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Em um artigo de opinião publicado no The New York Times e coescrito com Matt Stoller, Mark Ruffalo (Os Vingadores) afirmou que diversos artistas de Hollywood recusaram assinar a carta aberta contra a fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery por medo de represálias dentro da indústria.
O ator apontou que a ausência de vários nomes importantes na carta não aconteceu por discordância com o movimento, mas sim por receio das consequências profissionais.
“A coisa mais reveladora sobre aquela carta não foram as pessoas que assinaram. Foram as pessoas que não assinaram. Não porque discordassem, mas porque estavam com medo. Existem muitos motivos para bloquear esse acordo, mas agora acreditamos que o mais fundamental é o que encontramos ao pedir que artistas usassem suas vozes: medo. Um medo profundo, feio e disseminado de se manifestar.”
Os autores afirmam que ouviram repetidamente de artistas que eles apoiavam a iniciativa, mas não queriam se expor publicamente.
“Ouvimos repetidamente de artistas, quando convidados a assinar esta carta, que apoiavam a iniciativa, mas tinham medo de retaliação. O medo deles não é injustificado.”
O artigo também cita dois supostos exemplos de represálias ligados à campanha contra a fusão entre Paramount e Warner Bros.
De acordo com Ruffalo e Stoller, a Paramount teria retirado publicidade do veículo independente The Ankler após o diretor editorial da publicação aparecer em um evento carregando bottons com a frase “Block the Merger”.
“Quando o diretor editorial do The Ankler, uma das últimas revistas independentes do setor, que também fundou a publicação e atua como um de seus colunistas, foi visto em um evento carregando uma bolsa com bottons de ‘Block the Merger’, a Paramount supostamente retirou sua publicidade em resposta.”
Ruffalo também relatou ter sido cogitado para uma discussão sobre a fusão na CNN, mas o segmento teria sido cancelado devido à relação da emissora com a WBD.
“Um de nós, o Sr. Ruffalo, foi sugerido como convidado para uma discussão na CNN sobre a fusão, mas um produtor posteriormente disse que a emissora decidiu não seguir com o segmento e, supostamente, informou aos organizadores da carta: ‘É um assunto delicado para nós na CNN, considerando que a Warner Bros. Discovery é nossa empresa controladora, e existem considerações legais sobre o que podemos ou não cobrir ou dizer enquanto a fusão estiver em andamento.’”
O artigo acrescenta que os efeitos negativos da fusão já estariam sendo sentidos em Hollywood antes mesmo da aprovação oficial.
“Essa fusão causará muitos danos em Hollywood, mas um deles já está em efeito: as pessoas têm medo de dizer o que pensam sobre sua própria indústria.”
Ruffalo e Stoller defenderam que a mobilização coletiva pode impedir o fortalecimento de grandes conglomerados de mídia.
“Já vimos o que acontece quando empresas inclinadas ao monopólio se beneficiam de um medo que silencia a dissidência. Mas nossa coalizão crescente está demonstrando que, quando não ficamos presos à margem, não nos curvamos à inevitabilidade e nos unimos para lutar, podemos vencer. E quem sabe? Se conseguirmos derrotar os oligarcas tentando assumir o controle de nossos programas de TV e filmes, talvez possamos fazer isso em outros lugares também.”
Para quem não sabe, a carta aberta contra a fusão já reuniu mais de 4 mil assinaturas, incluindo 75 vencedores do Oscar. O grupo tenta aumentar a pressão contra o acordo estimado em US$ 111 bilhões, que ainda depende de aprovação de órgãos reguladores nos Estados Unidos e Europa.
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Fonte: Variety via The Ny Times






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