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Guerra é um tema que sempre atraiu muita atenção, tendo sido retratado de diversas formas em diversas mídias. A ideia uma obra sobre guerra sempre tem o seu apelo nas artes, e pode se basear na exposição de diversos de seus aspectos. Algumas obras se focam na ação, em mostrar para os consumidores sentados com segurança no cinema ou em suas casas os tiroteios e explosões e combates sanguinários. Outras, se focam mais no aspecto psicológico, humano, em mostrar como esses conflitos invariavelmente deixam marcas nas pessoas. E, claro, muitas vezes também há um objetivo de delatar os terrores e excessos que uma guerra pode trazer, ou quem sabe, mostrar o evento com fato histórico que afetou a vida de milhões.

A guerra está presente há muito tempo no cinema. Tendo servido como propaganda para mostrar os bravos soldados lutando pelo seu país e, mais tarde, como veículo anti-guerra para mostrar os horrores das Grandes Guerras. A literatura também não escapa do tema. Clássicos como Guerra e Paz se dedicam a mostrar como as guerras napoleônicas afetaram o povo russo. Shakespeare se inspirava em guerras no século XVII. Antes dele, Heike Monogatari, do Japão de 1300 contava diretamente a guerra entre dois grandes clãs de samurai. E até mesmo antes de Cristo, na Grécia Antiga, a Ilíada, de Homero, ambientava-se na Guerra de Troia.

Com essa tradição antiguíssima de usar a guerra ou para contar histórias, ou realmente contar histórias sobre guerra, é claro que os quadrinhos não poderiam ficar de fora desse tipo de narrativa. Este artigo, portanto, é dedicado a listar dez HQs cujo tema principal sejam guerras reais. O objetivo não será o de colocar as obras numa ordem de qualidade ou importância, mas sim variar os conflitos – ou as visões sobre eles – para oferecer aos curiosos um bom material sobre os confrontos contemporâneos.

“Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura.

A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas – história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume.

Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. “


Provavelmente a obra mais famosa da lista, Maus foi a primeira HQ a ganhar o prêmio Pulitzer. É uma obra muito interessante por mostrar os horrores que os judeus sofreram durante a Segunda Guerra e também como acabaram levando as suas vidas quando os conflitos acabaram. 

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“Em abril de 1992, começa o cerco a Sarajevo, o mais longo da história das guerras modernas e que resultou na morte de mais de 12 mil bósnios. Ninguém podia deixar a cidade sem arriscar cair nas mãos de patrulhas ou franco-atiradores sérvios. O editor de quadrinhos Ervin Rustemagi e sua família viveram os horrores desse conflito. Após terem a casa bombardeada por tropas sérvias, causando a perda de uma vasta coleção de originais de grandes artistas dos quadrinhos, Rustemagi, sua esposa e filhos buscam a sobrevivência de abrigo em abrigo na cidade devastada. Seu único meio de comunicação com seus antigos amigos pelo mundo é por um velho aparelho de fax. Foi a partir desses faxes enviados pelo editor que a lenda dos comics norte-americanos Joe Kubert, um dos artistas com os quais Rustemagi manteve contato, decidiu registrar em quadrinhos os dois anos e meio de privações e medo dessa família na cidade sitiada.”


A Guerra da Bôsnia ocorreu entre abril de 1992 e dezembro de 1995. O conflito foi um misto de guerra civil e guerra de agressão, com a Bôsnia, a Iuguslávia e a Cróacia sendo os principais participantes. Estima-se que quase 40.000 civis e 50.000 militares morreram durante o conflito.

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“Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita – apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa.
Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. “


Talvez essa seja a obra da lista que lida menos diretamente com a guerra, mas nem por isso deixa de ser interessante. Ela mostra a Revolução Iraniana, que depôs o Xá Mohammad Reza Pahlevi – regente de uma monarquia autocrática – e acabou instalando uma república islâmica teocrática, impondo os valores da religião e alterando completamente a vida dos iranianos. Destaque para a influencia que o ocidente teve no fomento da situação.

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“Ganhadora de prêmios internacionais, Era a Guerra de Trincheiras mostra a situação brutal e desumana dos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial. No traço marcante do mestre Tardi, essa contundente HQ se revela um relato realista e uma indispensável denúncia do absurdo de todas as guerras.”


Única HQ da lista a tratar da Primeira Guerra Mundial, Era a Guerra de Trincheiras mostra como se guerreava na lógica de 1914~1918 em um confronto que vitimou 9 milhões de militares e 10 milhões de civis.

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“Na trama seguimos Kentaro Saeki, um jovem de 26 anos que sente que sua vida está estagnada: há alguns anos reprovando no Exame Nacional de Advocacia, o rapaz sente falta de algo que o faça ter motivação e fazer o “motor” da sua vida funcionar. Até que, um dia, sua irmã o contrata para uma importante pesquisa: descobrir quem foi Kyuzo Miyabe, seu verdadeiro avô, homem que batalhou nos céus da Guerra do Pacífico de 60 anos atrás, pilotando um caça Mitsubishi A6M Zero, e morreu em missão pelo Tokkotai, a esquadra de pilotos suicidas muito atuante durante a Segunda Guerra Mundial. A partir disso, Kentaro vê sua vida finalmente tomar um rumo ao descobrir mais sobre os valores e o modo de pensar de quem sobreviveu a esse passado não tão distante e confrontá-los com o presente que não parece entendê-los. E os leitores tem a oportunidade de revisitar a 2a Guerra mundial sob o ponto de vista japonês, descobrindo detalhes e teorias diferentes do conhecido pela maioria das pessoas.”

Também sobre a Segunda Guerra, a perspectiva agora é passada para os japoneses, em especial, a situação dos pilotos de caça que mais tarde realizariam as missões de kamikaze. A visão japonesa sobre a segunda guerra é pouco mostrada no ocidente, e esta obra funciona muito bem para contar um pouco sobre um dos grandes aliados da Alemanha Nazista.

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“Gen Pés Descalços (Hadashi no Gen, em japonês) é uma história autobiográfica. Seu autor, Keiji Nakazawa, tinha 7 anos quando a bomba atômica atingiu Hiroshima, cidade onde morava com a família. Gen Pés Descalços foi primeiramente lançado em série, nos anos 1972 e 1973, na Shonen Jump, uma das principais revistas semanais de histórias em quadrinhos do Japão. É um relato comovente da difícil vida de uma família japonesa, vítima da bomba atômica, durante e após a Segunda Guerra Mundial. Teve um grande sucesso não somente entre os leitores jovens, mas também com pais, professores e críticos. Gen foi transformado em longa-metragem de animação, três filmes e até uma ópera. As edições em livro venderam mais de 5 milhões de exemplares só no Japão.”

Um dos eventos mais emblemáticos da Segunda Guerra com certeza foram as bombas de Hiroshima e Nagazaki. Este mangá Auto-biográfico pode muito bem ser um paralelo de Maus ao mostrar os horrores da guerra e o que resta às suas vítimas. Em 10 volumes, Gen Pés Descalços é uma obra muito densa que fala não só da luta dos sobreviventes como também das mudanças na sociedade japonesa.

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“Esse livro é o relato gráfico da vida do soldado norte-americano Alan Ingram Cope durante a Segunda Guerra Mundial. A graphic novel mostra a fase de alistamento e treinamento do jovem em bases militares norte-americanas, os combates nos últimos meses da guerra na França e Alemanha, e a vida de Alan no pós-guerra na Europa. A adaptação das lembranças de Cope para HQ são executadas com maestria e sensibilidade pelo desenhista Emmanuel Guibert e, embora os acontecimentos se passem durante os momentos mais terríveis da história do século XX, o soldado mantém um estreito contato com as artes (literatura, poesia e música) e com os amigos que vai conquistando pelo caminho. Um relato humanista e comovente, realizado com muito talento por Emmanuel Guibert. Emmanuel Guibert nasceu em 1964 em Paris, na França. Já realizou a obra Brune, sobre a ascensão do nazismo na Alemanha; a série Le Photographe, relatando a perigosa viagem do fotógrafo Didier Lefèvre ao Afeganistão; e a série de álbuns infantis Sardine, em parceria com Joann Sfar.”


Diferente das obras á mencionadas sobre a Segunda Guerra, esta mostra a visão de um soldado Americano durante os conflitos. Um ponto de vista mais comum, que aparece em vários filmes, mas nem por isso menos interessante de se ver em quadrinhos.

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“Relato autobiográfico, em três volumes, que retrata uma incrível jornada na história moderna, desde a criação da República Popular da China, em 1949, até os dias de hoje. Neste primeiro volume, Mao Tsé-tung está no poder há um ano. Nas montanhas de Yunnan, cujas condições de vida são difíceis, o secretário Li convida a camarada Tao para ir para a cidade, para “fazer a revolução”. Da união de Li com Tao, nasce Xiao Li. Na época da revolução triunfante, o pequeno Li se considera mensageiro de Mao. Logo começa a promover o terror, engajado numa loucura coletiva indescritível carregada de denúncias, destruições e incêndios”


Voltando ao oriente, esta HQ mostra o que veio após a Revolução Chinesa de 1949 e como foi se formando a China comunista liderada por Mao Tse-tung. É uma boa obra para ver um pouco dos eventos que moldaram uma das maiores nações do mundo.

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“Quando Fidel Castro toma a cidade de Havana no despertar do ano de 1959, Sonya – então com 17 anos – acredita nas promessas da Revolução Cubana. Estudante de medicina que sonha em virar pintora, ela junta-se à milícia e acaba presa entre o idealismo e a ideologia. Como voluntária na Baía dos Porcos, ela se choca ao encontrar um antigo amor do outro lado do campo de batalha, e mais ainda quando é presa e torturada pelos seus próprios camaradas. Com cicatrizes físicas e emocionais, Sonya tenta encontrar satisfação na arte. Mas, quando se dá conta de que nenhuma de suas iniciativas – seja com uma arma ou um pincel na mão – se enquadra no novo regime, ela precisa fazer escolhas entre sua família, seu amor e seu amado país. Ilustrada pelo artista indicado ao prêmio Eisner Dean Haspiel (The Alcoholic), esta história é baseada em fatos reais”


Começando com a destituição do ditador Fulgencio Batista no primeiro dia do ano de 1959, essa HQ retrata parte da Revolução Cubana de Fidel e as lutas posteriores contra exilados anticastristas, além das consequências do novo regime.

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“Esta obra procura retratar o drama do povo palestino em uma reportagem em quadrinhos. Reúne os dois volumes da obra, textos, fotos e desenhos de Joe Sacco. O livro funciona como um diário do autor durante a visita que ele fez à Palestina, onde ele mostra ao leitor tudo o que acontece em sua volta e as conversas que teve com as pessoas da região. Durante dois meses, ele coletou histórias nas ruas, nos hospitais, nas escolas e nas casas dos refugiados, presenciando confrontos dos soldados com a população e entrevistando vítimas de tortura.”

Creditada por criar o gênero “Reportagem em Quadrinhos”, a HQ mostra a Palestina de 1991, imersa em sua duradoura guerra contra Israel, que começou no início do Século XX e até hoje perdura. Os conflitos da Faixa de Gaza estão entre os mais conhecidos da atualidade e Joe Sacco se torna um expoente do Jornalismo em Quadrinhos através desta obra que apresenta as dificuldades do povo da região.

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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