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Desde sua estreia no mundo dos games em 1996, Resident Evil sofreu diversas mudanças em sua trama, e principalmente na jogabilidade. Em 2005, com Resident Evil 4, a Capcom abandonou o velho esquema de jogabilidade “tanque”, para algo que permitisse ao jogador maior ação e controle de movimentos. A mudança foi bem recebida, já que mesmo com um tipo de ameaça diferente, manteve-se o espírito dos games anteriores. O problema só começou com a saída do criador da franquia, Shinji Mikami, e os posteriores Resident Evil 5 e Resident Evil 6, que apostaram de forma exagerada na ação, ignorando quase que completamente o clima de survivor horror que popularizou a série. Este último, em especial, acabou sendo detonado por público e crítica, além de fracassar nas vendas. E parece que isso doeu na Capcom, a ponto de fazê-los repensar sua estratégia.

Desde a chegada de Resident Evil 6, em 2012, passaram-se 4 anos, e eis que a desenvolvedora resolveu trazer mais um capítulo da franquia numerada, dessa vez com mais uma mudança drástica. Sendo a maior delas, obviamente, a mudança de câmera: sai a jogabilidade em terceira pessoa presente em todos os games anteriores, e entra uma nova visão em primeira pessoa, já visando as possibilidades do PlayStation VR. Mas é claro que essa não foi a única mudança, o que a princípio acabou assustando alguns dos fãs mais antigos – mas afinal, o que tivemos de diferente?

Primeiramente, não temos um protagonista conhecido na franquia. Nada de Leon, Chris, Claire ou Jill. Aqui somos apresentados a Ethan Winters, um cara absolutamente normal que decide seguir uma pista de sua esposa, Mia Winters, desaparecida há três anos. Em busca do paradeiro de Mia, Ethan encontra uma misteriosa casa, onde dá de cara com a macabra família dos Bakers, e descobre que o mistério é muito maior do que ele pensava. Algo… sobrenatural ?

Esse retorno às origens foi algo que inicialmente, ainda na época do lançamento da demo do game, causou certa estranheza nos fãs. Era evidente o retorno ao survivor horror, e uma diminuição drástica na ação descerebrada que tinha dominado a franquia até então, mas ainda assim algo parecia errado. O tom parecia errado de alguma maneira, talvez fugindo de Resident Evil e lembrando mais algo como Sillent Hill ou os jogos de horror indie que vem surgindo nos últimos anos. No entanto, o jogo finalmente chegou e pudemos tirar nossas conclusões não apenas a esse respeito, mas muitos outros. 

Ok, o fato é o seguinte: Residente Evil 7 é sim o melhor game da franquia em anos. O horror e a tensão são bem utilizados, o clima lembra bastante (até demais, em alguns momentos) o clássico de 1996, e o tal “sobrenatural” vendido pelos trailers e pela demo é muito bem explicado dentro do roteiro, criando uma interessante mudança de tom perto do final do game, e revelando que no fim tudo não passava do que a série sempre foi pautada, e naquilo que o subtítulo Biohazard já indicava: ameaças biológicas. Subtítulo aliás, que é o nome original da franquia no Japão, e que pela primeira vez é utilizado no ocidente.

Tudo que fez da franquia um clássico está presente neste game. Armas clássicas, ervas, puzzles, e até mesmo o tão necessário racionamento de munição e de itens de cura – algo que pode decidir seu sucesso ou não no game. O clima de tensão é presente a todo instante, e os momentos onde o protagonista precisa fugir, despistar ou se esconder dos membros da “família” remetem imediatamente a personagens icônicos como o Nêmesis de Resident Evil 3.

O roteiro é bem amarrado e a trama é bem construída, oferecendo ao jogador pistas durante o gameplay, que aos poucos o fazem entender o que afinal está acontecendo ali. E conforme essa resolução vai chegando, percebemos como a Capcom conseguiu pegar o que há de melhor em cada um dos games da franquia, criando algo ao mesmo tempo nostálgico, moderno e com muito potencial.

A câmera em primeira pessoa inicialmente pode causar estranheza e uma certa rejeição a quem estava acostumado com os outros jogos da série, ou a quem simplesmente não gosta dessa jogabilidade. Mas aos poucos é perceptível que ela é necessária para o gameplay, criando um maior clima de tensão e uma maior imersão no ambiente.

Talvez o maior problema seja a curta duração game, que pode ser  completado em até 10 horas ou menos. Apesar da trama ser bem amarrada e sem espaço para enrolação, fica a sensação de que o jogo poderia ter trazido mais cenários e mais horas de gameplay. Mas de uma forma geral, Resident Evil 7 é uma grata surpresa, e um agradável retorno às origens, mostrando que ainda existe espaço dentro da franquia para se reinventar e agradar os fãs e potenciais novos jogadores.



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