
Faz tempo que Keiji Inafune entrou para a lista dos nomes mais famosos e respeitados da indústria dos games. Ele é mais conhecido como o pai do Mega Man. Porém, em 2010, ele deixou a Capcom e abriu sua própria empresa, a Comcept, que começou uma campanha no Kickstarter para criar o sucessor espiritual do jogo que o deixou famoso. Depois de um árduo processo de desenvolvimento, finalmente vimos Mighty No. 9 chegar aos consoles e PC.
O jogo se passa em um futuro indeterminado, onde Mighty No. 9 segue uma premissa bem parecida com a que conhecemos de Mega Man, o Dr. White criou um elenco de androides conhecidos como Mighty Numbers, dentre eles está Beck, o nono androide. Os outros 8 acabaram sendo dominados por forças exteriores e a missão de Beck é libertar cada um deles. O que é uma boa mudança em comparação ao que vemos em Mega Man.
O gameplay traz tudo aquilo que você espera de um título de Inafune. Você enfrentará um cenário introdutório, seguido pelos cenários dos 8 Mighty Numbers e então o cenário final. Cada um desses níveis é jogado no estilo side-scrolling em plataforma, algo que estava sumido por uns anos. Os níveis trazem diferentes temas, elementos e obstáculos diferentes, porém, também possuem vários pontos em comum.
O próprio Beck tem um bom arsenal de armas à sua disposição no fim do jogo, mas no começo, ele possui quase nada. Ele vem equipado com um canhão de plasma em seu braço, que você pode usar de forma contínua ao apertar o botão de ataque. O jogo também possui a mecânica de “dashing” como parte de seu movimento, além de ter um uso interessante.

Um aspecto completamente original é que todos os robôs do jogo são feitos de algo conhecido como Xels, que é absolutamente vital no jogo. Neste jogo, você precisa dar uns bons tiros nos inimigos para eles começarem a brilhar com uma certa cor, isso significa que você pode usar o Dash e absorver os Xels desses inimigos. Isto ajuda a restaurar sua arma, dependendo do quão rápido você faz isso.
O sistema de Xels parece intrigante, mas a maneira como ele é usado no jogo não é perfeita. O grande problema é a precisão. O fato de você ter que usar o dash em uma criatura é legal, quando ela some de vez, porém, quando você está lutando com mais de um inimigo e você não tem como usar a habilidade para atingir o que está atrás, caso você use o dash, você irá levar dano ao chegar do outro lado. O dash acaba te deixando vulnerável. O sistema de Xel é bom e tem ótimo potencial, mas pode te causar bons problemas se você usá-lo constantemente.
Isto não quer dizer que o jogo seja ruim. Ele pode ser bem divertido, principalmente nas batalhas contra os bosses. No fim de cada cenário, você enfrentará um dos Mighty Numbers, cada um com uma mecânica totalmente única. Você enfrentará o primeiro apenas com o seu canhão, mas Beck pode absorver as habilidades dos chefes para usá-las em sua missão de salvar seus amigos. Vale dizer que certas habilidades possuem mais efetividade contra determinados chefes.

Depois de coletar as novas armas, o jogo irá te aconselhar a qual boss você deve enfrentar em seguida. O que tira um pouco do mistério e da sensação de descoberta do jogo. Os níveis são legais, mas se você está achando tudo fácil, é possível aumentar a dificuldade do jogo.
Depois de completar os 8 Mighty Numbers, o fim está próximo e você abrirá novos cenários. Um deles é baseado na contraparte feminina de Beck: Call, que é vista em uma das cutscenes. Ela é um pouco diferente de Beck, visto que ela não consegue absorver Xel, mas pode criar uma bolha de energia que a protege. O cenário de Call foi um dos objetivos da campanha do Kickstarter, logo, é ótimo ver que tudo deu certo. Porém, o estágio parece estar deslocado, visto que você precisa desbloquear tudo antes para poder jogar esta fase. Este cenário deveria estar em uma área opcional, sem necessidade de nenhuma área anterior.
Ao invés de usar um estilo 8 bits, tal como Shovel Knight, a Comcept preferiu criar um estilo moderno combinando 2D e 3D. É algo bem usado, mas que não ficou muito bonito em Mighty No. 9. Os backgrounds também não foram tão trabalhados, algo bem diferente que um jogo como Donkey Kong Country: Tropical Freeze oferece. Os modelos dos personagens estão OK, porém, alguns designs parecem ser mais um saudosismo do próprio Inafune. Infelizmente, a música também não é um ponto alto do jogo. As músicas não deixam uma boa impressão, muito menos a dublagem do jogo.
O Veredito:
Mighty No. 9 se apresenta como sucessor espiritual de Mega Man, copiando vários de seus elementos e injetando novas ideias. Mesmo com os visuais não tão bem trabalhados e um pouco de saudosismo demais em seu desenvolvimento, devemos lembrar que a Capcom esqueceu da existência do herói azul. E também devemos levar em consideração todo o prazer que é jogar uma batalha contra os bosses de Mighty No. 9. O jogo é bom, poderia ser melhor, mas talvez isso seja melhor desenvolvido em uma possível futura sequência. No fim, o jogo vale a pena. Você pode comprar o jogo clicando no banner abaixo:






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