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Não há como negar: O Universo Cinematográfico da Marvel conseguiu algo inovador – criar histórias de um grupo de personagens, interligadas e intercaladas por uma verdadeira série de filmes diferentes. A ideia é basicamente imprimir aquilo que a Marvel já fazia nos quadrinhos, algo que a fez ser tão elogiada desde seu surgimento. Afinal, não é de hoje que o Universo Marvel dos quadrinhos é conhecido por ter um ‘mundo’ vivo, identificável e orgânico. Praticamente, tudo que acontece em uma história, acaba tendo impacto em diversas outras séries.

Sim, pequenas mudanças acabam atingindo títulos diferentes, isso acabou gerando o que chamamos de grandes sagas. Quem é leitor de quadrinhos, sabe que os nomes ‘Guerra Civil’, ‘Guerra Infinita’, ‘Soldado Invernal’, ‘Era de Ultron’ não são apenas títulos de filmes. Mas são nomes de arcos criados nos quadrinhos e que trouxeram mudanças no status quo do Universo Marvel. E é isso que o Universo Cinematográfico tenta criar ao longo de seus tantos filmes: Vimos a ascensão do Capitão América em ‘Primeiro Vingador’, o surgimento da ideia dos Vingadores em Homem de Ferro, a formação do grupo no primeiro ‘Vingadores’, a queda da S.H.I.E.L.D. em ‘Soldado Invernal’, a “profissionalização” (praticamente agindo como substitutos da S.H.I.E.L.D.) dos Vingadores em ‘Era de Ultron’, o desmantelamento do grupo em ‘Capitão América: Guerra Civil’ e o retorno de personagens e desaparecimento de outros em ‘Guerra Infinita’. Claro, há muitos outros elementos e mudanças em outros filmes, isto é apenas um resumo.

Porém, o ponto é que a Marvel dos cinemas segue condensando aquilo que vimos em anos de desenvolvimento nos quadrinhos. Colecionadores ou leitores da Marvel das HQs sabem que tais eventos acontecem, geralmente, em intervalos de 2 anos, durante este tempo, acompanhamos mensalmente o desenvolvimento de suas consequências, o que nos faz entender como cada evento mudou cada personagem ou equipe. Entretanto, no cinema, isso não acontece dessa forma. Embora os filmes mostrem os eventos e as consequências, não há tempo hábil para se aprofundar no que houve. Geralmente, a Marvel usa alguns quadrinhos promocionais para resumir alguns eventos, dando alguns detalhes sobre o que houve no intervalo de cada filme. Mas é óbvio que isso também não gera o mesmo aprofundamento do que 24 meses de quadrinhos em série.

Veja bem: você pode acompanhar o surgimento e desenvolvimento de Tony Stark, Steve Rogers e Thor Odinson como heróis, mas você nunca irá saber como foram os dias de Steve e seus Vingadores como foragidos depois de Guerra Civil, afinal, em Guerra Infinita, o Capitão tem pouquíssimo tempo de tela e nada é muito explicado. Da mesma forma, sabemos que Tony Stark se aposentou e ficou sem sua namorada antes de Guerra Civil, voltou à ativa no fim do filme (criando sua própria versão dos Vingadores ao lado de Rhodes e Visão), voltou com Pepper antes de ‘De Volta ao Lar’, onde acabou noivando, desenvolveu nanotecnologia antes de Guerra Infinita. São informações que mostram o desenvolvimento do personagem, mas que são apenas pinceladas em suas atuações como personagem coadjuvante em pequenas participações.

É óbvio que uma série como Agents of S.H.I.E.L.D. já tentou mostrar conexão com o Universo Cinematográfico da Marvel e mostrar seus desenvolvimentos no mundo, porém, a série nunca foi reconhecida por Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, como canônica. O mesmo se aplica às séries Hulu e Netflix. A coisa muda de figura com a iniciativa da Disney em criar sua própria plataforma de streaming: o Disney+ e isso é animador para os fãs de quadrinhos.

De acordo com as informações divulgadas, veremos séries com os atores que participam dos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, o que dá espaço para desenvolver séries limitadas para explicar e se aprofundar em consequências dos filmes que assistimos. E isto é algo mais próximo do que a Marvel faz nas suas HQs. Há também o fato de que não há uma real necessidade de se estender por temporadas de uma série do ‘Soldado Invernal‘, por exemplo. Afinal, o grande personagem aqui é o Universo Marvel. A série pode se limitar a explicar certos detalhes da vida de um personagem entre os eventos de 2 filmes, dando maior embasamento e informações para os fãs. Note que o exemplo é bem válido, de todos os personagens que conhecemos no Universo Cinematográfico da Marvel, Bucky é um dos que mais passou por mudanças, mas nós tivemos que acompanhar tudo através de suas participações em longas que não eram focados nele.

É claro que há sempre a chance da Marvel criar algo totalmente diferente do que ilustro aqui. Porém, seria desperdiçar um grande potencial. Enquanto alguns acreditam que ‘Vingadores: Ultimato’ seja o fim da era de sucesso da Marvel, talvez o Disney+ e sua maior conexão com Universo Cinematográfico da Marvel dê origem a um novo resplandecer, em que possamos acompanhar os personagens de forma contínua, sem maiores intervalos, criando um engajamento que, até então, não existe em nenhuma outra franquia. Resta aguardar. E você? O que acha disso tudo?



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