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Quem acompanha nosso trabalho no site e nas redes sociais, sabe que postamos muito sobre quadrinhos, mas ainda não fazemos o mesmo número de matérias para mangás. Infelizmente, diga-se de passagem (cobrem, queremos fazer muito mais). Sabemos que existem ótimos materiais nas bancas, mas o objetivo aqui é dar o devido destaque a um deles: Fullmetal Alchemist.

Vale ressaltar que o texto visa falar sobre a experiência de leitura do mangá de Fullmetal Alchemist. Apesar do mangá ter sido adaptado duas vezes para anime, eu acredito que você se sentirá mais feliz em ler todos os capítulos da história do que assistir os episódios. 

Para quem não conhece, Fullmetal Alchemist é um mangá criado por Hiromu Arakawa. Ele foi publicado de 2001 até 2010 no Japão. É um mangá que entra fácil no top 5 de qualquer fã de shonen. Tem um grande plot, ótimos personagens e consegue mexer profundamente com os sentimentos do leitor.

Fullmetal Alchemist é uma história que se apresenta de forma inacreditavelmente simples, mas ao ler os 30 primeiros capítulos, você notará o quão grande ela é. Mas não se preocupe, basta ler o primeiro capítulo para se apaixonar completamente pela história.

Basicamente, seguimos a história de dois irmãos: Edward Elric, o irmão mais velho, e Alphonse Elric. Duas crianças que passaram pela experiência traumática de ver seu pai abandonar a família e sua mãe morrer. Entristecidos pela perda da mãe, os dois decidem usar a alquimia, ciência estudada pelo pai, para trazer sua mãe de volta à vida. O resultado é catastrófico: a alquimia requer que seja pago um preço equivalente ao que é pedido, assim, Edward perde uma perna e Alphonse perde o corpo inteiro. Em busca de salvar o irmão, Edward oferece o braço e consegue “linkar” a alma de Alphonse à uma armadura.

Por mais que isso pareça um grande spoiler para quem não leu esta saga, acredite, eu não toquei nem na superfície de tudo. A história não é contada de forma cronológica e este evento acaba sendo apenas uma “sinopse” daquilo que você encontrará nas páginas do mangá. É incrível como a autora conseguiu criar um universo complexo, com um ótimo problema, narrativa excelente e personagens cativantes.

Embora tudo pareça tão fantástico, Fullmetal Alchemist consegue trazer uma história madura (ok, não é algo adulto, mas, definitivamente, alguns itens passarão em branco para uma criança). O mangá aborda diferentes tópicos que se encaixam muito bem no mundo em que vivemos, facilmente comparados com eventos do passado e do presente. Vemos guerras, rivalidades, críticas à religiosidade, conspirações e segregação racial. Alguns assuntos são mostrados de forma mais tímida, enquanto outros são bem escancarados.

A alquimia também é abordada de forma bem singular. Apesar de ser chamada de ciência, ela meio que funciona como uma magia. Claro, ela possui suas regras e limitações, mas que, podem ser superadas com o uso da pedra filosofal, o item mítico que já foi usado em diversas obras de ficção e fantasia. Vale dizer que a pedra filosofal foi o que insipirou Arakawa a escrever Fullmetal Alchemist. Ela ficou impressionada com a ideia de ter uma fonte de poder que seria capaz de aumentar a força e vitalidade de uma pessoa. É claro que os irmãos Elric se interessam por isso, visto que, neste mundo, a pedra filosofal pode quebrar a regra da troca equivalente. Porém, qual será o preço disso? A resposta é chocante.

Voltando ao plot dos irmãos Elric, a história traz dois grandes pontos. O primeiro é a jornada dos dois em busca de seus corpos originais. O segundo é o grande plano que engloba todos os personagens do mangá. Tudo está ligado. Tal qual nos círculos de transmutação, tudo faz parte de uma equação circular. Devo dizer que a autora não para um minuto durante toda a história. Vemos novos elementos sendo adicionados a cada capítulo. Diferentes nações, diferentes tempos, diferentes eras, diferentes seres, nada escapa.

Ainda assim, o grande ponto de Fullmetal Alchemist é o desenvolvimento de personagens. A relação dos irmãos Elric é o grande protagonista da história, mas ela é acompanhada pelos diversos e marcantes grupos de coadjuvantes que estão presentes no mangá. Arakawa se recusa a desperdiçar uma fonte de história e sentimento. Cada personagem tem sua chance de fazer o leitor rir, chorar ou refletir. À primeira vista, você pensará que alguns personagens são totalmente desnecessários, mas nada se perde, tudo se transforma e se une ao eixo desta história. O exemplo perfeito é Nina, uma personagem que aparece logo nos primeiros capítulos, mas que sua presença é sentida durante todo o resto da história. Acredite, tudo está conectado.

Além de grandes heróis e grandes coadjuvantes, o mangá conta com grandes vilões. Como todos os demais personagens da história, eles também conseguem chamar a atenção do leitor. Apesar da vilania, é impossível odiar alguns deles. São vilões que conseguem roubar a cena e se mostram como os antagonistas perfeitos para a história. Arakawa consegue criar uma ótima representação dos sete pecados capitais. Não irei soltar spoilers, mas peço que você comente aqui após terminar a leitura.

Uma coisa que chama a atenção é a forma como o mundo de Fullmetal Alchemist foi arquitetado. É muito difícil criar um mundo de fantasia, mas é ainda mais difícil criar um sistema de fantasia e inserí-lo em mundo similar ao nosso, principalmente com tantos paralelos reconhecíveis. Vemos representações da Alemanha, China e até Rússia. É bonito ver como a autora conseguiu criar os eventos do mangá após os problemas do mundo real. Logo, ao escrever Fullmetal Alchemist, Arakawa teve que tomar grandes decisões sobre o que ela gostaria de comentar.

Fullmetal Alchemist é a perfeita combinação de história e desenvolvimento de personagens. É uma obra que te levará a um verdadeiro passeio de emoções. É o tipo de história que te surpreenderá durante a leitura e te fará se sentir grato pelo grande número de capítulos. Ela consegue trazer uma forte sensação de continuidade a cada edição, conectando cada detalhe a um plano maior. É uma obra madura e que consegue te fazer refletir muito sobre a complexidade da história. Enfim, é uma ótima história que deve ser lida por todos, inclusive aqueles que não são fãs de mangás ou animes. É uma história indispensável e obrigatória na coleção dos apaixonados por uma boa leitura.

Atenção: O mangá foi relançado recentemente pela JBC. A obra ganhou uma edição dos mesmos moldes que Yu Yu Hakusho teve recentemente. A nova versão tem papel offset, capa com laminação fosca e custa 16,90. Você pode encontrar os primeiros títulos, clicando aqui.



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