
Início de Xenonauts
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Realmente me decidi por jogar Xenonauts, apesar de isso ir de encontro a minha ideia de jogar algo pouco estressante. Acontece que Xenonauts, assim como o XCOM: Enemy Unknown da Firaxis Games, é um remake do X-COM original da Micropose. E apesar de não ter o nome clássico da série, é muito mais próximo do jogo base, e portanto, cheio de momentos em que tudo o que se pode fazer é olhar assustado enquanto seu time é dizimado por alienígenas cheios de tecnologia avançada e poderes mentais.
Admito que meu primeiro contato com o jogo não foi com a versão antigona, de 93, mas sim com o remake da Firaxis. Eu gostei bastante do conceito enquanto estava jogando o remake, realmente adorei a proposta. No entanto, tinham algumas coisas que não me desciam muito bem. O jogo parecia muitas vezes manipular as probabilidades para compensar uma I.A deficiente, fazendo com que errar tiros com 90-99% de chance fosse muito mais comum do que deveria e que os E.Ts acertassem disparos extremamente improváveis com uma frequência alienígena. Com o tempo, acabei ficando decepcionado com a forma como o jogo parecia funcionar, mas como gostava muito da ideia, acabei se voltando para o original, para ver como seria.

E acontece que eu gostei muito do original. Certamente ele deve figurar em listas de melhores jogos da história. Para um jogo de 1993, X-COM era muito bem feito, contando com mapas randomizados (coisa que não acontecia exatamente na versão moderna), trajetória dos tiros (também não acontecia no moderno, que você é obrigado a escolher um alvo), destruição de basicamente qualquer coisa, vários tipos de equipamento e etc. De fato, um jogo muito a frente de seu tempo e executado com primor.
Eu joguei bastante tempo o old X-COM, embora não tenha finalizado ele. O jogo era realmente muito bom, mas também tinha muitas limitações devido a sua idade. Eram coisas simples, como os equipamentos dos soldados não ficarem salvos e outros pequenos contratempos (muitos dos quais são corrigidos por mods).
Foi durante essa época que ouvi falar em Xenonauts. Que na época ainda estava em sua versão beta e sendo vendido apenas no site do estúdio. A proposta era simples, modernizar o X-COM original, acrescentando algumas mecânicas novas e correções, mas sem alterar a forma geral de como ele funcionava. E cara, nisso eles foram muito bem sucedidos. É complicado dizer se Xenonauts é um jogo melhor do que os novos XCOM, mas pessoalmente eu acredito que ele honra muito mais a memória do jogo original, que é um “Simulador de Invasão Alienígena” melhor e que possui um lado estratégico e tático mais apurado.
O meu planejamento inicial era mostrar pouco a pouco meu progresso contra a invasão alienígena, tomando tempo para narrar cada percurso da epopeia contra os E.Ts. No entanto, isto não será possível. Acontece que eu gosto tanto do jogo que acabei jogando umas 20 horas dele essa semana (um grande contraste à semanas que eu jogo apenas 3 horas de alguma coisa) e acabei terminando ele de uma só vez. O que posso dizer? Alguém tinha que coordenar a defesa da terra enquanto vocês viviam suas vidinhas pacatas.

Apesar da presteza em terminar o jogo, de forma nenhuma foi uma jogatina tranquila. Fiel ao nome X-COM, Xenonauts oferece muitos momentos estressantes em que se é massacrado por alienígenas cheios de armas de plasma, poderes telecinéticos e todo o tipo de tecnologia extraterrena. Demorou muito para eu conseguir tem um bom domínio do espaço aéreo, mas eu acertei ao construir uma segunda base assim que eu pude (oh yeah, em Xenonauts dá pra construir outras bases). Enquanto a Mother Base conseguia defender com certa razoabilidade o meio-oeste, e a American Mother Base, situada no México, ofereceu certa proteção às Americas.
Em partidas anteriores de Xenonauts, nenhuma terminada de fato, eu aprendi que a defesa do espaço aéreo é até mais importante do que as missões no solo. Afinal, defendendo o espaço aéreo é possível impedir estratégias dos alienígenas como Ataques de Terror – que podem ter muito impacto nos financiadores do programa Xenonauts – e ataques às bases dos Xenonauts. Mesmo assim, não consegui impedir que duas das minhas bases fossem atacadas. Na primeira vez, defendi impecavelmente, sem morte de nenhum dos meus soldados (embora muitos tenham ficado feridos), dá segunda, os alienígenas atacaram a Asian Mother Base, que não possuía soldados para defende-la, o que acarretou em sua destruição. Felizmente, isto aconteceu próximo ao fim do jogo e não teve tanta repercussão.

Em geral, as missões em terra firme, com os soldados mesmo, são bem mais letais que os XCOM da Firaxis. Assim como no jogo original, os personagens de Xenonauts não possuem “skills” nem nada parecido, então faz parte do game design uma taxa de mortalidade maior. Isso não que dizer que soldados veteranos não sejam melhores que os novatos. No entanto, a progressão dos atributos dele é mais natural, não por nível, de forma que um capitão é muito melhor que um recruta, ou um soldado raso, mas não dói tanto quanto perder um XCOM de nível 6 com várias skills no jogo da Firaxis.
E posso dizer que morreu muita gente. Como eu estava jogando de forma um tanto apressada (quando vi que dava pra terminar essa semana, fui atrás disso), passei a não treinar muito os recrutas, o que fez com que eu chegasse ao fim do jogo com vários soldados sem patente alta. Suicidio se eu estivesse jogando ao estilo Iron Man, onde só pode ter um save e o jogo salva automaticamente a cada turno. Mas eu não usei essa opção e, tenho de admitir, ocasionalmente voltei para uma gravação antes de um combate ou, coisa que fiz muitas vezes, durante a parte estratégica do mapa mundi porque estava enviando os aviões sem prestar muita atenção. A dificuldade estava no veteran, que é bem além da normal. E não me arrependo de ter me valido dos saves.

E mesmo usando os saves, as mortes foram tantas que, efetivamente, morreram todos os soldados que eu tinha. Eu estava colocando nos soldados nomes de personagens da Marvel para que eu pudesse identifica-los melhor. E houveram muitas baixas desses super-heróis (e ocasionais pessoas sem poderes) até o fim do jogo. Fiquei muito entristecido com a morte de Maria Hill, que era a minha melhor batedora e morreu na metade do jogo devido a um tiro nas costas. Nick Fury sobreviveu muito mais tempo, chegando até a penúltima missão, quando foi metralhado por um colega vitimado por controle mental alienígena.
Muitos outros se foram, mas também alguns chegaram à proeminência. Capitã Marvel sobreviveu a muitos confrontos, chegando ao ponto de alcançar a patente de… capitã. O mesmo aconteceu com Steve Rogers, o capitão américa, que também foi condecorado com a patente. Honrado o personagem, Justiceiro foi longe em sua carreira militar. Gavião Arqueiro foi o melhor Sniper que eu poderia ter em minhas fileiras e Jubileu e supreendentemente Tio Ben também tiveram muito destaque.

Infelizmente, todos morreram no cumprimento do dever. Na última missão de Xenonauts, é preciso assassinar o líder dos alienígenas, mas pode ser uma operação sem volta. Para salvar os soldados é necessário destruir dois reatores, para ativar as cápsulas de fuga para então correr até o master alien, atirando em tudo o que vê pelo caminho e fugir com os soldados remanescentes. Não consegui fazer isso. Como haviam muitos soldados inexperientes, decidi ir direto ao ponto. Salvar a humanidade e prestar homenagens póstumas aos bravos guerreiros que se sacrificaram na batalha final.
Xenonauts é um jogo MUITO bom. E eu recomendo muito ele. Quem tem problema com gráficos mais simples não vai curtir tanto. Mas vai estar perdendo uma obra muito interessante Xenonauts 2 está prometido para 2017, esse será em 3D mas seguirá as bases do primeiro. Não se tratará de uma sequência, mas lidará com os mesmos eventos, sendo quase um remake do primeiro. Suponho que nesse os desenvolvedores procurarão adicionar mais coisas e tornar o jogo mais complexo e com mais novidades em relação ao X-COM original. Eu ficarei de olho com certeza.
Semana que vem, jogarei Tyranny, o CRPG da Paradox que foi lançado ontem. Na verdade, já comecei a jogar e, em poucas palavras, recomendo demais. Até a próxima.

Alguns dados:
Total de horas de Xenonauts.: 20
Total de horas do Zerando Minha Steam: 197
Jogos terminados no Zerando Minha Steam: 10
Jogos que faltam ser zerados: 267 (comprei Tyranny)




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