O aguardado filme Supergirl: Mulher do Amanhã chega aos cinemas este ano e marcará a estreia do Lobo no novo Universo DC sob o comando de James Gunn. Criado na década de 1980, o personagem rapidamente se consolidou como um dos nomes mais violentos, imprevisíveis e politicamente incorretos da editora, atuando como um caçador de recompensas intergaláctico famoso por sua completa falta de moralidade e empatia.
Para preparar o terreno para sua chegada às telonas e entender de onde vem toda essa brutalidade, vamos mergulhar nos quadrinhos e explorar a verdadeira origem do Maioral.
A Origem Velorpiana
Antes de se tornar o Lobo que conhecemos, a primeira versão da origem do personagem era completamente diferente. Criado por Keith Giffen e Roger Slifer, o personagem fez sua primeira aparição na HQ Omega Men #3, publicada em 1983. Nesta fase anterior à Crise nas Infinitas Terras, Lobo não pertencia à raça dos czarnianos, mas sim a um povo alienígena conhecido como velorpianos. Essa raça era marcada por uma natureza extremamente violenta, gananciosa e possuía uma habilidade biológica de auto-fissura: sempre que um velorpiano sangrava ou recebia dano físico fatal, ele gerava dezenas de clones idênticos de si mesmo.

A extinção dessa raça foi causada por por uma espécie de cientistas alienígenas chamada Psions. Temendo que a agressividade e a capacidade de multiplicação infinita dos velorpianos causassem um caos irreversível no universo, os Psions disseminaram um vírus que tornou toda a raça estéril. Com a incapacidade de se reproduzirem, a população entrou em declínio ao longo do tempo até a extinção absoluta, deixando o Lobo como o único e último sobrevivente de seu povo. Essa história pré-Crise foi apagada anos depois, quando a DC Comics decidiu reformular o personagem para a versão moderna, que é a que vale, e é a que veremos a seguir.
A Origem Czarniana
Lobo nasceu em Czarnia, um planeta que ficava em uma galáxia tão incrivelmente remota que nem uma vez em sua história de éons teve contato com sistemas estelares externos. Portanto, lá só existia a Perfeição.
Czarnia era considerado um paraíso de paz, amor e alegria, onde os dias eram longos e as noites douradas, e todos os sonhos eram realizados. Não havia guerra e nem fome. A morte chegava apenas para aqueles que a escolhiam como uma alternativa à vida eterna. Não havia violência. Não havia sequer brigas. Até que Lobo nasceu.
Na verdade, o problema começou assim que ele nasceu. A parteira sentiu uma sensação estranha e desconhecida no momento do nascimento. Imediatamente ele arrancou quatros dedos da mão dela com uma mordida, que só pôde correr e gritar que estavam diante do “diabo encarnado”.
Ninguém sabia do que ela estava falando, mas a ela coube a duvidosa honra de ser a primeira vítima do Lobo. A parteira se tornou a primeira paciente psiquiátrica do planeta em mais de dez milênios, e ninguém nunca soube por que ela se recusou a regenerar os quatro dedos que a criança havia mastigado.
As melhores mentes de Czarnia — as melhores mentes da existência — passaram anos analisando o fenômeno Lobo. As teorias eram infinitas: Gene Rebelde; Possessão Demoníaca; a Hipótese do Bode Expiatório, que sustentava que ele era a maneira do universo de equilibrar a superabundância de coisas boas na vida de Czarnia; ou apenas a ideia de que o Lobo tinha que acontecer em algum momento, em algum lugar, e foi apenas azar que ele tenha acontecido ali.
Outros, como a professora do jardim de infância Lubla Blak, não tinham tempo para teorias chiques. “Lobo é só um desgraçado mau”, ela disse em uma entrevista pouco antes de sua morte prematura em um atentado a bomba de napalm nunca solucionado.
Mesmo aos cinco anos de idade ele era inacreditavelmente feroz, um fato atestado por seu primeiro diretor, Egon N’g, cuja garganta a criança odiosa arrancou em um ataque de fúria. Quando os vizinhos o encontraram, rabiscada no chão com seu próprio sangue estava a mensagem: “Para o seu próprio bem, criem os conceitos de Polícia, Punição e Prisão.”
Na adolescência, Lobo montou uma banda de rock, sua única real paixão, e resolveu participar de um concurso de música no planeta. No entanto, seu som era tão destrutivo que matou imediatamente todos os membros da banda. Para fechar a atitude rock n’ roll, ele eletrocutou os juízes, ateou fogo em uma parte da plateia e ainda reclamou quando não deram o primeiro lugar para ele.
Após esses eventos, Lobo cometeu sua maior loucura: invadiu uma clínica, fez os médicos de reféns e os obrigou a realizarem uma cirurgia cerebral nele mesmo. Ele obrigou os cirurgiões a instalarem um micro-rádio nos lobos auditivos de seu cérebro, sintonizado permanentemente na rádio rock Zumbi Cósmico. Ou seja, sim, ele tá o tempo inteiro escutando metal na mente, sem nunca parar. Após a operação, obviamente, ele eliminou todos os médicos.
Mas claro, ainda faltava o ato mais maligno da história do Lobo: a destruição de sua própria raça. Lobo simplesmente odiava todos no planeta Czarnia e decidiu que queria ser o único de sua espécie. Para alcançar esse objetivo, ele usou seu intelecto para criar uma arma biológica: um inseto voador microscópico, medindo apenas 117 mícrons e baseado em um escorpião.
Após alterar seu próprio organismo para se tornar imune à praga, Lobo testou a criação em seu professor. O ataque dos insetos causou bolhas nojentas, danos neurais irreversíveis e paralisia imediata, garantindo que a vítima sofresse por cinco longos dias antes de morrer. Satisfeito com o resultado do teste, o Maioral pegou um engradado cheio de frascos com a praga e a liberou sobre a cidade.
O resultado foi o extermínio absoluto do planeta pacífico. Cinco bilhões de czarnianos tiveram mortes agonizantes, formando pilhas de cadáveres deformados pelas ruas. E enquanto a sua própria espécie era varrida da existência em meio a gritos de dor, Lobo comemorou o sucesso do massacre enchendo a cara e tocando thrash metal em sua guitarra.
Após esses eventos, Lobo passou a agir como mercenário, singrando o cosmos com sua moto voadora. Foi assim que acabou conhecendo o Superman, e o ódio pelo Homem de Aço foi instantâneo: Superman é o epítome da virtude, da decência e da justiça, ou seja, ele personifica de uma só vez tudo que o Lobo mais odeia.