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Desde que foi anunciado, o game The Legend of Zelda: Echoes of Wisdom chamou a atenção por um fato bem interessante – Neste jogo, você não tem Link como o protagonista que precisa salvar a princesa Zelda do perigo, quer dizer… até tem, mas apenas na apresentação do game, depois disso, Zelda assume o controle e a missão de salvar Hyrule fica nas mãos dela (e nas suas!).
E embora isso já seja um grande evento, afinal, a princesa Zelda nunca protagonizou um game antes (e olha que a franquia já existe há mais de 35 anos), a aventura também traz vários elementos impressionantes para um visual que parece tão simples. Eu sei, para boa parte das pessoas que jogam hoje em dia, uma aventura de The Legend of Zelda se tornou sinônimo de Breath of The Wild e Tears of the Kingdom, as versões de mundo aberto que fizeram tanto sucesso.
Porém, Echoes of Wisdom segue o mesmo padrão visual do remake de Link’s Awakening, que traz uma versão que eu gosto de chamar de “Toy Link”, pois tudo parece ser feito de brinquedo, dando uma aparência bem fofinha para todos os personagens, ambientes e até os monstros. E honestamente, tal visual combina muito bem com a aventura da princesa, principalmente com a mecânica principal apresentada no game: Os Ecos.

Mas, antes de mais nada, vamos ao contexto: Esta versão do mundo de Hyrule já vem sido atormentada há um tempo pela aparição de fendas no mapa, que não apenas absorvem o ambiente ao redor, mas também as pessoas que ali existiam. Tudo isso vai para um limbo de existência e, caso a fenda não seja fechada, as coisas não são restauradas e tudo ali desaparece para sempre. Originalmente, Link era responsável por ajudar a investigar tais fenômenos, o que ajudava o trabalho de Tri e suas amigas, que fechavam os estranhos portais.
Mas quem é Tri? A grande acompanhante de Zelda nesta aventura. Tri é uma bolinha de luz que empresta os seus poderes para a Princesa. É dela que vem a capacidade de criar “Ecos”, ou seja, reproduzir algo que já existia com perfeição e usar isso para restaurar o ambiente como ele era antes. Porém, as fendas passaram a se desenvolver tão rápido e engolir tanta coisa que tudo acaba saindo de controle, dando espaço para um caos e um perigo gigante. Cabe a você, agora, usar os poderes de Tri através da Princesa Zelda para salvar o mundo de Hyrule.
Para quem é veterano na franquia, vale dizer que Echoes of Wisdom lembra demais algumas aventuras clássicas como A Link to the Past ou até mesmo o já citado Link’s Awakening. Embora Zelda seja bem diferente de Link na ação, o mundo ainda está repleto de Puzzles e inimigos para serem vencidos e eu precisava dizer isso para poder entrar no tópico que define o game.
O Poder dos Ecos

Com o poder dos Ecos, emprestado por Tri e representado pelo cetro que Zelda carrega, você consegue duplicar qualquer item que foi memorizado. Nem tudo pode ser copiado, entretanto, é preciso que ele esteja brilhando de uma forma bem peculiar para você memorizar e poder usar sempre que quiser, com seus dados sendo armazenado em um menu, com todos os itens que foram “capturados”. Ok, parece uma ideia simples, mas a franquia The Legend of Zelda tem a tradição de mostrar como o simples pode escalar para algo complexo.
Ao copiar os itens, você pode usá-los de forma inteligente, alternando-os, para criar um caminho, por exemplo – pulando de cama em cama, empilhando diferentes peças, fazendo peso em um local, criando uma parede para se esconder ou prender um personagem, gerando algo para escalar – as utilidades são inúmeras. Um exemplo? Já pensou em usar camas para criar uma ponte? Pois é. E o melhor: não existe apenas um modo de resolver isso. Cada jogador terá sua própria experiência, conseguindo diferentes formas de resolver os puzzles com seus ecos.

Mas o uso de ecos não se restringe apenas a objetos: É possível criar ecos de monstros que foram derrotados, assim, eles passam a trabalhar pra você, atacando outras ameaças e protegendo a Princesa Zelda enquanto estiverem ativos (até serem derrotados). Mas calma: isso não quer dizer que você pode criar um exército de monstros e sair tocando o terror por aí – o número de ecos é limitado pelo número de triângulos que estão flutuando como se fosse uma espécie de cauda da Tri e cada objeto ou monstro possui essas mesmas formas aparecendo em cima deles no menu, indicando o custo para invocá-los. Exemplo: Se a Zelda invoca um monstro ou objeto de custo de 1 e a Tri tem 3 triângulos flutuando ao redor dela, é possível invocar 3 cópias simultâneas. Caso você decida criar uma quarta, a primeira é automaticamente deletada para que a quarta possa existir. Assim, é preciso pensar bem na hora de usar cada uma dessas coisas.
É claro que você poderá aumentar o número de invocações com o tempo, mas isso vai exigir esforço de sua parte. Não apenas isso, demanda uma certa estratégia – acontece que alguns monstros são mais efetivos contra outros, assim, não adianta invocar 3 e achar que tudo está resolvido, pois ele pode ser fraco contra o inimigo que você está enfrentando. Para te ajudar nisso, o game tem toda uma enciclopédia sobre os itens, monstros e seus usos. Sim, os monstros também tem outras utilidades, já que seus poderes podem ser usados para acender tochas ou preencher um caminho.
Não é apenas isso!

Embora os Ecos sejam a principal mecânica e até sejam usados no título, o game vai muito além disso. Por um tempo limitado, Zelda pode se transformar em uma versão guerreira, seguindo a força de Link. Usando a Espada do Poder, Zelda ganha as mesmas habilidades do herói e até conjura um escudo, mas por ser uma transformação que gasta energia e se desfaz ao fim dela, este também é um recurso que deve ser usado com inteligência e estratégia, mostrando que nem sempre a força é suficiente.
Logo na primeira batalha contra um chefe, você vai aprender que o uso da espada pode se misturar muito bem com os ecos e que saber dosar os dois é a chave para encontrar a vitória no jogo. Para que a transformação ocorra de novo, Zelda precisa coletar energia, que se espalha no mapa. E, ao longo do game, o contador de energia tende a ficar maior e a transformação dura mais tempo.
Além da transformação de Zelda, Tri também pode te emprestar outro poder: a Sincronia – com isso, você atira Tri contra um objeto e ele começa a repetir exatamente os seus movimentos pelo mapa, o que permite que você o coloque em um lugar determinado e pare o elo com ele, algo que pode abrir ou fechar caminhos. Basicamente, lembra muito a Ultrahand de Tears of The Kingdom, mas em um modelo de mapa diferente.
E tem mais: Zelda pode usar diferentes trajes que possuem diferentes vantagens dentro do jogo, tal como aumentar a velocidade de nado ou a altura de salto (além de deixar a Zeldinha ainda mais fofinha). Além disso, o game conta com uma trilha sonora envolvente e muito bonita, contando também com um trabalho de interface que remete ao que vimos em Breath of the Wild, mostrando as quests principais e paralelas do jogo para você acompanhar e completar.
A primeira aventura em português do Brasil

Como foi anunciado, The Legend of Zelda: Echoes of Wisdom é o primeiro jogo da franquia em Português do Brasil – O game possui muito texto, diálogos e descrições de itens e monstros, o que facilita o acesso para todos os gamers do país. É muito bom ver que finalmente isso aconteceu e também é muito mais fácil ler tudo no idioma nativo.
Neste ponto também preciso elogiar o trabalho de localização, pois conseguiu adaptar muito bem os textos e até usou algumas formas bem brasileiras de expressão para alguns personagens, deixando os diálogos muito mais naturais. Esperamos que os próximos lançamentos da franquia sigam o mesmo caminho.
Vale a pena?

The Legend of Zelda: Echoes of the Wisdom é uma aventura inovadora que traz uma dose de desafio e descobrimento que me remete aos clássicos da franquia, de uma forma diferente, única. Não apenas pelo protagonismo de Zelda, mas também pela genialidade de usar uma mecânica “simples” de formas tão diferentes e inventivas. Uma aventura que já nasce com sabor de clássico.
Se você é fã da franquia, não existem motivos para deixar este game passar. E se você nunca jogou nenhum game da série, talvez este seja um ótimo ponto de entrada, pois Echoes of Wisdom te surpreenderá e encantará, tal como os jogos top down da franquia fizeram com gerações anteriores de jogadores. Sinceramente? Imperdível.
Este review foi desenvolvido a partir de uma cópia antecipada do jogo oferecida pela Nintendo
- Desenvolvedora: Nintendo
- Publisher: Nintendo
- Plataformas: Nintendo Switch
- Review feito no: Nintendo Switch
- Mecânicas muito bem desenvolvidas
- Uma bela história
- Muita exploraçãos, puzzles e desafios






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