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O lendário roteirista Alan Moore voltou a criticar o estado atual da indústria do entretenimento. Em uma recente entrevista à revista Retrofuturista (via Bleeding Cool), o autor refletiu sobre o impacto de suas antigas obras e o uso excessivo do passado como muleta narrativa.
Ao ser questionado sobre o legado de histórias como Watchmen e V de Vingança — as quais ele se recusa a citar nominalmente —, o britânico foi contundente ao avaliar o apego do público aos super-heróis.
Para o escritor, a nostalgia deixou de ser um sentimento natural e se transformou em uma verdadeira “doença cultural”.
“A nostalgia não é exatamente uma ferramenta narrativa, mas sim algo que se desmantela com o uso de outras ferramentas narrativas. É provavelmente uma ferramenta comercial confiável”, declarou o roteirista.
No atual cenário do cinema e da televisão, a nostalgia virou uma ferramenta barata e fácil para conquistar os espectadores. Grandes estúdios têm apostado cada vez mais no retorno de franquias clássicas e aparições especiais para atrair o público.
O resultado dessa tendência são produções que, muitas vezes, se apoiam exclusivamente no fan service. Ao dependerem unicamente de referências do passado, essas obras acabam se tornando narrativamente vazias ou muito pobres.
Essa necessidade mercadológica de rever velhos ídolos nas telas acaba revelando uma certa infantilização do grande público. Segundo Moore, as pessoas buscam refúgio na cultura pop para evitar a dura realidade do mundo moderno.
“Mais e mais pessoas parecem se esquivar da responsabilidade de ajudar a criar um presente tolerável, buscando refúgio em um passado idílico imaginado ou em suas próprias infâncias, quando se sentiam seguras”, explicou o autor.
O escritor concluiu que o apego ao passado é um sintoma de uma sociedade que perdeu a capacidade de imaginar o futuro, ressaltando que o sucesso de suas antigas histórias refletia mais a falta de imaginação da civilização do que um dom profético.
Atualmente distante do mercado de quadrinhos, Alan Moore foca em sua carreira literária original. O seu novo livro, I Hear A New World, será publicado no dia 21 de maio nos Estados Unidos e no Reino Unido, ainda sem previsão de lançamento no Brasil.






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