi era uma das suas animações favoritas, e ele alegou ter assistido ao filme mais de 80 vezes. As animações que marcaram sua infância motivaram ele a desenhar seus primeiros quadrinhos no ensino fundamental. Mas a sua paixão por animação não se resumia apenas ao mundo da Disney.

Uma das suas maiores referências para se tornar um artista foi a animação chinesa chamada Princess Iron Fan. O seu estilo de desenho também foi influenciado pelos musicais da Takarazuka Grand Theater, um teatro japonês que Tezuka costumava ir com sua mãe.

Lá, ele conheceu um grupo de teatro musical e feminino conhecido como Takarazuka Revue. A moda dos personagens com olhos grandes e brilhantes veio de Tezuka por influência das peças que ele assistia. Os olhos das atrizes eram tão esbeltos que inspiraram ele a replicar esse estilo nos seus personagens.

Além disso, Tezuka era uma criança que gostava de colecionar insetos, ele até estudou entomologia para se aprofundar na natureza deles. Mesmo sendo um hobby, estudar sobre insetos o ajudou a ter ideias para criar personagens diferentes.

Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, ele se formou no ensino médio e foi enviado para trabalhar nas fábricas, onde fazia mão de obra a serviço do seu país. Com o fim da guerra em 1945, Tezuka começou a estudar medicina na Universidade de Osaka, e não parou de desenhar mangá.

Início de uma carreira inovadora

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Quando era criança, Tezuka foi tratado por um médico, que cuidou de um inchaço grave em seus braços. Essa experiência o levou a querer ser médico, mas ele também queria trabalhar como desenhista.

Criar quadrinhos ou animação não era algo que rendia tanto dinheiro como medicina, então Tezuka ficou com dúvida sobre qual carreira seguir. Entretanto, sua mãe o ajudou a tomar uma decisão, dizendo que ele deveria escolher a carreira que o tornaria feliz.

Em 1946, ele criou um mangá infantil, Ma-chan no Nikkichou, para ser publicado no jornal Shokokumin Shinbun. Esse foi o seu primeiro trabalho profissional de mangaká. A sua fama cresceu em 1947, com o lançamento de Shin Takarajima, um mangá baseado no conto A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson. Tezuka criou Shin Takarajima em parceria com seu colega Shichima Sakai.

O seu primeiro mangá a ganhar uma serialização foi Kimba: O Leão Branco, que foi publicado na revista Manga Shonen de 1950 a 1954. Enquanto produzia mangás, Tezuka continuou estudando medicina até se formar na universidade em 1951. Nesse mesmo ano, a Kodansha publicou a sua nova série Ambassador Atom, que mais para frente foi nomeada como o capítulo 0 de Astro Boy.

O nascimento de Astro Boy

Durante a publicação de Ambassador Atom, Tezuka recebeu diversas cartas de leitores, que adoraram o personagem Átomo. O pequeno robô humanoide se tornou uma figura idolatrada pelos garotos, por isso Tezuka foi incentivado pelo seu editor a desenvolver este personagem como um menino humano.

Logo após o fim de seu mangá, ele deu início a Astro Boy, seguindo o conselho de seu editor. Astro Boy foi publicado pela Kodansha de 1952 a 1968, com um total de 23 volumes. Nesse período, Astro Boy foi o primeiro mangá a receber uma adaptação de série animada para a TV.

O sucesso imenso de Astro Boy abriu caminho para Tezuka explorar outras áreas como o mangás shoujo. Em 1953, ele lançou A Princesa e o Cavaleiro, que foi considerada um dos primeiros mangás dirigidos especificamente para um público feminino.

No entanto, na década de 60, Tezuka sentiu que as suas histórias estavam ficando obsoletas. Todas as suas obras eram direcionadas para o público infantojuvenil, e o gosto pessoal dos seus leitores amadureceu com o passar dos anos. Para se adaptar às mudanças, o autor se desafiou a fazer histórias fora da sua alçada, direcionadas ao público adulto.

Seus leitores criticaram ele por mudar seu estilo no início, mas Tezuka não queria ficar preso na mesmice de fazer apenas histórias como Astro Boy. Então foi necessário reinventar seu estilo, mesmo que isso gerasse uma oposição vinda dos leitores. Essa nova onda de Tezuka trouxe mangás como Dororo, Vampiros, Buda e Fênix.

Ele já trabalhava no mangá de Fênix desde 1954, que foi nomeado como o “trabalho de sua vida”. A série foi composta por 12 partes independentes, ambientadas em diferentes eras, desde tempos pré-históricos até um futuro distante. Mas Fênix não chegou a um final definitivo, pois Tezuka morreu antes de concluir sua história.

Início como animador

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A primeira série de Tezuka a receber uma adaptação de anime foi Saiyuki, que foi lançado em 1960 como Alakazam: O Mago. O filme foi produzido na Toei Animation, e Tezuka trabalhou na equipe de animadores, fazendo storyboard. Mas o storyboard que ele entregou não se encaixava nos padrões da Toei, e ele também não se deu bem com o ambiente da empresa.

O seu estilo era conhecido pela “animação limitada”, que reduzia a quantidade de desenhos necessários por episódio. Embora a Toei tenha recusado esse método, os animadores japoneses descobriram que era possível minimizar os custos e tempo de uma produção, usando os parâmetros de Tezuka.

Querendo ser responsável pelas suas próprias animações, ele fundou a Mushi Productions em 1961. O estúdio ganhou prestígio no mercado de animação em 1963, com o lançamento do anime de Astro Boy. Seu anime estabeleceu o modelo de produção do Japão para fazer animações, e foi a primeira série japonesa dublada em inglês para o público americano.

Seguindo o sucesso de Astro Boy, a Mushi Production animou outros mangás de seu fundador, como Kimba, que foi a primeira série de anime lançada com cores. Porém, o modelo financeiro adotado por Tezuka não conseguiu sustentar o estúdio por muito tempo.

Vendo que a Mushi Production estava indo à falência, ele decidiu abrir um novo estúdio em 1968, a Tezuka Productions. Seu primeiro estúdio entrou em um colapso financeiro em 1973, então todas as séries do fundador migraram para a Tezuka Productions, que continua produzindo animes até hoje.

Parceria com Maurício de Sousa

Quando o trabalho de Tezuka ecoou pelo mundo, até mesmo artistas e diretores internacionais ficaram interessados em conhecer o mangaká. Por exemplo, em 1965, o diretor americano Stanley Kubrick enviou uma carta para Tezuka, convidando-o para ir até a Inglaterra e ser o diretor de arte do filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Mas Tezuka recusou o convite, porque não queria abandonar o seu estúdio por 1 ano.

Além disso, Tezuka também conheceu a lenda dos quadrinhos brasileiros, Mauricio de Sousa. Eles se conheceram pessoalmente em 1984, quando Tezuka veio ao Brasil a pedido da Fundação Japão.

De acordo com Maurício, os dois se tornaram grandes amigos e parceiros de negócios. O sonho deles era criar uma história em conjunto entre os seus personagens, mas o projeto foi adiado devido ao falecimento de Tezuka. Levaram mais de 20 anos para Maurício conseguir retomar essa parceria na Turma da Mônica Jovem.

Em 2012, Maurício criou uma edição especial de dois volumes, que leva a Turma da Mônica ao encontro de Astro Boy, Kimba, Sapphire e Black Jack em uma floresta amazônica. Essa foi a primeira vez na história que os personagens de Tezuka fizeram um crossover com um quadrinho do ocidente.

A morte do Deus dos Mangás

Tezuka faleceu aos 60 anos no dia 9 de fevereiro de 1989 por causa de um câncer no estômago. Na última edição de Fênix, foram reveladas as últimas palavras do mangaká: “Estou implorando, deixe-me trabalhar!“. Ele disse isso para a enfermeira que queria retirar seus materiais de desenho para o paciente descansar. Apesar da sua pessoa não estar mais entre nós, os ensinamentos do “Deus dos Mangás” foram mantidos vivos através de todos os animes e mangás que vieram posteriormente.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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