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Saga chega em seu terceiro volume, que podemos categorizar como decisivo. Se vínhamos acompanhando diversas tramas paralelas às de Marko e Alana, que de certa já evidenciavam chegar a um mesmo lugar, aqui finalmente vemos a convergência tão prometida em volumes anteriores. E isso acaba sendo surpreendentemente diferente do que qualquer  coisa que tenhamos imaginado.

Os dois volumes anteriores já vinham preparando o terreno. Além do objetivo de O Querer em matar o Príncipe Robô IV para vingar a morte de sua amada, A Espreita, tivemos a chegada de Gwendolyn, a antiga noiva de Marko, que pretende se vingar do traidor. Aqui, boa parte do volume trata da convivência entre Querer, Gwendolyn e a Garota Escrava, que finalmente recebe o nome de Sophie. E diria que é aqui que mora o brilhantismo de Brian K. Vaughan nesta edição. 

Vamos lá, você tem personagens que claramente querem assassinar os carismáticos protagonistas pais de primeira viagem, Marko e Alana, e de quebra, quem sabe, eliminar até mesmo a sua cria. E aí você simplesmente não consegue odiar esses personagens. É difícil decidir o que faz com que gostemos desses caras tanto assim. Suas motivações? Seu Carisma? O fato de terem um coração bom o suficiente para se importarem com uma criança que seria utilizada como escrava sexual? O fato é que quando mais acompanhamos e conhecemos mais a fundo a história desses personagens, mais nos vemos torcendo e nos importando por eles, quase com a mesma intensidade como fazemos com os protagonistas.

É claro que isso não se encaixa ao Príncipe Robô IV, obviamente. Esse – pelo menos por enquanto – é só um babaca. O arquétipo mais clichê de um vilão, em uma série que não costuma utilizar de clichês e surpreende o leitor a cada página. Mas talvez a graça do Príncipe seja justamente a sua falta de personalidade e de carisma, algo que além de o tornar um vilão clássico, evidencia a sua falta de humanidade – ele é um robô afinal. E no fim, é preciso lembrar que mesmo o Príncipe tem os seus motivos para cumprir a missão que lhe foi designada o mais rápido possível.

Dentre as duas outras tramas que correm em paralelo neste volume, uma delas traz uma dupla de jornalistas que pretende desvendar a fundo a relação dos desertores Marko e Alana, com o objetivo de contar o maior furo de todos os tempos: soldados de raças rivais que se apaixonaram e procriaram. No próprio volume, os planos dos jornalistas acaba indo por água abaixo, mas fica bem óbvio que ainda os veremos. Qual é, nenhum bom jornalista desiste tão fácil. 

Mas é claro que a maior parte do volume três é dedicado aos nossos protagonistas. No final do volume 2 terminamos com um cruel cliffhanger mostrando que o Príncipe Robô IV chegou finalmente na casa do escritor D. Oswald Heist no planeta Quietus, antecipando a chegada de Marko e Alana, sem saber que o casal já encontrava-se hospedado ali há semanas. Aqui, vemos então como foi a chegada dos protagonistas a Quietus, e o que aconteceu durante o tempo de sua estadia na casa do autor. E é aqui, perto da reta final, que uma sequência de acontecimentos acaba colocando os rumos dos personagens principais da trama em conflito, com alguns deles – finalmente – se encontrando. Ou se reencontrando, como é um dos casos. E o clímax é surpreendente.

De uma certa forma, esse terceiro volume de Saga fecha o primeiro arco da série. Em uma linguagem cinematográfica, por exemplo, esses 3 volumes consistiriam em um primeiro filme. Não vemos tramas se concluindo, mas as vemos sofrendo uma pausa para inúmeras possibilidades, e a última página deixa no leitor uma curiosidade enorme do que vem por aí. É difícil chegar ao final de um volume de Saga.

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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