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A Marvel Studios surpreendeu a todos durante seu painel na San Diego Comic-Con, ao revelar o retorno de Robert Downey Jr. ao Universo Cinematográfico Marvel. Mas dessa vez, não como Homem de Ferro, mas sim como o grande vilão da nova fase de filmes: o Doutor Destino.
Não apenas isso, o estúdio também revelou os títulos dos dois próximos filmes dos Vingadores, a chegarem em 2026 e 2027: Doomsday e Secret Wars. Já falamos aqui sobre algumas histórias que recebem o título de “Doomsday” nos quadrinhos, mas e as Guerras Secretas? Tecnicamente existem quatro delas, embora a de 2015 seja a mais provável de servir como base para o MCU.
Guerras Secretas (1984)

As Guerras Secretas originais foram as primeiras do seu tipo: uma história em quadrinhos de “mega-crossover” em que múltiplos heróis e vilões se reuniam, não apenas para competir, mas para sobreviver a uma batalha superpoderosa entre as estrelas.
Em Secret Wars (1984) #1, muitos dos heróis mais proeminentes do Universo Marvel – incluindo os Vingadores, os X-Men, o Quarteto Fantástico, o Homem-Aranha e o Hulk – de repente se encontram transportados para uma nave espacial estranha flutuando no meio de um vazio inexplorado. Este foi um momento marcante para os heróis da Marvel, pois nunca haviam se reunido dessa forma antes. E, embora houvesse segurança em números, também havia confusão, já que ninguém parecia entender como chegaram lá ou, mais importante, por quê.
Notando uma nave idêntica nas proximidades, cheia de alguns dos seus maiores inimigos – como Galactus, Ultron, Doutor Destino e a Encantor – os heróis observaram enquanto uma galáxia inteira foi extinta em um piscar de olhos e substituída por um planeta remendado. Este “Mundo Bélico”, que serviu como um campo de guerra entre os dois grupos, foi criado pelo ser incrivelmente poderoso conhecido como Beyonder, que encorajou os heróis e vilões a se matarem, prometendo ao lado vencedor os desejos de seus corações.
A série original de 12 edições de Guerras Secretas trouxe à vida alguns dos momentos mais memoráveis da Marvel. O evento introduziu vilões marcantes como Titânia e Vulcana, reverteu temporariamente o Coisa para sua forma humana como Benjamin Grimm, mostrou o Hulk levantando uma montanha e, talvez mais importante, mudou a vida do Homem-Aranha quando ele entrou em contato com o traje negro senciente que mais tarde seria conhecido como Venom.
Guerras Secretas terminou de forma grandiosa quando o Doutor Destino — possivelmente a figura central da história — absorveu poder cósmico suficiente para desafiar o próprio Beyonder. Destino havia se tornado o líder dos vilões, e construiu um dispositivo a partir do corpo do Garra Sônica para drenar o poder de Galactus. Usando seu poder cósmico roubado, ele foi capaz de atacar seu verdadeiro alvo, o Beyonder.
Destino perdeu a batalha, mas, quando o Beyonder se aproximou para dissecá-lo e estudá-lo, ele conseguiu ativar um dispositivo em sua placa peitoral que pairava apenas ao seu alcance. Destimo então drenou o Beyonder e se tornou ainda mais poderoso, um verdadeiro deus. Tão poderoso, de fato, que Destino era incapaz de dormir, sob o risco de destruir o universo com um sonho. No entanto, o Beyonder sobreviveu. Ele tomou posse do corpo do Garra Sônica e usou sua astúcia para enganar Destino, fazendo-o perder o controle de seu poder roubado, recuperando-o e derrotando-o. O Beyonder então desapareceu, levando Destino com ele.
Guerras Secretas II

A sequência do evento original, Guerras Secretas II (1985) de Jim Shooter e Al Milgrom, trouxe o retorno do Beyonder, mas desta vez à Terra, em uma tentativa de entender a vida mortal. Sendo ele a totalidade de sua própria dimensão, ele não conseguia compreender completamente a tradição humana de “pensamento individual” e “existência”, e assim ficou obcecado em entender ambos — não importava o custo.
Então, ele adotou um mullet invejável e um macacão estiloso (afinal, eram os anos 80) e continuou suas paixões voyeurísticas observando e aprendendo com os variados heróis e vilões da Terra — e ele aprendeu muitas coisas, como comer, ir ao banheiro e jogar. Assumindo um emprego e um novo nome (Frank), o Beyonder se juntou a um pequeno mafioso, que lhe deu todas as instruções de que precisava… ou assim ele pensou.
Eventualmente, o Beyonder foi longe demais, assumindo o controle não apenas do mundo, mas dos próprios sistemas de vida que o governavam. Tudo, desde animais a plantas, minerais e bactérias, se curvou a este adorável — embora ingênuo— deus todo-poderoso. No entanto, como a maioria dos seres onipotentes, o Beyonder se entediou com o controle e eventualmente se concentrou em criar algo novo: uma criança! Bem… mais ou menos.
O Beyonder terminou Guerras Secretas II criando uma máquina que transferiu seu ser onipotente para um corpo novo, e ele se tornou seu próprio filho sem poderes — apenas para viver como um mortal, basicamente. Disputas éticas e brigas com os maiores heróis da Marvel (e Mefisto) se seguiram, até que o Beyonder foi finalmente expulso do universo pelo igualmente poderoso Homem Molecular. Ele foi parar no início de tudo, onde se tornou o Big Bang que deu origem ao universo.
Guerras Secretas III (1988)

Guerras Secretas III, diferente das anteriores, não é um grande evento, sendo apenas uma saga que se passa nas páginas de apenas uma edição da revista do Quarteto Fantástico, a de número #319. Ela serve apenas para explicar a origem do Beyonder.
A história começa na borda da Zona Negativa, onde Coisa, Ms. Marvel, Tocha Humana e Dr. Destino estão se aproximando de uma brecha que os levará ao universo em que o Beyonder existia antes de sua morte. Destino explica a seus antigos inimigos que é lá, na Encruzilhada do Infinito, que eles aprenderão o segredo dos Beyonders.
Quando os heróis atravessam a Encruzilhada do Infinito, são lançados através de vários universos. Eles finalmente chegam ao local que pretendiam ir, e ficam surpresos ao descobrir que é uma quase duplicata do seu próprio universo, porém Destino os corrige dizendo que é o universo que o Beyonder criou antes de sua morte. Quando se aproximam da versão da Terra criada pelo Beyonder, ele detecta sua presença, aparece no sol e diz aos invasores de seu universo que todos estão mortos.
Nessa história descobrimos que os Beyonders são seres de outro universo que estão além da compreensão de qualquer um; eles nunca foram e nunca serão vistos novamente. No entanto, eles se interessaram por outros universos e, como tal, fizeram contato com esses outros reinos para aprender mais sobre eles. Eles particularmente se interessaram pelo planeta Terra deste universo e seu potencial para criar seres super-humanos de vasto poder. Embora receba o título de “Guerras Secretas III”, trata-se apenas de um retcon.
Guerras Secretas (2015)

E então temos as Guerras Secretas de 2015, que deve ser a maior base para o Universo Cinematográfico Marvel. Orquestrada por Jonathan Hickman com arte de Esad Ribić, a história é um pouco semelhante à sua antecessora de 1984, mas com muito mais complexidade e repercussões muito maiores para o Multiverso Marvel.
O enredo dessas Guerras Secretas começou na série New Avengers (2013), também de Jonathan Hickman. Essa série revelou que a Terra-616 — o que conhecemos como o Universo Marvel principal — estava em uma rota de colisão catastrófica com outras Terras do Multiverso Marvel. As dimensões estavam rompendo suas fronteiras e, uma vez que entravam em contato umas com as outras, ambas eram destruídas. Essas “incursões”, como passaram a ser conhecidas, eram um subproduto de um esquema arquitetado pelo Doutor Destino e Owen Reece, o Homem Molecular — não para destruir o Multiverso, mas para salvá-lo.
Acontece que os Beyonders revelaram-se como uma raça extradimensional de seres todo-poderosos. O Beyonder original das Guerras Secretas era apenas uma criança entre essas criaturas. Em seu experimento mais mórbido, os Beyonders colocaram um Homem Molecular em cada universo como uma constante. Eles não fizeram isso para criar vida, mas para construir um arsenal infinito de bombas sencientes capazes de destruir universos. Detonar todos os Homens Moleculares de uma vez seria seu maior experimento e obra-prima: “a morte simultânea de tudo no Multiverso”. Isso era algo que o Doutor Destino não podia tolerar.
Então, Victor e o Homem Molecular planejaram matar o maior número possível de Homens Moleculares de dimensões alternativas para tirar o ímpeto destrutivo dos Beyonders. No final, isso levou a um confronto com os Beyonders em que Destino os atingiu com uma bomba feita de Homens Moleculares que ele colheu do Multiverso. A bomba matou os Beyonders e, no processo, permitiu que Destino absorvesse seus poderes. Depois disso, Destino usou suas novas habilidades para salvar o que restava do Multiverso e criar sua própria versão do Mundo Bélico, onde ele reinava como um deus.
A composição desse mundo era uma mistura de diferentes realidades, onde uma Tropa Thor atuava como a força policial pessoal de Destino, o Tocha Humana se tornou o sol, e uma parede gigantesca feita do Coisa segurava hordas de zumbis, Ultrons e Ondas de Aniquilação. Era um lugar onde outras realidades colidiam e convergiam, cada uma governada por um senhor da guerra que não respondia a ninguém, exceto Destino.
Pouco antes das últimas duas Terras do Multiverso (Terra-616 e Terra-1610, também conhecida como o Universo Ultimate) serem destruídas, o maior inimigo de Destino, Reed Richards, e sua filha Valeria criaram uma nave de salvamento para um grupo seleto de heróis sobreviverem à incursão final e repovoarem o Multiverso do outro lado. Eles sobreviveram, mas aterrissaram no único universo restante, onde apenas Destino e seu Mundo Bélico existiam.
Oito anos após aterrissarem e ficarem em um estado de animação suspensa, os heróis da Terra-616 — e um Cabala de vilões, que também sobreviveram em uma nave de salvamento separada — despertaram e rapidamente perceberam o que Destino havia feito. Sim, ele salvou o que restava do Multiverso, mas também fez com que todos no Mundo Bélico o adorassem e esquecessem qualquer outra existência além da que ele forjou pessoalmente. Isso era algo que Reed Richards não podia tolerar.
Ao longo das nove edições, a equipe da Terra-616 e seus vilões travaram uma guerra contra Destino, que ainda não estava à vontade com seus incríveis poderes e se sentia cansado sob o peso de sua própria estação divina. Ao final da série, os heróis da Marvel proporcionaram uma distração, que incluía zumbis, um Pantera Negra empunhando a Manopla do Infinito e uma batalha gigantesca entre Ben Grimm e Galactus. Enquanto isso, Reed Richards lutava um contra um contra Destino nas entranhas de seu próprio planeta e finalmente fez seu antigo inimigo admitir que o Senhor Fantástico teria feito um trabalho muito melhor salvando o Multiverso.
O Homem Molecular — que sobreviveu ao lado de Destino e ajudou a manter seu controle sobre o Mundo Bélico — concordou em transferir os poderes dos Beyonders para Reed Richards, que então reconstruiu o Multiverso Marvel e retornou tudo ao normal. Ou quase normal.






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