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Poucos jogos na história conseguem despertar aquela sensação de “como se fosse a primeira vez” mesmo após décadas. Metal Gear Solid 3: Snake Eater é um desses. Ele marcou uma geração no PlayStation 2 com seu equilíbrio perfeito entre narrativa, espionagem e sobrevivência, eu ainda tive a chance de jogá-lo no Nintendo 3DS, PS Vita e também no Steam Deck (sim, eu gosto de portáteis), aproveitando, eu não poderia deixar de jogar a nova versão.
Para deixar claro, sou um grande fã de Hideo Kojima e sua obra. Metal Gear Solid é algo que começou um gênero e conseguiu se consagrar como uma das franquias mais importantes da indústria de games, tendo um lugar especial na história e elevando o o nome de Kojima a um panteão formado por game designers que conseguiram transcender e se tornarem ícones da cultura pop.
Agora, em Metal Gear Solid Delta: Snake Eater, a Konami aposta em um remake fiel, basicamente, eu diria que parece até mais uma remasterização, que não reinventa a roda, mas traz esse ícone para a era atual com novos visuais, controles refinados e ajustes pontuais na jogabilidade.
A essência permanece intacta

O maior trunfo de Delta é que ele não tenta apagar a identidade do original. A história de Naked Snake continua sendo uma das mais fortes do gênero, explorando temas de lealdade, ideologia e sacrifício em meio à tensão da Guerra Fria. O tom peculiar da série, que mistura seriedade militar com absurdos cômicos e extravagantes, que sabemos que são marca registrada de Hideo Kojima, algo que ele levou até para Death Stranding, tudo isso continua existindo nesta nova versão.
O design de sobrevivência, com caça de alimentos, tratamento de ferimentos e gerenciamento de camuflagem, também foi preservado. Essa fidelidade garante que Delta não perca aquilo que fez Snake Eater ser tão memorável. Porém, ao mesmo tempo, isso deixa alguns fãs frustrados, principalmente quem esperava que eles aproveitassem ter que mexer no clássico para adicionar algo mais similar a Metal Gear V, pois bem, isso não aconteceu, ok?
Visual que impressiona

O salto gráfico é a primeira coisa que chama a atenção. Reconstruído na Unreal Engine, o remake dá nova vida às selvas com vegetação densa, reflexos realistas e ambientes carregados de atmosfera. É quase possível se sentir dentro do jogo, tudo está realista, bonito e atraente.
Os modelos de personagens ganharam expressividade inédita. Cicatrizes, sujeira e até folhas grudadas ao uniforme de Snake reforçam a imersão. Lutas contra chefes se tornam ainda mais impactantes graças ao novo nível de detalhe visual e iluminação dinâmica. Os disfarces também ficaram bem melhores, continuando essenciais para sobrevivência, ajudando bastante dependendo do ambiente.
Jogabilidade atualizada

Se no PlayStation 2 a câmera fixa limitava a visão e tornava o stealth mais desafiador, em Delta temos o esquema moderno com perspectiva sobre o ombro. A movimentação é mais fluida, as transições entre posturas são naturais e o combate corpo a corpo (CQC) ganhou novas animações.
Essas mudanças tornam a experiência mais acessível e intuitiva para novatos, mas também reduzem parte da dificuldade original. Infiltrações ficam mais fáceis, e alguns chefes podem parecer menos ameaçadores. Claro, os ajustes deixam o ritmo do jogo mais próximo dos padrões atuais de ação furtiva. Ainda assim, é preciso dizer que a jogabilidade em si, não foi alterada, é como se você tivesse o jogo clássico agora sob uma nova perspectiva.
Durante meus testes, joguei tanto no PC quanto no Steam Deck, ainda que o jogo não tenha o selo de verificado no portátil da Valve, ele rodou muito bem, sem nenhum problema. Ou seja, mais uma vez, é possível jogar Metal Gear Solid 3 em qualquer lugar, agora com gráficos atualizados.
Melhorias de qualidade de vida

O remake traz pequenos toques que facilitam a vida sem comprometer a profundidade. Trocar de camuflagem e acessar o rádio pela D-Pad é rápido e prático; indicadores visuais ajudam a identificar inimigos que detectaram Snake; e até o sistema de cura ganhou menus mais ágeis.
Essas novidades, junto com extras clássicos como o modo Snake vs. Monkey e segredos desbloqueáveis, mostram que a Konami procurou entregar um pacote robusto tanto para veteranos quanto para novatos. Vale dizer que eu não tive muito tempo para testar este modo, mas sei que alguns fãs vão aproveitar bastante.
É preciso dizer que nem tudo funciona perfeitamente: O novo sistema de cobertura às vezes é impreciso, colando Snake em paredes de forma não intencional. Alguns detalhes visuais, como artefatos em cabelos durante certas cutscenes, quebram a imersão. Além disso, a regravação do tema icônico Snake Eater, embora tecnicamente competente, soa deslocada para quem tem o original na memória afetiva.
Vale a pena?

Metal Gear Solid Delta: Snake Eater não tenta reinventar um clássico e essa é justamente sua maior virtude. Ao modernizar visuais, controles e pequenos sistemas, o remake entrega a mesma experiência inesquecível de 2004 com um novo frescor técnico, sendo basicamente uma remasterização, se afastando do que eu considero um remake (sim, o termo ainda é debatido frequentemente pela comunidade e não há um consenso).
Outro ponto que vale destaque é que o jogo está totalmente legendado em português do Brasil. E isso faz com que o game fique muito mais acessível para os jogadores brasileiros, uma ótima decisão da Konami. Entretanto, não há dublagem.
Para fãs antigos, é como reviver emoções de duas décadas atrás com novos olhos. Para quem nunca jogou, é a oportunidade definitiva de conhecer um dos maiores marcos da história dos videogames. Ou seja, vale a pena para jogadores novos e veteranos. Como se trata de um remake 1:1, dá pra sentir a mão de Hideo Kojima em toda obra, o que é um ponto bastante positivo.
Nota: Este review foi feito a partir de uma chave antecipada concedida pela Konami para PC.
- Desenvolvedora: Konami
- Publisher: Konami
- Plataformas: PC, Xbox Series, PS5
- Review feito no: PC
- Também testado no: Steam Deck
- Remake fiel
- Gráficos atualizados
- Câmera e melhorias de qualidade de vida
- Desempenho sensacional
- Legendas em PT-BR
- Jogo fica mais fácil por causa da câmera
- Alguns pequenos problemas, mas nada que tire a experiência





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