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Se tem uma coisa que a DC nunca cansa de fazer… é reinventar o Coringa. Mas nenhuma dessas versões chega perto do entregaram aqui. Em Absolute Batman #15, finalmente descobrimos a origem do Coringa Absolute — e ela é tão insana, tão bizarra, que transforma o personagem quase em um Pennywise.
Um ser que pode ter vivido por mais de um século, fingindo ser uma dinastia inteira… enquanto espalha o caos de forma calculada. No vídeo de hoje, mergulhamos fundo nessa história de origem sombria.
A edição começa com Pennyworth dizendo a Bruce que chegou a hora, que adiou o quanto pôde, mas precisa contar sobre o Coringa. Bruce responde que está pronto e pergunta quem ele é. Imagens mostram o Coringa pousando um avião particular em uma ilha remota com armas e equipamentos de sobrevivência.
Pennyworth explica que persegue esse homem há três anos e ainda não tem certeza do que é real e do que é invenção. Algumas coisas fazem sentido, outras não fazem sentido algum. Bruce quer saber que tipo de coisas, e Pennyworth menciona as ilhas. Diz que ele possui centenas de pequenas ilhas pelo mundo, do Oceano Ártico ao Mar da Tasmânia. Lugares selvagens, inabitáveis, impossíveis de desenvolver. Mesmo assim, ele gasta bilhões nelas e viaja para uma ou outra algumas vezes ao ano, sozinho.
Bruce pergunta por quê, e Pennyworth diz que ninguém sabe. Satélites não mostram nada. A teoria é que ele gosta de caçar, mas ele continua sendo um mistério. O homem de branco que nunca ri.
Bruce diz para esquecer o que é verdade e contar para ele o que acredita. Em seguida, vemos uma imagem dupla com recortes de jornal, relatórios e fotos que Pennyworth reuniu ao longo dos anos. A história é chamada de “O Coringa”.
Pennyworth começa dizendo que tudo começou com um dos primeiros filmes já gravados — talvez o primeiro de todos — em 1888. Bruce pergunta quem está vendo, e Pennyworth diz que é o bisavô do Coringa. Bruce aponta o homem de cartola, mas Pennyworth corrige: é o menino com maquiagem, o palhaço, Joseph Grim, o primeiro Jack. Vemos o garoto com uma maquiagem de palhaço assustadora, fazendo malabarismo com crânios.

Ele conta que o garoto cresceu órfão nas ruas de Gotham, ganhava a vida como artista de rua e era considerado o melhor. Diziam que se ouvia as risadas a quarteirões de distância, embora ele mesmo nunca sorrisse. Sua fama cresceu, levou o número de palhaço ao Vaudeville, usou o dinheiro para investir em seu próprio teatro, o “Just Kidding”, ou JK.
Depois disso, ele investiu em filmes mudos e financiou grandes produções. A concorrência era intensa, mas Jack sempre vencia — segundo os que o cercavam — por fazer as pessoas rirem mais alto. Aos 40, já tinha feito fortuna e era membro dos clubes mais seletos de Gotham, como o Five Gates Club e o Slaughter Select. Teria se reunido com Andrew Melon, John Rockefeller e Andrew Carnegie em encontros dedicados ao progresso da república. Mas ele mesmo não gostava dos holofotes. Há poucas fotos, nenhuma entrevista, quase nenhum registro. Ele existe mais nas obras que produziu.
Era um grande filantropo, especialmente voltado a causas infantis. Isso fazia sentido, considerando sua infância difícil. Seu lema era viver como um palhaço e deixar o mundo com mais risadas do que encontrou. Jack morreu em 1938 e está enterrado na cripta da família em Gotham.
Jack deixou seu legado ao filho, Jackie Jr., que assumiu os negócios nos anos 1920 e os expandiu. Como o pai, Jack Grim II investiu em entretenimento que gerasse risos e se tornou um dos primeiros investidores em televisão. Criou subsidiárias da JK com nomes de palhaços e bobos da corte — Fox, Pierrot, Hop Frog e outros. Continuou com as ações filantrópicas, principalmente para crianças, abrindo lares para órfãos em todo o país.
Na década de 1960, o filho de Junior, Jack Grim III, se tornou o líder da JK, fundando uma das primeiras redes de televisão a cabo dedicadas à comédia e a programas infantis. Foi um dos principais financiadores da TV pública. Jack Grim IV, nascido no fim dos anos 70, levou a JK para o mundo dos videogames e expandiu suas ações de caridade para causas globais.
Por fim, chegamos a Jack Grim V. Pennyworth conta que Jack Grim V é jovem, inteligente e o mais bem-sucedido de todos. Foi um dos primeiros a investir em plataformas de jogos online, hardware, software e unidades de processamento gráfico. Está perto de se tornar trilionário e ampliou drasticamente as ações filantrópicas da JK com programas de alfabetização, paz, medicina e ajuda humanitária. Quem o conhece, o adora.
Bruce pergunta onde está a ameaça nisso tudo. O que há de tão assustador? Pennyworth responde que, no papel, nada. Ele é o quinto capítulo de uma família que fez fortuna ao abraçar o palhaço como figura de alegria. Ajudar pessoas ao redor do mundo a rir. Sim, ele é excêntrico. Gosta de caçar animais perigosos em ilhas remotas. Mas todo bilionário é excêntrico, certo?
Pennyworth diz que é um caso clássico de sucesso americano. Bruce responde que não pediu uma história. Pediu para saber o que Pennyworth acredita. Pennyworth diz que, para isso, precisam voltar ao início. Ao garoto no beco. Ao palhaço.
Ele explica que o jovem Jack Grim se apresentava em frente a um consultório dentário. Nos anos 1880, o óxido nitroso havia acabado de ser introduzido na odontologia. Jack invadia o consultório, vazava o gás no beco, fazia as pessoas rirem e as deixava sugestionáveis. Assim, elas lhe davam todo o dinheiro. O número era um truque de ilusionismo. E isso não era diferente do que Jack fazia quando adulto, financiando seus próprios rivais no vaudeville e no cinema, jogando um lado contra o outro.
Segundo Pennyworth, sua pesquisa revelou que os Grim sempre jogaram dos dois lados. Por um século e meio, investiram tanto em uma causa quanto na sua contraparte. Isso ia além do entretenimento: investiram no esforço de guerra… e também no inimigo.
Por meio de suas empresas com nomes de palhaços, financiaram redes de notícias de direita e de esquerda. Ajudaram causas humanitárias e também os senhores da guerra que se aproveitavam dessas ajudas. Paz e guerra, crimes e prisões. Pennyworth diz que eles podem ser a família criminosa mais poderosa da história, jogando todos uns contra os outros e lucrando com o caos. Leais a nada — nem países, nem princípios — apenas ao poder.
Vemos o Coringa nos dias atuais, em uma de suas ilhas remotas, encontrando uma cabana improvisada. Ele chama por alguém e encontra um homem preso ali há 30 anos, um “náufrago”. O homem, emocionado, agradece a presença de alguém, mas ao reconhecer o Coringa, entra em pânico. O Coringa o manda correr. O homem corre, apavorado.
Bruce insiste novamente para que Pennyworth diga no que acredita. Pennyworth admite que pode parecer loucura, mas continua. Ele explica que muitas pessoas que riam naquele filme de 1888 morreram logo depois, contorcidas, com um sorriso no rosto — algo semelhante a envenenamento por estricnina. Uma toxina que pode ser absorvida pela pele, talvez ao apertar a mão enluvada de um menino.
Pennyworth diz que muitos que cruzaram o caminho dos Grim tiveram fins trágicos. Desaparecimentos de rivais de negócios, políticos e jornalistas. Nos anos 1990, um conhecido do FBI, Harvey Harris, começou a investigá-los. Morreu em um acidente de barco.
Bruce pergunta o que exatamente Pennyworth está dizendo. Ele responde que acredita haver um projeto mais sombrio. Possui registros de investimentos dos Grim nas invenções mais letais dos últimos 100 anos — de bombas a armas biológicas e vírus. Existem registros dos Grim rindo durante os testes.
Bruce pede que ele diga logo o que quer dizer. Pennyworth pergunta: e se essas ilhas forem onde ele deixa seus inimigos? E se ele os abandona lá por anos até sentir vontade de voltar? Pennyworth diz que acredita que ele usa crianças. Primeiro, as dos orfanatos. Agora, outra coisa. Talvez células. Talvez pesquisa feita no Ark M. Um tipo de elixir terrível.
Vemos o Coringa se transformando em uma criatura monstruosa. Ele desenvolveu um elixir a partir dessas crianças, obtendo poderes insanos e se tornando essa criatura. Ele começa a se transformar, grita para o náufrago que está vindo pegá-lo. O homem grita.
Bruce ordena: “Diga logo. O que você acredita?”
Pennyworth finalmente revela. Ele acredita que não existe uma família Grim. Nunca houve um Jack I, II, III, IV, V. Sempre foi o mesmo Jack Grim. Talvez por ciência infernal. Talvez por um pacto sombrio. Talvez os dois. Mas ele é algo terrível, um pesadelo que anda sobre a Terra. Não um homem que nunca ri… mas a besta que está sempre rindo de nós. E só ouvimos sua risada quando é tarde demais.
Quem é ele? Ele é o Coringa. Nesse momento, o Coringa termina sua transformação. Está monstruoso como um demônio, uma criatura das trevas. Pega o náufrago com uma só mão e o engole, rindo enquanto faz isso.
A história retorna para Pennyworth e Bruce. Vemos Bruce vestido como Batman dizendo que já ouviu o suficiente. Pennyworth responde que entende e pede para ele ter cuidado.
Vemos então que o Coringa está em Gotham, no nível das ruas, observando Batman se mover pelos céus. Depois, entra em seu carro e segue até sua mansão, onde é recebido por um mordomo idêntico a Alfred. O mordomo diz: “Bem-vindo de volta à mansão, Mestre Grim. É bom tê-lo de volta. Está com fome?” O Coringa responde: “Não. Eu já comi.”
O Coringa então vai até um relógio antigo e move os ponteiros — o que abre uma porta secreta. Ele avisa ao mordomo que estará na caverna. Descendo pelas escadas, a edição termina.
Sim, o Coringa Absolute é um bilionário como Bruce, tem uma mansão, um mordomo e até um relógio que esconde uma caverna secreta. É uma interessante inversão de papéis. Mesmo revelando o essencial, o roteirista Scott Snyder deixa muitos mistérios no ar. O que é o Coringa? Um demônio? Alguém que fez pacto? Um feiticeiro? Não sabemos. Só sabemos que ele usa bebês vivos ou algum tipo de elixir que o mantém vivo e o transforma nesse monstro. Com intenções puramente egoístas e malignas. E em breve, seu caminho finalmente vai se cruzar com o do Batman.