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O que é o mal? A natureza do mal é um conceito muito interessante de ser pesquisado, pois não é tão simples quanto as pessoas imaginam. Seu efeito é, muitas vezes, involuntário; ele simplesmente existe. Em Superman (2025), acompanhamos um herói que é bom por simplesmente ser e, como resposta a isso, um Lex Luthor que é mau porque é. Isso faz da versão de Nicholas Hoult a melhor representação já feita do vilão.

Li por aí, em uma das raras críticas negativas ao trabalho de Nicholas Hoult, que seu Lex Luthor não era bom porque o texto de James Gunn não o havia colocado em uma área cinza ou com nuances. Não poderia discordar mais. O filme da DC Studios apresenta um vilão caricato que junta elementos divertidos de algumas de suas iterações mais legais em todas as mídias. No entanto, apesar dessa caricatura, há, sim, nuances nessa versão do personagem.

O Luthor não é apenas invejoso; ele é a antítese do Superman. Enquanto o Homem do Amanhã ama a humanidade e quer se aproximar dela, Lex odeia a todos e quer moldar o mundo à sua imagem. Enquanto o herói não dá muita bola para os holofotes, Luthor quer todas as câmeras apontadas para si.

A versão de Hoult, inclusive, conversa muito bem com as mazelas do nosso tempo. O novo Lex Luthor é um bilionário “tech bro”, “redpill” e ultranacionalista que acredita saber quais são todos os problemas do mundo e como resolvê-los.

Em Superman: A Era Espacial, Mark Russell retratou bem o ódio de Lex Luthor pela humanidade. Em uma sequência, o vilão tenta provocar o apocalipse nuclear para recomeçar a civilização do zero (Reprodução/DC Comics)

Desde os primórdios da humanidade, lutamos por sobrevivência e conforto. A ânsia em excesso por conforto tende a nos deixar egoístas. Respondendo à pergunta do início, vejo o mal como uma manifestação genuína do egoísmo. É algo tão banal que, às vezes, nem percebemos que estamos praticando. Ter empatia é algo difícil, pois significa renegar aos próprios instintos para sentir desconforto pelo próximo. Você precisa ser muito forte para negar o mal.

Tanto Superman quanto Lex Luthor têm dons. Para um, há a força de Krypton; para outro, o ponto mais avançado que o cérebro pode alcançar na Terra. O que diferencia os dois não é uma missão encomendada, mas as escolhas que eles fazem.

Lex Luthor e Superman cara a cara no DCU
Reprodução/DC Studios

O cérebro mais avançado da Terra, Lex Luthor, não consegue se sobrepor aos próprios instintos egoístas, e essa é a sua principal fraqueza. Já o Superman, que poderia passar uma vida inteira sem dor e sofrimento, abre mão do próprio conforto para sentir as dores dos próximos e inspirar mais pessoas a fazerem o mesmo. O herói ama a humanidade, e essa é a sua principal força.

Dentre várias imagens marcantes do filme de James Gunn, a que mais fala sobre Luthor é a de Hoult lutando para segurar o choro quando é desmascarado para o mundo inteiro. Sem abrir a boca, o ator provou que entendeu cada nuance do personagem.

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