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Tal qual o filme Queer (2024), de Luca Guadagnino, a 2ª temporada de Pacificador tem a dependência como motor da trama. Para mim, isso demonstra o quanto o DCU é um universo especial.
A seguir, explico esse paralelo, aproveitando para falar melhor sobre o que considero um dos melhores filmes do ano passado.
A centopeia e o ouroboros

Há relatos de que algumas pessoas não conseguiram se conectar com Queer (2024), talvez por enxergarem o filme de Guadagnino como uma simples história de romance gay.
No entanto, tal qual a obra original de William Burroughs, Queer (2024) se torna mais interessante quando você percebe a profundidade da história sobre a dependência como um sentimento nocivo.
Vejo muitas histórias que lidam com a dependência como um tema superficial ligado a drogas e álcool, mas essa é uma situação que vai muito além disso.
A dependência é um sentimento que nasce da falta de aceitação. Por causa dessa falta, muitas pessoas criam uma utopia inalcançável, e a busca por ela acaba abrindo um vazio impossível de preencher.
Drogas, álcool e afeto são instrumentos vistos como atalhos. Eles até proporcionam a sensação de completude por um instante, mas o vazio sempre retorna.
Esse ciclo faz com que os dependentes se consumam, tal qual Ouroboros, a serpente que devora a própria cauda
Queer (2024) é uma história sobre um homem se consumindo pela dependência emocional de um amor inalcançável. No William Lee que definha ao longo da trama até encontrar a sua aceitação, Daniel Craig entrega uma atuação digna de prêmios.
O filme é carregado por uma simbologia interessantíssima de Luca Guadagnino. Ele usa a centopeia e o ouroboros para contrastar a capacidade de seguir em frente com a frustração de nunca sair do ciclo de autodestruição.
O castelo de areia de Christopher Smith

A 2ª temporada de Pacificador envolve o multiverso. A primeira coisa que vem à mente quando se descobre isso é que o recurso servirá como uma fonte de autorreferência sacal para sustentar participações especiais vazias, e justificar a transição da série de um universo compartilhado para outro.
Bem, já assisti aos 5 primeiros episódios, e vou adiantar algo que não é spoiler, pois já foi explicado pelo próprio James Gunn: o multiverso não é usado para justificar a saída do Pacificador do antigo DCEU para o DCU.
Aliás, essa transição nem existe. O Pacificador da 2ª temporada sempre esteve no DCU de Superman (2025) e Comando das Criaturas. Como? Isso vou deixar para você descobrir quando a série estrear.
O multiverso é usado como um elemento real na jornada do Pacificador, e tem a ver com a falta de aceitação desse Christopher Smith que está afogado nas drogas e no álcool.
Incapaz de seguir em frente, ele descobre um mundo onde pode finalmente ter a vida que sempre quis.
Essa nova realidade, no entanto, não passa de um novo entorpecente. É um castelo de areia destinado a ser destruído pelo mar.
Vivendo nela, o Pacificador não apenas se consome como ameaça levar o mundo inteiro junto a sua autodestruição.
Obviamente, a série ainda é uma obra de James Gunn com piadocas, sequências brutais de ação e cenas pitorescas de super-heróis.
O pitoresco, no entanto, serve a algo intimista, o que permite que o público se conecte com o absurdo da tela.
Veja, a 2ª temporada de Pacificador é uma fantasia de super-heróis absurda, mas que lida com o mesmo tema humanamente sensível que o conceitual Queer (2024).
Isso é uma grande vitória, pois Pacificador é o tipo de obra que se expande com mais facilidade, e mais pessoas vão se pegar discutindo sobre dependência graças a ela.
Até agora, o DCU tem sido um universo especial por se preocupar em ser humano e falar sobre os nossos sentimentos. Espero que continue assim, pois os fãs de quadrinhos só têm a ganhar com isso.
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A 2ª temporada de Pacificador, vale ressaltar, estreia na HBO Max em 21 de agosto. Quanto ao filme Queer (2024), você consegue assisti-lo no serviço de streaming MUBI.






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